O que está por trás dos novos layoffs de big techs?

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O que está por trás dos novos layoffs de big techs?

Nova onda de demissões de empresas de tecnologia são reflexo de cenário macroeconômico, reorganização de estruturas e foco em inovação


6 de fevereiro de 2024 - 6h00

Como um déjà-vu do ano de 2023, empresas de tecnologia voltaram a anunciar layoffs no início deste ano. Grandes nomes do mercado como Microsoft, Meta, Amazon e Google realizaram novas rodadas de demissões indicando um novo capítulo para o cenário das big techs nos últimos anos.

layoffs

(Crédito: Tada Images/adobestock)

De acordo com informações da Layoffs.fyi, mais de mil empresas do segmento cortaram mais de 260 mil postos de trabalho no ano passado. Já no primeiro mês de 2024, o rastreador indicou a demissão de cerca de 29 mil colaboradores – o pior mês desde março de 2023.

Para entender o que está por trás das demissões, é preciso dar alguns passos em direção ao passado, conforme explica Maria Sartori, diretora associada da Robert Half. “Há um background histórico. No pré-pandemia, houve um movimento de recebimento de investimento muito alto e isso fez com que elas [as big techs] colocassem muito dinheiro na operação e contratassem muita gente”, diz.

Alguns meses depois, com mais pessoas em casa devido ao isolamento social, a necessidade de fornecer assistência e diversos serviços por meio da tecnologia fez com que as companhias crescessem em pessoal. As principais empresas de tecnologia do mercado criaram, juntas, mais de 900 mil postos de trabalho.

Um exemplo é o Zoom. Anteriormente, no início da pandemia, a organização contava com cerca de 2.400 funcionários. Em 2021, o número saltou para mais de 5.700. No ano passado, anunciou que iria cortar 1.300 empregos. Companhias de outros segmentos também tiveram layoffs, como é o caso da SAP, Paypal, Discord, e outras.

Economia

O cenário macroeconômico global entra, então, como um incentivo para as reduções. “Existe movimento de reestruturação, otimização de custos e existe também um ambiente econômico não favorável, uma vez que as taxas de juros seguem altas. Nos Estados Unidos, continuam em um patamar mais alto e isso faz com que o dinheiro não flua para investimentos do tipo”, explica a executiva da Robert Half.

Ela reitera que os layoffs não tem ligação com uma espécie de calendário de recursos humanos, mas credita os cortes à economia. Além disso, André Miceli, professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica que o cenário das big techs dita os mesmos movimentos para empresas de médio e pequeno porte.

Impacto da IA

“Durante a pandemia, houve uma onda de contratações e as empresas incharam. Muitas delas seguem reajustando suas forças de trabalho e recursos. O mercado inteiro está investindo em inteligência artificial e as áreas de operação que ficaram infladas durante a pandemia acabam sofrendo as consequências disso”, afirma o professor.

Com a corrida pela IA, há uma questão de direcionamento de investimentos. Se por um lado a Microsoft cortou 1.900 empregos na divisão de games, por outro tem investido grandes quantias na OpenAI e intensificando seu capital em estruturas que possibilitem a implantação da IA em larga escala e indicando sua prioridade estratégica.

Ainda que a tecnologia em si não esteja acabando com postos de trabalho, a evolução da IA tem gerado uma migração para novas oportunidades. Maria Sartori, da Robert Half, revela que houve uma busca por desenvolvedores e outras especializações em áreas emergentes, como a de ciber segurança que tem sido uma demanda crescente para empresas de tecnologia.

Resposta do mercado

Para o mercado, há um indicativo positivo sobre as reestruturações. Uma reportagem do The New York Times mostra que, juntas, Alphabet , Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla representam 29% do valor de mercado do Standard & Poor’s 500. O índice que mensura o desempenho das 500 maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos. O comitê considera critérios como capitalização de mercado, liquidez, segmento de atuação e outros.

Individualmente, os resultados também são favoráveis. A Meta bateu o recorde de US$ 40,1 bilhões no quarto trimestre do ano passado. Enquanto isso, as ações da Microsoft registraram alta de 75% nos Estados Unidos desde 2021. Já a Alphabet anunciou um aumento de 9% em sua receita no ano a ano. Em 2023, a controladora do Google arrecadou US$ 307 bilhões em receita.

Miceli alega que, no ano passado, as empresas buscavam pela eficiência. Assim, passaram por um período de ajuste a fim de mostrar para o mercado a parcimônia com custos e capacidade de gerar estabilidade financeira em um período de alta incerteza. “Agora o foco mudou para inovação. As empresas precisam ser enxutas o suficiente para investir em novas tecnologias em termos de custo”, comenta. “Então, essas operações enxutas evidentemente costumam ser um um belo recado para o mercado financeiro, que acaba guiando boa parte dessa tomada de decisão”.

De layoffs à marca empregadora

As big techs já vem passando há algum tempo por uma crise reputacional, devido a questões envolvendo privacidade, segurança de usuários, entre outros. A executiva da Robert Half indica que, como marca empregadora, as big techs não têm mais tanto apelo por parte de candidatos como ocorria há alguns anos. Contudo, as grandes empresas do mercado ainda têm um papel relevante na formação de profissionais.

A atração de novos candidatos – sobretudo os da geração Z – se relaciona hoje com o modelo de trabalho híbrido. Segundo a profissional, tais modelos têm sido critérios importantes para candidatos no momento da consideração de uma oferta de emprego. Neste sentido, deverão receber mais destaque empresas que seguem o padrão de trabalho de empresas menores. É o caso de trabalhos por projetos, que tem se mostrado mais interessantes do que a criação de carreira em uma única corporação.

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