“Conteúdo bom salva vidas, a publicidade não pode parar”

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“Conteúdo bom salva vidas, a publicidade não pode parar”

Cris Camargo, CEO do IAB Brasil, fala sobre os impactos da atual crise em questões como brand safety e investimento em mídia digital

Luiz Gustavo Pacete
6 de abril de 2020 - 6h00

Cris Camargo, CEO do IAB Brasil

Brand safety, fim dos cookies no Chrome, publicidade intrusiva em xeque, Lei Geral de Proteção de Dados. Eram muitos os assuntos em discussão sobre publicidade digital antes da pandemia. Neste momento, no entanto, o cenário mostra o fortalecimento das plataformas jornalísticas e a importância do combate às fake news. Segundo Cris Camargo, CEO do IAB Brasil, muitas coisas mudarão passado o momento de crise.

Meio & Mensagem — Qual o reflexo da atual crise na discussão sobre brand safety que já vinha muito avançada, o que muda, como impacta?
Cris Camargo — Neste momento o que é Brand Safety? No sentido amplo da palavra, proteger sua marca significa atender as reais necessidades dos seus consumidores. Em tempos de crise, todos os seres humanos buscarão por marcas conectadas com este propósito. O IAB lançou um chamado a todo o mercado publicitário. Pois, se analisarmos atentamente, a produção de conteúdo é sustentada pela receita de publicidade. Se conteúdo bom, claro, pode salvar vidas, a publicidade não pode parar, pois os produtores de conteúdo precisam de receita. O chamado social é muito mais forte do que a proteção da marca em um ambiente isolado. É preciso fazer parte disso tudo. É preciso circular sua marca em campanhas que apoiem os produtores de conteúdo. Na publicidade digital mais especificamente, algumas palavras-chave que eram proibidas (estavam nas Black Lists) por algumas marcas em campanhas contextuais, como Covid-19, Pandemia, Epidemia, Crise, entre outras, evitam que campanhas sejam veiculadas em alguns sites que produzem conteúdo de excelente qualidade. O conceito de “proteger a marca” não pode significar manter sua marca sem nenhum posicionamento, sem nenhuma ação. É preciso agir socialmente, principalmente neste momento.

“Os canais de distribuição ainda passarão por ondas de revisões estruturais, mas também percebemos a importância da qualidade de uma boa plataforma”

M&M — O que muda no cenário e qual a importância que as plataformas de conteúdo e jornalismo passaram a ter neste contexto?
Cris — O jornalismo mostra como é essencial para a sociedade. A produção de conteúdo de qualidade nunca foi tão valorizada. Este é um resgate importante para percebermos o valor e o papel de cada um no contexto da comunicação. A investigação, a crítica, a análise, a pesquisa nunca deixaram de existir e recebem agora o merecido crédito. Os canais de distribuição ainda passarão por ondas de revisões estruturais, mas também percebemos a importância da qualidade de uma boa plataforma, da estabilidade das redes, dos serviços de streaming. A pressão fez com que todos mostrassem suas fraquezas, mas também seus principais ativos.

M&M — Como você enxerga esses impactos no Brasil, o que nos diferencia em relação a outros países?
Cris — Ainda é muito cedo, as análises podem ser alteradas dia após dia. Minha expectativa é de que o Brasil seja exemplo e consiga aprender com o erro dos que sofreram antes de nós. A principal diferença, na minha visão, é a do contexto geral do País. Estamos muito instáveis socioeconomicamente. Os impactos em uma economia instável como a nossa podem ser muito severos.

“O conceito de proteger a marca não pode significar manter sua marca sem nenhum posicionamento, sem nenhuma ação. É preciso agir socialmente, principalmente neste momento”

M&M — Em relação ao passo recente de Twitter e Facebook retirarem posts do presidente, como você enxerga isso e o quanto isso é significativo?
Cris — Não posso responder por eles. Respondo sempre em nome dos associados do IAB Brasil de forma geral. Eles devem ter suas próprias políticas para terem tomado tal decisão.

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