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Sexy Hot passa por rebranding e busca diversidade

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Sexy Hot passa por rebranding e busca diversidade

Diretora-geral do Grupo Playboy do Brasil, Cinthia Fajardo, fala sobre a mudança do canal que prepara seu primeiro filme LGBTQIAP+

Taís Farias
14 de maio de 2021 - 6h00

Nova identidade visual SexyHot (Crédito: Divulgação)

Nesta sexta-feira, 14, o Sexy Hot, canal adulto do Grupo Playboy do Brasil, apresenta uma nova identidade visual. Com uma proposta mais leve e moderna, a mudança busca uma aproximação com o público do canal. O redesenho, que inclui a grade de programação, plataformas digitais, logo e conceitos, também pretende materializar as mudanças que vem sendo desenvolvidas pela companhia. Com o selo Sexy Hot Produções, criado em 2017, o grupo vem buscando inserir naturalidade e diversidade em seu conteúdo.

Para estruturar a mudança de posicionamento, a companhia fez uma parceria com consultoria criativa-estratégica Brand Community que trouxe os insights para o rebranding. A agência VX Comunicação também auxiliou no processo e o novo design é assinado por Leon Vilhena e sua equipe.

As mudanças também acontecem do lado de fora do canal. Em agosto de 2020, Cinthia Fajardo assumiu como a primeira mulher à frente do Grupo Playboy do Brasil. Ao mesmo tempo, a discussão sobre o prazer feminino e as inúmeras falhas da indústria da pornografia ganham força entre as gerações mais jovens. Como símbolo dessa busca por mais diversidade, em junho, mês do orgulho LGBTQIAP+, o Sexy Hot lança seu primeiro filme com conteúdo gay e terá um especial voltado para o tema. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Cinthia Fajardo fala sobre a mudança e como o grupo vem encarando as necessárias transformações no universo do prazer.

Meio & Mensagem – O que a mudança de identidade visual representa nesse momento? Como chegaram a essa decisão?

Cinthia Fajardo – O Sexy Hot sempre foi uma marca focada em pornografia segura, de qualidade e que preza a inovação, em função de pesquisas com consumidores e das tendências atuais inerentes ao segmento, que vão desde a naturalização do sexo, passando pelo empoderamento e prazer feminino, diversidade de corpos e orientações sexuais, estava mais do que na hora de nos atualizarmos para a marca ficar mais moderna e diversa. Para isso, em 2020 tivemos a oportunidade de fazer um trabalho de brand motion com a Brand Community, uma consultoria criativa-estratégica cujo objetivo é auxiliar líderes e organizações a transformarem seus negócios. Diante de todos os insights que surgiram, chegamos nessa nova fase. Vivemos um momento de inclusão em nossos formatos e conteúdos, e precisamos pensar nos diversos consumidores que querem se identificar com a gente. Com nosso primeiro filme gay sendo lançado no mês que vem, queremos aos poucos nos aproximar do público LGBTQIAP+. Não é só sobre sexo, o propósito da nossa marca é sobre vida e prazer. Defendemos uma nova era para o pornô, acessível a todos, democrático e cada vez mais possível. Sem nunca nos esquecermos do público masculino hétero, que ainda é a nossa maioria, estamos prontos para inspirar e proporcionar prazer seguro, sem culpa e mais inclusivo.

 

Cinthia Fajardo (Crédito: Carlos Fernando)

Meio & Mensagem – Em junho, Sexy Hot publica seu primeiro filme com conteúdo gay. Como a companhia vem trabalhando para incluir o público LBGTQIAP+ em suas produções e reduzir a falta de representatividade?

Cinthia Fajardo – Estamos há mais de 20 anos no mercado disponibilizando conteúdo heterossexual, mas o mundo se transforma e a gente precisa acompanhar essas evoluções. Temos um público hétero cativo, e aos poucos queremos nos aproximar de um público diverso, de todos. Em junho, mês do orgulho LGBTQPI+, além de lançarmos o nosso primeiro filme gay do Sexy Hot Produções, também teremos um especial de programação voltado para a diversidade. Agora que abrimos as portas para esses novos consumidores, com o tempo vamos produzindo mais conteúdos que gerem essa identificação. Independente da orientação sexual e do gênero, os adultos que se interessam pela nossa marca querem consumir um pornô de qualidade, seguro e consensual. Diante disso, sempre estimulamos esse tipo de padrão e responsabilidade na indústria.

Meio & Mensagem –  Ao mesmo tempo, que esforços Sexy Hot vêm desenvolvendo para incluir as mulheres e o prazer feminino no seu conteúdo? Como você avalia o avanço da companhia nesse tema?

