Instagram: fundadores Systrom e Krieger deixam app

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Instagram: fundadores Systrom e Krieger deixam app

Os cofundadores do aplicativo de compartilhamento de fotos teriam saído por desgastes da relação com Mark Zuckerberg, controlador do Facebook e do próprio Instagram

Sergio Damasceno Silva
25 de setembro de 2018 - 12h17

O cofundador brasileiro do Instagram, Mike Krieger, criou o app de fotos em 2010 com o americano Kevin Systrom e ambos o venderam ao Facebook em 2012 (Crédito: Stephen Lovekin/Getty Images for WIired)

Os fundadores do Instagram, o americano Kevin Systrom e o brasileiro Michel “Mike” Krieger, estão de saída do app. A razão seria a frustração do envolvimento cada vez maior do cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, na rede de compartilhamento de fotos. O Instagram foi adquirido pelo Facebook em 2012, por US$ 1 bilhão, e, naquele momento, havia a promessa de se manter o app de fotos independente do Facebook. Passados seis anos, aparentemente, a relação entre os três executivos se desgastou. O problema é que o Instagram passou a ser parte importante da estratégia do Facebook, o que justifica a interferência cada vez maior de Zuckerberg. Segundo análise de especialistas, sem os fundadores, o Instagram provavelmente se tornará mais integrado ao Facebook, o que significa que passa a ser uma mais uma divisão de produtos dentro de empresa (que já detém o controle também do WhatsApp, do Oculus, Masquerade, CrowdTangle e do Facebook Payments)) do que uma operação independente.

Da aquisição em 2012 para o presente, a estrutura do Facebook (2,230 bilhões de usuários ativos em todo o mundo) serviu para a expansão do Instagram (que passou dos 30 milhões de usuários em 2012, após a aquisição pelo Facebook, para 1 bilhão este ano).  Os fundadores Systrom e Krieger foram capazes de resistir amigavelmente a certas iniciativas de produtos do Facebook que achavam que iam contra sua visão, enquanto se apoiavam na rede de Zuckerberg para recursos, infraestrutura e talentos de engenharia. Depois que o jornal The New York Times relatou a saída de Systrom e Krieger, ambos confirmaram a decisão em um post no blog do Instagram. O Facebook não comentou o aumento da tensão entre os três executivos.  Apenas expressou, via comunicado assinado por Zuckerberg: “Kevin e Mike são líderes extraordinários de produtos e o Instagram reflete seus talentos criativos combinados. Aprendi muito trabalhando com eles nos últimos seis anos e realmente gostei.”

Quando a transação de venda para o Facebook foi anunciada, o app de compartilhamento de fotos tinha apenas 13 funcionários e 30 milhões de usuários registrados. Agora, mais de 1 bilhão de pessoas usam o aplicativo mensalmente. O Instagram se tornou a principal fonte de receita de publicidade para o Facebook fora do principal feed de notícias da rede social. Uma análise da Bloomberg Intelligence em junho disse que o Instagram vale mais de US$ 100 bilhões. Sobre a saída, Systrom disse: “Estamos planejando tirar uma folga para explorar nossa curiosidade e criatividade novamente. Construir coisas novas requer que recuemos, entendamos o que nos inspira e combinamos com o que o mundo precisa; é isso que planejamos fazer.”

Embora o Facebook tenha enfrentado escândalos sobre privacidade, notícias falsas e interferência eleitoral, a marca do Instagram permaneceu praticamente intocada e continuou a adicionar usuários rapidamente. Com mais de 2,2 bilhões de usuários, o Facebook está ficando sem pessoas no mundo para se inscrever na rede social e pode apenas enviar tantos anúncios para seu feed de notícias. Isso significa que se tornou cada vez mais dependente do aplicativo autônomo de compartilhamento de fotos para o seu futuro.

Público mais jovem 

O Instagram atrai um público mais jovem de usuários que são críticos para o crescimento do Facebook. Os usuários do Facebook também estão migrando para o Instagram como fuga, cansados ​​das disputas políticas e dos escândalos de privacidade que afetam a empresa-mãe. Os usuários gastaram uma média de 53 minutos por dia no Instagram em junho, apenas cinco minutos a menos que no Facebook, de acordo com dados da empresa de análises SimilarWeb. O Instagram está próximo de gerar ao Facebook uma receita de US $ 20 bilhões até 2020, ou um quarto do total do faturamento do Facebook, conforme dados que Ken Sena, analista da Wells Fargo Securities, demonstrou a investidores no início deste ano.

Recentemente, a rede de Zuckerberg lançou o Facebook Watch, plataforma similar à TV, na qual investiu centenas de milhões de dólares, principalmente para conteúdo. A isso se seguiu o lançamento do IGTV do Instagram, um aplicativo que permite que qualquer pessoa produza e publique vídeos mais longos. O Instagram tem uma relação mais natural com os influenciadores, que construíram enormes sucessos na plataforma, e que têm que pagar para usar o novo recurso. Em uma teleconferência em julho, executivos da empresa explicaram que o crescimento da receita diminuiria nos próximos anos e que o Facebook teria que gastar mais para expandir. Esse anúncio causou o maior esgotamento do mercado de ações de um dia na história americana.

O Facebook, sediado em Menlo Park, na Califórnia, ainda é um obstáculo para as ações de tecnologia, que, em geral, impulsionaram o mercado acionário dos Estados Unidos a registrar altas. As ações da Faang (o grupo formado pelas iniciais de Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) subiram cerca de 58% no ano passado. As ações do Facebook caíram mais de 6% este ano, depois de subir em todos os cinco anos anteriores. As saídas de Systrom e Krieger do Instagram podem pressionar ainda mais esse movimento.

(*) Com AdAge

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