Chadwick Boseman: recorde no Twitter e marco no cinema

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Chadwick Boseman: recorde no Twitter e marco no cinema

Morte de intérprete do Pantera Negra atinge marca inédita nas redes sociais e deixa legado de representatividade e pluralidade no entretenimento

Bárbara Sacchitiello
31 de agosto de 2020 - 17h07

Nesse domingo, 30, o Twitter anunciou um novo recorde na história da plataforma. O post que anunciava o falecimento do ator Chadwick Boseman, feito na sexta-feira, 28, havia alcançado o recorde de postagem mais curtida da história da rede social. Na tarde desta segunda-feira, 31, já são mais de 7,4 milhões de curtidas no post, que mostra uma foto do ator junto com o texto, que anunciou a luta contra a doença e a morte do artista, cujo papel de maior destaque na carreira foi a interpretação do protagonista do filme Pantera Negra, da Marvel.

Mais do que a comoção pela perda precoce do jovem ator o recorde no Twitter também carrega outros aspectos que vão além da demonstração de tristeza dos fãs e de solidariedade à família. Ao interpretar o primeiro super-herói negro da Marvel nos cinemas (no filme Pantera Negra e nas demais produções do universo da Marvel) Chadwick acabou se tornando um símbolo da luta pela representatividade e inclusão na indústria do audiovisual.

“A importância dele para o cinema é incomensurável. Certamente o trabalho do Chadwick em prol da atualização das narrativas negras no cinema será ainda repercutido por muitos anos”, analisa Paulo Rogério Nunes, consultor em diversidade, autor do livro Oportunidades Invisíveis e cofundador da AFAR Ventures e da Vale do Dendê. Paulo Rogério apoiou, em parceria com a empresa Casé Fala, a pré-estreia oficial de Pantera Negra em uma sessão de cinema de Salvador, na Bahia, em fevereiro de 2018. “Recordo que, mesmo sendo em um período próximo ao carnaval, conseguimos lotar a sala de intelectuais, estudantes, pessoas de comunidades e foi possível notar a força que a narrativa despertou naquelas pessoas”, conta.

A empolgação da plateia seria repercutida em outras sessões mundo afora, tornando o filme da Marvel uma das maiores bilheterias da história do cinema nos Estados Unidos. Pantera Negra foi o único filme de super-herói a ser indicado à categoria máxima do Oscar – a estatueta de Melhor Filme. Não conquistou esse troféu, mas saiu da premiação com os títulos de Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora.

Entre as diversas mensagens de lamento e comoção pela morte do ator, de 43 anos, foram muitas as manifestações de pessoas que, cruzando os braços em frente ao peito, imitavam a saudação “Wakanda Forever”, dita pelos habitantes do fictício país Wakanda – e que, na visão de Paulo Rogério, passa a ganhar um significado que extravasa o cenário da cultura pop. “O símbolo ‘Wakanda Forever’ está sendo usado pelas pessoas em um contexto político. O Pantera Negra foi um divisor de águas que levou questões como afrofuturismo e representatividade para o mainstream. E o fato de o Chadwick ter feito esse trabalho tão debilitado, do ponto de vista pessoal, torna essa mensagem ainda mais forte”, acredita.

Na opinião do escritor e pesquisador, além dos recordes de bilheteria – e, agora, do marco na memória da carreira de Chadwick Boseman – Pantera Negra seguirá ditando a tendência de investimentos em narrativas mais plurais na indústria do cinema, sobretudo o empoderamento de jovens negros. “Essa é uma mensagem que veio para ficar”, resume.

Em homenagem à morte do ator, Pantera Negra será exibido pela primeira vez na TV aberta no Brasil. O filme é o destaque da Tela Quente, da Globo, na noite desta segunda-feira, 31. Antes da exibição do filme, o repórter e apresentador Manoel Soares, irá falar sobre a importância histórica do longa-metragem e da existência de um filme de super-herói protagonizado por um negro.

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