Palavra Aberta: pela liberdade de ideias

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Palavra Aberta: pela liberdade de ideias

Patrícia Blanco, presidente do instituto, explica como ampliará projeto de educação midiática ao longo do ano

Teresa Levin
21 de fevereiro de 2020 - 16h37

Patrícia Blanco, presidente do Palavra Aberta (Crédito: Divulgação)

É necessária a criação de um instituto que defenda a plena liberdade de ideias, pensamento e opiniões? Esta pergunta foi feita inúmeras vezes quando o Palavra Aberta foi lançado há dez anos. Quem conta é Patrícia Blanco, presidente da entidade, que por conta do cenário atual se mostra ainda mais necessária. Se hoje a produção legislativa que restringe a liberdade de expressão é menor que no passado, são maiores as propostas de cerceamento da imprensa, observa a executiva. Para Patrícia, há a necessidade de reforçar junto aos jovens a importância da liberdade de imprensa e de expressão. Confira abaixo trechos de uma entrevista concedida por ela ao Meio & Mensagem por conta dos 10 anos de atividade da entidade criada com a participação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap).

Hoje o Palavra Aberta é ainda mais importante que na época de sua criação?

Há 10 anos quando o instituto foi criado, pensado pelos fundadores, a preocupação principal era com a questão da liberdade de imprensa, as tentativas de controle de conteúdo. Elas eram feitas através de propostas legislativas que que buscavam restringir a liberdade de imprensa e o direito de anunciar, em um triangulamento nocivo para os veículos. Isso vinha a partir de uma restrição econômica, já que diminuindo a publicidade, os volumes de recursos para os veículos de comunicação caiam e eles dependeriam da comunicação pública oficial. Com isso se direcionava o conteúdo. Dez  anos depois vemos questões voltando à tona, de maneiras diferentes. Embora hoje tenhamos uma produção legislativa um pouco menor no sentido de propostas de cerceamento, há uma avalanche principalmente de ataques contra a liberdade de imprensa. Temos o tempo todo  que ficar lembrando que a democracia exige um exercício pleno da liberdade. Não há democracia sem liberdade de expressão, sem uma imprensa forte, sem veículos que façam  o jornalismo profissional. É impressionante como os desafios de renovam.

De que forma o Palavra Aberta atua?

Temos três pilares fortes de atuação: um centro de estudos em que incentivamos a produção acadêmica e que temos parcerias com universidades, promovendo debates, entrando na academia para desenvolver teses que reforcem os princípios da liberdade de expressão. Um segundo pilar são publicações e eventos que promovemos, a partir de teses e estudos publicados fazemos eventos para debater. O terceiro pilar é advogar e propor políticas públicas que reforcem a liberdade de expressão. Unindo os três pilares lançamos o EducaMídia, uma política pública de educação midiática, melhorando o ambiente formacional, para que a liberdade de expressão chegue a todo território brasileiro. Nosso grande desafio para 2020 é fazer com que este projeto se torne nacional, com isso conseguiremos efetivamente contribuir para a melhoria do ambiente democrático.

Como vocês trabalham o lado da educação? Como funciona o projeto do EducaMídia na prática?

Temos, por exemplo, uma parceria forte com o Governo do Estado de São Paulo, preparamos um plano de aula, uma eletiva, que estão sendo implantadas no Inova Educação. Ela chama “Muito além das fake news” e tem o potencial de atingir dois milhões de alunos. Para outros estados vamos ter formações regionais, são 12 eventos já marcados, começando em Manaus, até Porto Alegre.  Ao longo do ano teremos uma grade de formação bastante forte, inclusive com um curso de educação à distância. No campo do EducaMídia trabalhamos com a TV Cultura uma série de programas para atingir o maior número possível de adolescentes, nosso foco, e os professores. Queremos falar com o jovem que consome mídia, produz conteúdo e não sabe como se colocar de forma mais cidadã.

Estes jovens tem alguma resistência?

Sentimos que estão se distanciando muito dos veículos formais de comunicação, o jovem que consome mídia a partir das redes sociais e do celular em geral confunde os gêneros, não sabe diferenciar artigo de opinião. Queremos mostrar que o jornalismo profissional tem um papel fundamental na produção de informação de qualidade, segue métodos, processos, checa e, principalmente, tem um jornalista, editor responsável. A informação não nasce e brota em uma árvore. Faremos uma semana de imprensa em que chamaremos a atenção do público, mostrando as diferenças, para que a sociedade volte a entender e valorizar o papel da imprensa como necessário e fundamental para a democracia. Será um evento nacional, com caráter de movimento, teremos um site em que chamaremos agentes para participar, escolas, secretarias de estados e municípios. Vai envolver um seminário no dia 5 de maio em São Paulo.

E como vocês conduzem esta discussão junto aos jovens para eliminar possíveis barreiras?

Quando defendemos um veículo ou a imprensa, começando por este caminho a polarização é absurda, impressionante. Nossa opção é mostrar que hoje somos consumidores de informação, produtores de conteúdo, e é nosso papel como cidadão, temos que nos posicionar como “prosumers”, consumidores e produtores. Quebrando a impressão de que queremos catequizar estes jovens, atraímos um público cada vez maior. Precisamos neste momento furar a resistência, sair de senso comum de que tudo que vem de jornalismo é ruim, contar um pouco o que é liberdade de expressão e liberdade de imprensa, que não podem ter limites. As consequências são positivas porque isso garante uma sociedade democrática.

 

 

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