Cinthia Fajardo – Hoje as nossas pesquisas nos mostram que as mulheres não consomem pornografia com a mesma frequência e intensidade que os homens, porém veem a pornografia como algo mais funcional, para excitar, acalorar a preliminar e aprender coisas novas. Diante disso, demos vários passos em direção ao público feminino. Através do nosso selo Sexy Hot Produções, conseguimos garantir um ambiente seguro e profissional, com a certeza de que todo o material captado foi feito com consentimento dos presentes, atestados de saúde e conforto das atrizes. Sob o ponto de vista feminino, por exemplo, trabalhamos com produtoras reconhecidas no mercado nacional, algumas com mulheres na equipe, incluindo direção, câmera e produção. São elas que comandam a história, há uma preocupação maior com o aspecto artístico e isso inclui os ângulos de filmagem, entre outros detalhes. Tudo isso diz respeito não só à valorização da mulher em cena, mas também ao olhar feminino nos bastidores. Nossa equipe é feminina na sua maioria, como dito antes, consideramos esse um caminho sem volta e queremos não só acompanhar a evolução feminina, mas dar suporte a ela. No nosso caso, sem deixar de considerar nosso público masculino fiel. É uma jornada inclusiva e coletiva para nós do Sexy Hot.

Meio & Mensagem –  Nos últimos tempos, o pornô vem sendo muito discutido e questionado pela maneira como retrata o prazer e sobre as falhas de uma parte do mercado. Como Sexy Hot tem se envolvido nessa discussão? Como se posiciona frente a essa questão?

Cinthia Fajardo – Produzir filmes com enredos criativos, que fujam do clichê do pornô – inclusive no biotipo das atrizes e atores – e busque a diversidade e um sexo mais real, é o nosso objetivo. Foi nesse cenário que lançamos o selo Sexy Hot Produções, há 4 anos, para incentivar a produção nacional e valorizar justamente a qualidade dos filmes, acreditamos nisso e desenvolvemos esse caminho desde então. Em todos os nossos filmes o uso de preservativo é obrigatório, ficamos atentos ao elenco, principalmente às atrizes. Esses cuidados acabam passando, de forma implícita e natural, uma mensagem educativa, que ressignifica aquele pornô clássico. Uma conquista importante, por exemplo, é que ano passado iniciamos a adaptação dos filmes do Sexy Hot Produções para deficientes visuais e auditivos. Nosso objetivo é adaptar todo o acervo do selo. Outro exemplo, é que já disponibilizamos conteúdos trans no site e queremos fazer com que o elenco e as histórias estejam cada vez mais diversas. Estamos sempre selecionando conteúdos variados para os nossos assinantes e de diversas formas, através de curadoria do canal e de pesquisas com consumidores de pornô.

Meio & Mensagem –  Como Sexy Hot vem buscando inovar em seus formatos e relações comerciais? O que tem sido feito?

Cinthia Fajardo – Ao olharmos a linha do tempo, percebemos que a pornografia evoluiu principalmente em relação à acesso, disseminação e aceitação. Essa evolução está relacionada às mudanças de contexto e novos comportamentos, e também com a proliferação de diferentes devices e formatos de produção. Todo mês, através do Sexy Hot Produções, estreamos filmes com novos formatos e histórias, levando em consideração as preferências do público de pornografia no Brasil e as tendências atuais. No início do ano, anunciamos o lançamento de conteúdos mais diversos. No total são 12 longas-metragens, 12 curtas-metragens, séries e pílulas de menor duração ao longo do ano. Além disso, acompanhando a tendência de sexo virtual e exibições em frente às câmeras, ano passado, o sexyhot.com.br estreou o novo recurso de lives, aprimorou o recurso de busca para melhorar a rapidez do usuário e maior fluidez no direcionamento das páginas acessadas pelos assinantes. Outra novidade, pontual, que trouxemos esse ano foi sobre a projeção de realidade aumentada. No primeiro filme do Sexy Hot Produções, levamos o elenco para o quarto ou para onde os consumidores quiseram, através da tecnologia 3D, usando a câmera do smartphone. O canal entregou, gratuitamente, aos consumidores uma nova forma de interação com o conteúdo, através de uma experiência divertida e picante. Em breve, no sexyhot.com.br, teremos novas formas de assinatura, além de outras novidades, reforçando o nosso compromisso em busca de melhorar a experiência para cada momento.

*Crédito da foto no topo: Ajwad Creative/iStock

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