Combate às fake e deepfakes: como veículos lidarão com isso?
Em ano eleitoral, fake news baseadas em IA e deep learning, extremamente realistas, devem se intensificar
Fake news? Não, agora serão as deepfakes. Nas últimas eleições brasileiras e norte-americanas, as fake news, ou notícias e informações falsas, dominaram debates, redes sociais e narrativas em toda a internet.
Agora, neste ano eleitoral, quando mais de 150 milhões de brasileiros votarão para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais, os veículos têm que redobrar a atenção para separar o joio do trigo, ou o fato do fake porque as fake news, com a inteligência artificial (IA) evoluíram para deepfakes.
Meio & Mensagem procurou veículos como UOL, Estadão e Veja, entre outros, que não puderam ou não quiseram detalhar como trabalharão no combate às deepfakes.
Fake news e atuação do g1
O portal g1, da Globo, disse, em nota, que começou a verificar conteúdos em 2017, com a seção “É ou não É”, e, em 2018, passou a integrar o projeto Fato ou Fake com os demais veículos: TV Globo, GloboNews, O Globo, Extra, Valor e CBN.
“Desde então, já foram realizadas mais de seis mil checagens, reiterando ano após ano o empenho do g1 com a precisão, o rigor e a responsabilidade editorial. O projeto na TV, iniciado no final de 2024, também foi ampliado. Os telejornais de rede e locais da Globo e de suas afiliadas, além da GloboNews e do programa Mais Você, contam com um quadro especial do Fato ou Fake, no qual temas que ganharam repercussão nas redes sociais são analisados e verificados pela equipe do projeto”, relata a nota da Globo.
Assim, no ano passado, o portal da Globo ampliou a equipe, ante o aumento de conteúdos manipulados, especialmente com o avanço da tecnologia e, mais especificamente, da inteligência artificial (IA) e passou a investir continuamente em novas ferramentas de verificação, incluindo sistemas de análise de voz, fotos e vídeos produzidos artificialmente.
“Durante o período eleitoral, quando o volume de conteúdos duvidosos aumenta e a sociedade depende ainda mais de informação clara e confiável, esse trabalho se intensifica. Este ano, a equipe está sendo reforçada para atuar tanto na verificação de conteúdos que viralizam nas redes sociais quanto na checagem de declarações feitas por candidatos em entrevistas e debates, muitas vezes em tempo real”, diz o comunicado.
As iniciativas do Poder360
Já o jornal digital Poder360 detalhou, por meio do COO Guilherme Alpendre, como deve agir neste ano em relação ao processo eleitoral.
Meio & Mensagem – Como o Poder360 se estrutura este ano para o combate às fake news?Guilherme Alpendre – O Poder360 combate as fake news com jornalismo profissional em tempo integral, uma equipe especializada dedicada exclusivamente à cobertura dos assuntos do poder, com base em Brasília, e foco permanente na apuração rigorosa dos fatos.
O veículo mantém o maior time dedicado a esse tipo de cobertura na capital, com mais de 100 jornalistas, o que permite checagem mais rápida, leitura contextualizada de declarações e acompanhamento contínuo de narrativas políticas — algo essencial em períodos eleitorais.
Como mediatech, o Poder360 também investe em tecnologia.
A redação vem ampliando o uso de ferramentas de IA para apoiar a análise de dados e documentos, sempre com supervisão humana e decisão editorial jornalística.
M&M – Com a evolução da IA, que é um elemento potente para a criação de vídeos falsos, por exemplo, que tecnologias o Poder360 deve usar para verificar a veracidade ou não desse conteúdo?
Alpendre – O Poder360 utiliza ferramentas baseadas em IA para apoiar a verificação de conteúdos potencialmente manipulados, especialmente vídeos, áudios e imagens que circulam em contextos sensíveis, como períodos eleitorais.
Essas tecnologias ajudam a fazer uma triagem rápida de materiais suspeitos, mas não substituem o trabalho humano.
A decisão final é sempre jornalística: analisar, contextualizar, checar com fontes e verificar novamente. A combinação entre tecnologia e apuração rigorosa é o que garante a confiabilidade do processo.
Tempo real
M&M – Outro problema das fake news é a possibilidade de fazer verificação em tempo real, como nos debates, por exemplo. Que mecanismos o Poder360 deve usar na eventual mediação de debates para coibir a prática de divulgação de informações incorretas ou duvidosas pelos candidatos?
Alpendre – A checagem de fatos é parte permanente do trabalho do Poder360, especialmente em contextos eleitorais. O veículo, no entanto, não atua diretamente em debates ou transmissões ao vivo. Durante esses eventos, a equipe acompanha as falas em tempo real e realiza a verificação jornalística logo após as declarações, com base em dados oficiais, registros públicos e fontes confiáveis.
Quando há informações incorretas, incompletas ou enganosas, o Poder360 publica rapidamente análises, reportagens explicativas e correções, oferecendo contexto ao leitor.
Esse modelo preserva o papel do jornalismo: informar com precisão, corrigir erros e dar contexto, sem intervir diretamente no discurso dos candidatos.
O foco é garantir que o público tenha acesso rápido a informações verificadas e compreenda o que é factual e o que é incorreto ou duvidoso. Esta é a missão do Poder360: aperfeiçoar a democracia ao apurar a verdade dos fatos para informar e inspirar.
Critérios
M&M – Além da barreira tecnológica, que critérios são definidos para coibir a propagação de notícias falsas que, muitas vezes, “clonam” veículos tradicionais para ter roupagem de legitimidade e disseminar narrativas inventadas?
Alpendre – Além das barreiras tecnológicas, o combate à desinformação passa por critérios editoriais, jurídicos e de transparência que ajudam o leitor a diferenciar jornalismo profissional de conteúdos que apenas imitam sua forma para parecerem legítimos. No caso do Poder360, esses critérios estão formalizados em documentos públicos — como a política editorial, o código de conduta e a política de compliance — que definem como a informação é apurada, publicada, identificada e, quando necessário, corrigida. Esse conjunto de regras cria um padrão claro de responsabilidade editorial e facilita a distinção entre conteúdo jornalístico autêntico e narrativas fabricadas.
Todo o material publicado pelo Poder360 traz autoria, data, contexto e responsabilidade editorial, elementos que dificultam a manipulação, a descontextualização ou o uso indevido fora do ambiente original. Quando há tentativa de clonagem, reprodução fraudulenta ou uso indevido da marca, o veículo adota medidas formais, incluindo pedidos de remoção e ações legais, para proteger a integridade do conteúdo e do leitor.