Turner lança série com produtora de ex-membros do Omelete

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Turner lança série com produtora de ex-membros do Omelete

Produção feita remotamente fala sobre relacionamentos em quarentena e é o primeiro projeto de Aline Diniz e Érico Borgo desde que deixaram a empresa

Thaís Monteiro
17 de junho de 2020 - 6h00

O período de isolamento social em decorrência da pandemia do novo coronavírus afetou de diversas formas muitos relacionamentos amorosos. Casais já próximos passaram a ter a companhia um do outro 24/7 e aqueles que não vivem juntos se adaptaram para se mudar temporariamente ou permanecem em contato virtual. A nova série Carenteners, do Warner Channel, trata de um casal — Cecília (Ana Tardivo) e Marcos (Mateus Sousa) — que se apaixonou antes das medidas preventivas e, agora, tenta manter o relacionamento através das telas.

A produção estreia no canal da Turner na terça-feira, 30, e será exibida todas as terças e quintas às 21h40, depois de The Big Bang Theory. Posteriormente, os episódios ficarão disponíveis no canal de YouTube do Warner Channel e serão reprisados na programação. Ao todo, são dez programas, de 5 minutos cada.

 

Na trama, o casal se apaixona antes da quarentena e precisa se adaptar aos novos tempos, enquanto lidam com problemas, como trabalho, convivências familiares e amizades (Crédito: Divulgação/Turner Broadcasting System Brasil)

A série é um projeto de branded content que envolveu as áreas de content partnership, general entertainment e ad sales, da Turner. Dell e Mapfre são duas das marcas parceiras confirmadas. A Turner ainda conta com duas cotas disponíveis. A ideia da união das marcas com o conteúdo é mostrar também a forma de consumir nessa realidade pandêmica.

“Aquela compra tradicional e mais burocrática não existe mais. O anunciante tem uma tendência a um propósito assistencialista, de prestação de serviço e estar ao lado do consumidor, reinventar seu sentido como marca. Levamos isso para o mercado. E foi dessa forma que Dell e Mapfre se interessaram rapidamente. Eles gostam desse tom de humor e os temas ligados a relacionamento e redes sociais”, diz Gilberto Corazza, vice-presidente de ad sales da Turner. A proposta com Dell é trazer o lado de conector da marca, que permite estreitar laços com familiares e amigos que estão longe e ressaltar que Mapfre está ao lado do consumidor em qualquer momento com diversos tipos de planos de seguro.

“Nós estávamos avaliando pelo menos três projetos, analisando se teria um impacto positivo no mercado, se teria atratividade para sales. Logo que recebemos esse projeto, vimos que tinha potencial comercial até por conta do contexto dele, que retrata tudo o que estamos vivendo hoje. Percebemos uma grande atratividade para o formato de branded content porque vimos diversas possibilidades de inserção de marcas e não só uma inserção simples, mas contextualizada. Passamos a consumir produtos de forma diferente e esse projeto pôde mostrar isso. O branded é uma tendência. Não tem mais uma vontade das marcas em continuar fazendo a mídia tradicional que elas sempre fizeram. Se a gente for olhar para o que as marcas têm feito hoje, tem dois caminhos muito claros: um de tecnologia (programático, performance, KPI) e outra é conteúdo. Você não tem engajamento e audiência se você não tem um conteúdo proprietário e diferenciado”, complementa Thiago Franzão, diretor de content partnerships da Turner.

Todo o processo foi remoto. As empresas enviaram equipamentos para os próprios atores conduzirem as filmagens mediante orientação das coprodutoras. Essa é a primeira série do grupo gravada remotamente ao ir ao ar no canal da TV. O Esporte Interativo tem realizado uma série de programas por videoconferências para as redes sociais. De acordo com Franzão, dirigir o formato de forma remota exige um alinhamento maior do que as decisões tomadas fisicamente, em que todos estão no set e é mais prático acertar pontos.

Outro ponto importante para a Turner e as produtoras foi trazer diversidade para a série, que inclui protagonista negro e uma personagem drag queen, e toca em temas que estão sendo discutidos atualmente de uma maneira mais leve e elaborada, diz Franzão.

Nova receita
Carenteners foi idealizada pela jornalista e produtora de conteúdo Aline Diniz, que deixou o cargo de editora no Omelete em janeiro de 2020, depois de nove anos na empresa. A série lança no mercado a produtora Huuro Entretenimento, uma sociedade entre ela, Érico Borgo, co-fundador do Omelete que deixou a empresa em março, e Laís Almeida, que também teve passagem pelo Omelete e ajudou a reformular a área de atendimento e de projetos especiais dentro do comercial da empresa de produção de conteúdo.

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A ideia de fundar a produtora veio depois da saída de Aline e Érico do Omelete, mas o projeto acelerou a iniciativa. “Trabalhamos nove anos juntos fazendo os eventos. Criamos uma relação de trabalho muito única e valiosa. Chegamos num momento muito parecido profissionalmente. Ficamos um mês conversando e já veio uma vontade de fazer algo juntos e eu falei que já era hora de ela deixar de ser minha funcionária e tava na hora de ela ser minha sócia”, diz Érico. Na empresa ainda há mais uma produtora que também passou pelo Omelete. “Nesse momento a gente começa a trazer aquelas pessoas favoritas que estavam trabalhando conosco ali e agora numa nova condição, que é muito legal de todos trabalhando juntos em sociedade”, complementa.

Aline conta que a ideia da série veio da nova realidade em que todas as relações sociais são mediadas por aparelhos digitais. No quesito relacionamento, aplicativos de relacionamento tem registrado uma alta no número de usuários e conversas mais profundas. “Nesse momento em que estamos fazendo tudo através de telas, como happy hours, eu pensei num episódio de Modern Family que se passa através das telas e eu pensei que seria muito legal se existisse uma série inteiramente assim e o Érico falou: então vamos fazer. Aí a gente começou a pensar nessa ideia e entramos em contato com a Bezerra Filmes — coprodutora da série — e o próximo passo foi falar com a Turner”, conta Aline, que é apresentadora do TNT. A ideia e negociação foi fechada no início de abril.

Denominada produtora criativa, a Huuro (“Tempestade” no linguajar élfico) visa conectar marcas com o universo do entretenimento e do ficcional, assuntos dos quais os sócios são especialistas. De forma geral, o propósito da Huuro não é ficar delimitada a formatos audiovisuais ou de experiências e trabalhar diferentes parcerias para cada projeto. Atualmente, além do Carenteners, a empresa já conta com 12 projetos em andamento. “Eu sempre tive a vontade de abraçar o mundo e fazer um pouco de tudo. Então, quando pensamos no próximos passos, percebemos que não precisávamos nos delimitar. Podemos emprestar tudo o que a gente já aprendeu trabalhando juntos ou uns com os outros e levar para as marcas ou parceiros”, afirma Aline.

“Nós reunimos uma experiência que é bem única, ao meu ver, que é entender esses universos de ficção em profundidade, saber entender o fã desses universos, o que o cara espera dessa relação. Às vezes, as marcas licenciam um universo, mas não acessa o universo de forma completa e esse é um lugar no qual a gente tá muito confortável em atuar, porque a gente entende muito a essência das coisas. A gente sabe como o fã pensa. A gente foi de fã a jornalistas e de jornalistas a produtores”, completa Borgo.

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