Regulação das bets: 25 mil sites bloqueados e receita de R$ 37 bi
Combate à publicidade ilegal nas redes sociais removeu 324 perfis de influencers e 229 publicações em 2025

324 perfis de influencers e 229 publicações com publicidade ilegal foram tirados do ar nas redes sociais ao longo de 2025 (Dmytro Poleshko/Shutterstock)
O mercado regulado de apostas de quota fixa, as populares bets, registrou receita bruta total de R$ 37 bilhões no acumulado do primeiro ano. O montante, referente ao Gross Gaming Revenue (GGR), exclui os valores de prêmios pagos. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) nesta semana.
As 79 bets autorizadas a operar no País reportaram que 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas ao longo de 2025. Desse total, 68,3% são homens e 31,7%, mulheres. O maior número de apostadores (28,6%) tem entre 31 e 40 anos. Os que têm de 18 a 24 anos somam 22,7%. O percentual se repete entre as pessoas de 25 a 30 anos. O público de 41 a 50 anos representa 16,7% do total de apostadores.
Já a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu mais de 217 mil pedidos de autobloqueio de todos os sites de apostas autorizados em 40 dias de funcionamento. O motivo mais frequente (37%) foi “Perda de controle sobre o jogo – saúde mental”, seguido por “Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas” (25%). A maioria das autoexclusões (73%) é de período indeterminado, e 19% são pedidos de autobloqueio por um ano.
Impacto das bets na mídia e no futebol
O setor de bets tem crescido em relevância para o mercado publicitário brasileiro. Apenas em 2025, as empresas do segmento aplicaram R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming. Os dados são do relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela Tunad.
As marcas também estão muito presentes no cenário do patrocínio esportivo. Por exemplo, todos os 20 times que disputaram a Série A do Brasileirão em 2025 exibiram um marca de bet em seus uniformes. Das 164 marcas que apareceram nas camisas dos times na temporada passada, 18 eram bets – recorde do setor. Os dados são do Mapa do Patrocínio de uniformes de futebol no Brasil, realizado pelo Ibope Repucom.
Arrecadação de impostos
Ainda segundo o balanço da SPA-MF, as empresas de apostas recolheram cerca de R$ 8,8 bilhões de janeiro a novembro de 2025 em pagamento de impostos. O dado abrange valores arrecadados pela Receita Federal, incluindo tributos federais como o IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e Contribuição Previdenciária, além dos 12% das destinações legais previstas, que totalizaram R$ 4,5 bilhões.
Também foram arrecadados R$ 2,5 bilhões com as outorgas de autorização pagas pelos agentes operadores autorizados e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização, também pagas pelas empresas do setor.
Sites piratas e publicidade ilegal
A SPA-MF registrou mais de 25 mil sites ilegais bloqueados em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Já a Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização d SPA registrou, no ano passado, 132 processos envolvendo 133 bets. Desses processos, 80 estão em trâmite para aplicação de penalidades.
Para inviabilizar as transações financeiras das empresas ilegais, o Ministério da Fazenda também deu continuidade ao monitoramento e fiscalização das instituições financeiras (IFs) e de pagamento (IPs). Até o fim de 2025, 54 IFs e IPs realizaram 1.255 comunicações à SPA relacionadas a 1.687 pessoas com indícios de efetuar transferências de recursos para empresas de apostas não autorizadas. Como resultado, foi informado o encerramento de 550 contas bancárias, sendo 265 já identificadas como ilegais.
Já no combate à publicidade ilegal nas redes sociais, foram concluídos 412 processos de fiscalização contra influenciadores digitais, tendo como resultado a remoção de 324 perfis de influencers e 229 publicações.
O trabalho foi realizado em cooperação com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e o Conselho Digital do Brasil. A entidade reúne empresas de tecnologia, como Google, Meta, Uber, TikTok, Kwai e Hotmart.

