Como o 5G pode transformar os games?

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Como o 5G pode transformar os games?

Tecnologia de quinta geração deve popularizar ainda mais a modalidade, com jogos na nuvem, mas vai exigir avanço dos dispositivos móveis

Taís Farias
16 de dezembro de 2021 - 6h05

(Crédito: Dean Drobot/shutterstock)

Em 2020, a pesquisa “O mercado de games no digital”, da Comscore, apontou que o Brasil conta com 84 milhões de usuários de games. O número representa quase 70% da população online. Ainda segundo o estudo, deste público, 64,3 milhões jogam apenas por dispositivos móveis; 8,4 milhões acessam por mais de uma plataforma e 11,6 milhões se conectam apenas pelo desktop. Os jogadores também estão mais dispostos a consumir no meio gamer. Em janeiro, a Visa divulgou um levantamento sobre o aumento das transações financeiras nas plataformas e consoles. O crescimento foi de 140% no ano de 2020, na comparação com 2019. Também foi registrado um avanço de 105% na quantidade de cartões realizando compras de jogos ou extensões.

Em paralelo, uma outra transformação tecnológica avança. Trata-se do 5G, a rede de quinta geração, sucessora do 4G. Com maior velocidade e baixa latência, a tecnologia promete uma cobertura mais ampla, maiores transferências de dados e conexões simultâneas. No mês passado, Claro, Vivo e Tim arremataram os três lotes na faixa do 3,5 GHz, faixa principal do leilão do 5G realizado pela Anatel ( Agência Nacional de Telecomunicações).

Mas, o que a chegada da tecnologia 5G pode significar para o universo dos games? Para Cynthya Rodrigues, business development director da PMP.BID no Brasil, empresa de mídia programática e games do Grupo Logan, uma das principais consequências será a democratização do acesso aos games com o conceito de cloud gaming. Nele, os jogos ficam na nuvem e os usuários não precisam ter um console ou celular com processamento de última geração para acessar os games. Serviços como Xbox Cloud ou PS Remote dão sinais disso.

Alan Hassel, diretor de Consumer Electronics da Vivo, enxerga a conexão entre games e 5G como um ciclo virtuoso e acredita que o segmento será capaz de impulsionar a tecnologia de quinta geração. “Para o 5G, o gaming tem sido a base de um modelo direct-to-consumer para lançar a tecnologia de uma forma massiva. Dessa forma, assim como a chegada do 3G nos trouxe o streaming de música e o 4G nos possibilitou streaming de vídeo e outros modelos de entretenimento, o Gaming e Streaming de Jogos são o segmento ideal para potencializar a mudança de rede de 4G para 5G”, aponta o executivo.

Desafios e metaverso

Para que esse potencial seja alcançado, há um consenso de que ainda é preciso avançar na penetração e popularização do 5G, especialmente, fora dos grandes centros urbanos. “Ainda falta infraestrutura para que o 5G esteja à disposição de todos e possa popularizar todas as novas oportunidades que vem junto com nova tecnologia”, ressalta Francesco Simeone, CGO do Grupo Logan.

Uma vez com acesso ao 5G, os aparelhos também vão precisar se desenvolver. Em março do ano passado, um estudo da Redmi apontou que os telefones 5G consomem aproximadamente 20% mais bateria do que um telefone 4G. “Isso nos leva a entender que seria necessário um aumento de 20% no tamanho da bateria para que um telefone 5G atinja a mesma duração que um telefone conectado apenas a tecnologia 4G. Com a limitação na bateria, ainda que seja possível baixar e jogar grandes games com tamanha rapidez e sem latência na rua ou onde quer que esteja o usuário, ainda serão necessários alguns cuidados como economia de energia ou até normalizar o uso do power bank como acessório obrigatório”, explica Cynthya.

O avanço do 5G também pode ajudar a viabilizar a construção do metaverso. Por exigir uma série de conexões simultâneas, essa plataforma hiper conectada seria beneficiada pela tecnologia de quinta geração. “O 5G é um elemento fundamental para isso, a quantidade de dados necessária, para que um mundo de realidade aumentada ou virtual possa acontecer na frente dos nossos olhos de forma realmente imersiva, é imensa. Por isso poder contar com uma rede de quinta geração é uma conditio sine qua non. Mas a evolução do metaverso está relacionada também à infraestrutura de apoio hardware que permite o acesso ao 5G e então ao mesmo universo integrado”, aponta o CGO do Grupo Logan.

*Crédito da foto no topo: KateStudio/shutterstock

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