O Oscar e o equilíbrio entre forma e conteúdo

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O Oscar e o equilíbrio entre forma e conteúdo

Erros em 2017, assédio, equidade étnica e de gênero; as pressões sobre o maior evento do cinema, que chega aos 90 anos, indicam mudanças importantes

Luiz Gustavo Pacete
1 de março de 2018 - 7h38

 

A Forma da Água, de Guillermo del Toro, uma das principais apostas para a edição de 2018 (Crédito: Reprodução)

Os últimos anos do Oscar, maior premiação da indústria cinematográfica, foram marcados por erros e acertos. Em 2014, a famosa selfie tirada pela apresentadora Ellen DeGeneres tornou-se um dos maiores casos de compartilhamento viral de um conteúdo. Ponto para a apresentadora.

Já em 2016, o Oscar foi vítima de um boicote pela ausência de representatividade e diversidade na premiação. O ator Will Smith criticou diretamente a falta de atores negros entre os indicados e apoiou as críticas anteriores de sua esposa, Jada Pinkett Smith, e outros artistas como Spike Lee.

No ano passado, uma confusão na hora da premiação virou uma crise de imagem. Na categoria de melhor filme, concorriam La La Land, Moonlight, Até o Último Homem, Manchester à Beira Mar e A Chegada. Na hora do anúncio do vencedor, no entanto, foi dito que La La Land havia ganhado o prêmio. Depois do discurso da equipe de Damien Chazelle, diretor do filme, foi anunciado o equívoco na entrega dos envelopes, e que o vencedor era na verdade Moonlight, de Barry Jenkins.

 

Em 2014, a selfie foi um dos momentos mais marcantes da história da premiação (Crédito: Reprodução)

O caso levou a PwC, empresa que faz a auditoria e contagem dos votos para a premiação, pedir desculpas. Em comunicado, a Academia se comprometeu a investigar o ocorrido. Os erros e acertos e suas repercussões mostram que, como marca, o Oscar vive as dores de se conectar a seu tempo e, neste ano, quando o prêmio completa 90 anos, não será diferente. Os casos de assédio em Hollywood aparecerão com força como já ocorreu no Globo de Ouro, em janeiro.

Paulo Rogério Nunes, consultor em diversidade na Casé Fala, cofundador da aceleradora Vale do Dendê e afiliado ao Berkman Klein Center da Universidade Harvard, explica que as as discussões em torno da falta de diversidade no Oscar tiveram impacto na estrutura da premiação. “A edição de 2018 deve seguir nessa direção, dando destaque a produções mais representativas. Isso é muito bom, pois reflete um amadurecimento do debate sobre necessidade de novas narrativas no cinema”, diz Paulo Rogério.

Ele ressalta que a diversidade na premiação é importante, pois ela baliza tudo que será feito posteriormente sobre o tema na indústria. “Certamente esse diálogo em torno da diversidade terá um impacto na indústria nos próximos anos com mais contratações de profissionais negros e de outros grupos subrepresentados. Com isso, o cinema pode inovar mais e certamente gerar melhores resultados de bilheteria e impacto social”, afirma Paulo Rogério.

De acordo com Vinicius  Sanfilippo, planning & content director da Flix Media, as polêmicas em torno do Oscar apenas ilustram que ele segue sendo uma marca muito forte e de alta influência na indústria cinematográfica. “Imaginar um evento que consegue de maneira única a união de dois fatores que no dia a dia são opostos, o glamour extremo e o forte intelecto que os filmes representam, só reforça o quanto é importante e relevante tudo que acontece em torno do Oscar”, afirma.

Sanfilippo destaca a importância de mercado e negócios que também possui o festival. “Todo o ecossistema do cinema, desde estúdios, distribuidores até exibidores, tomam a decisão de exibir um número menor ou maior de salas, investir mais em uma campanha de marketing ou até decidir a melhor data para o lançamento de um determinado filme após a indicação e mais ainda quando um filme ou profissional ganha de fato a estatueta. É um grande termômetro para o mercado”, ressalta.

*crédito da imagem no topo: Tim Boyle/GettyImages

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