As tendências que moldarão o consumo este ano
Análise da Worldpanel by Numerator relaciona hábitos de compra e oportunidades para o mercado, enfatizando dez pontos de atenção

Em meio à crise de saúde mental, cuidar do bem-estar é tendência em 2026 (Crédito: Shutterstock)
Em meio a um cenário econômico que ainda exige cautela, mas já oferece sinais de reorganização do poder de compra e de novas prioridades de consumo, 2026 se desenha como um ano decisivo para as marcas que atuam no mercado brasileiro de bens massivos.
A combinação entre mudanças demográficas, como novos arranjos familiares, por exemplo, maior pressão por bem-estar, reorganização dos orçamentos das famílias e um consumidor cada vez mais fragmentado entre canais impõe às empresas o desafio de ir além da leitura conjuntural e encarar transformações estruturais.
Levantamento da Worldpanel by Numerator aponta dez tendências que ajudam a decodificar como o brasileiro vai consumir em 2026 — e, sobretudo, onde estão as oportunidades para quem souber transformar dados em estratégia, relevância e crescimento em um ambiente marcado por complexidade, seletividade e expectativas mais altas em relação ao papel das marcas no cotidiano.
“Em 2026, crescerá quem transformar complexidade em estratégia – e estratégia em execução inteligente. Cada tendência apontada vai além de um indicador: é uma oportunidade concreta para inovar, reposicionar, revisar portfólio e gerar valor em diferentes frentes”, pontua, em nota, Luisa Teruya, gerente de marketing da Worldpanel by Numerator.
Confira a seguir as dez tendências destacadas pela consultoria:
1. Estabilidade com novas dinâmica
O setor de bens massivos de consumo deve registrar volume praticamente estável (-0,2%) em 2026, apesar do aumento da renda disponível com a nova tabela do Imposto de Renda, que isenta contribuintes com rendimento de até R$ 5 mil. Mudanças comportamentais, como maior frequência de visitas ao ponto de venda (+12,8%) e menor número de itens por compra (-10,4%), reforçam a necessidade de adaptação das marcas.
2. Menos crianças, mais longevidade – e filhos de quatro patas
O País vive uma transformação nas composições familiares. Sêniores concentram 16% do gasto em bens massivos de consumo, com crescimento de 9% – acima dos 5% nos demais domicílios. Lares com apenas um filho representam 32% do faturamento da cesta, enquanto a presença de pets ganha relevância, uma vez que casais sem filhos respondem por 41% do mercado de alimentos para animais, com gasto médio 10% acima da média.
3. Qualidade de vida como novo status
Licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68% entre 2023 e 2025. Com isso, saúde mental, equilíbrio e rotina sustentável passam a guiar decisões de compra. Em 2026, produtos que entreguem bem-estar físico e mental, com propósito e benefício real, tornam-se diferenciais competitivos.
4. Entre saudabilidade e pós-uso de GLP-1
Enquanto 46% dos consumidores buscam reduzir o açúcar, a utilização de GLP-1 altera hábitos, minando o tamanho das porções. Antes das “canetas emagrecedoras”, os brasileiros não usuários consumiam 44% mais alimentos; após iniciarem ou considerarem a utilização desses produtos, essa diferença caiu para 20%. A oportunidade está em escalar produtos saudáveis acessíveis ao mesmo tempo em que se desenvolvem linhas premium com nutrição essencial e porções inteligentes.
5. Funcionalidade, socialização e indulgência consciente
Produtos funcionais, bebidas sem ou com baixo teor alcoólico e indulgências premium crescem impulsionados por benefícios tangíveis. Bebidas proteicas, com penetração de 5% em 2023 para 13% em 2025, e cervejas 0% álcool, de 10% para 15%, evidenciam a demanda por conveniência, prazer sem culpa e funcionalidade.
6. Autocuidado como rotina essencial
O autocuidado deixou de ser luxo e se tornou hábito. Prova disso é que os perfumes cresceram 15% em consumo, impulsionados pelas classes D e E. Isso sem contar que os brasileiros passaram a usar, em média, seis categorias de Higiene & Beleza por semana. Produtos premium, embalagens maiores e kits temáticos ampliam frequência e tíquete médio, consolidando o consumo diário.
7. Limpeza sofisticada
Produtos para o lar evoluem para proporcionar praticidade e bem-estar. Limpadores perfumados, multiusos e soluções concentradas substituem receitas caseiras e já alcançam 93% dos lares brasileiros – avanço de 4 pontos percentuais em um ano –, refletindo a busca por eficiência e experiência positiva na limpeza.
8. Mais que multicanal
O consumidor brasileiro navega por oito canais em média e faz 24 compras de abastecimento por ano. No e-commerce de bens de consumo massivo como um todo, os pedidos online crescem 13,8%, impulsionados pelo social commerce – 2 em cada 5 compras são feitas via WhatsApp. Já no segmento de delivery de alimentos e bebidas, a frequência mensal é alta, com penetração de 77%, e o tíquete médio chega a ser quase três vezes maior do que nos canais não digitais. Essa fragmentação exige integração dos serviços e experiências diferenciadas por parte das marcas.
9. Presentes sazonais
Celebrações como Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados impulsionam categorias tradicionais e oferecem oportunidade para kits temáticos, ampliando relevância ao longo do ano. Nesse sentido, mais de 60% dos brasileiros receberam produtos das categorias Higiene & Beleza e chocolates como presentes.
10. Paixão pelo esporte
O futebol segue movimentando hábitos e consumo. Durante a Copa do Mundo 2026, o tíquete médio deve crescer 12%, impactando snacks, bebidas e conveniência. Já as apostas esportivas, presentes em 50% dos lares, ampliam oportunidades de engajamento e experiências de consumo ligadas à emoção do torcedor.