Pesquisa mapeia perfil dos empreendedores das maiores favelas do Brasil

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Pesquisa mapeia perfil dos empreendedores das maiores favelas do Brasil

Estudo do Outdoor Social Inteligência apontou que 42,9% dos empreendedores precisam de crédito para expandir o negócio

Caio Fulgêncio
14 de abril de 2022 - 6h00

Pesquisa aponta que 84% dos empreendedores não possuem CNPJ (Créditos: Shawn Eastman Photography/shutterstock)

Dados do Outdoor Social Inteligência apontam que 42,9% dos empreendedores de favelas precisam de créditos ou outros investimentos para a expansão dos negócios. A pesquisa entrevistou 447 moradores das 15 maiores favelas do País em potencial de consumo e vai ser lançada oficialmente no Dia do Trabalho, em 1º de maio.

Conforme o estudo, as favelas são marcadas pela informalidade. Um total de 84% dos empreendedores não possui Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). “A primeira provocação é para as entidades que regularizam essa pessoa. Por que esse empreendedor não vê vantagem em se regularizar? É preciso trazer facilidades que alavanquem esse registro”, avalia Emilia Rabello, CEO do Outdoor Social.

A CEO explica que um dos objetivos da pesquisa é mostrar para as marcas as potencialidades dessas regiões. Juntos, os 15 lugares estudados possuem quase R$ 10 bilhões de potencial de consumo por ano. “Para além do assistencialismo, que também é necessário, existem oportunidades de mercado. As marcas precisam enxergar esses cidadãos brasileiros e fazer essa transformação através da economia”, ressalta.

Serviços gerais (20,1%), alimentos e bebidas (16,9%), salão de beleza (12,6%), comércio (9,5%) e moda e acessórios (9,3%) são os principais ramos encontrados nas periferias. Outro ponto levantado pelo Outdoor Social foi a forma como os proprietários desses negócios compram os insumos. Em torno de 37% deles preferem o atacado/atacarejo e somente 10,6% compram diretamente da indústria.

“A pessoa que está vendendo nesses territórios compra do atacarejo, ou seja, ele já está comprando com a margem de lucro do supermercado. Quais são os desafios da indústria para falar diretamente com esse comerciante e dar a ele condições de preço e fluxo de caixa que o apoiem e que o façam crescer?”, questiona Emilia.

Outros dados

Participaram do estudo moradores de comunidades localizadas em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís e Belém. A margem de erro é de 5%.

O faturamento mensal da maior parte dos empreendedores (91,8%) é de até R$ 5 mil mensais. Entre os entrevistados, 51% usam máquinas de cartão. Mercado Pago, PagSeguro e Moderninha são as principais formas usadas para receber pagamentos dos clientes. Além disso, o estudo mostrou que 58% não ainda não vendem pela internet.

Emilia Rabello ressalta que esses bairros são resultados da falta de planejamento e desenvolvimento urbano. “O que fazemos com essa pesquisa é desconstruir a palavra favelado, porque a favela não é só lugar de carência, ou seja, não é só o lugar da necessidade de assistencialismo e nem das páginas policiais. Então, trazemos esses dados para revelar essa potência e para falar que existe comércio”, finaliza.

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