MWC

“Quando for hora de fazer a mudança, faça”, diz CEO da AT&T

John Stankey, CEO da AT&T, comenta sobre 5G, redes híbridas e inteligência artificial

i 3 de março de 2026 - 5h57

John Stankley

John Stankey, CEO da AT&T (Crédito: Reprodução)

Após oito anos, o CEO da AT&T, John Stankey, volta ao palco do Mobile World Congress (MWC). E seu retorno foi marcado por uma coincidência interessante: no dia 10 de março completam-se 150 anos desde a primeira chamada telefônica da história, realizada por Alexander Graham Bell, que anos depois seria um dos fundadores da American Telephone and Telegraph (AT&T).

Stankey refletiu sobre a evolução da companhia desde o Sistema Bell, monopólio dominante de telefonia nos Estados Unidos – controlado pela companhia até sua dissolução, em 1984, em um acordo com o governo da época – até os dias de hoje.

“A lição importante é não se acomodar em uma única coisa por muito tempo. Quando for a hora de fazer a mudança, faça. E acredito que estamos em um desses momentos na indústria agora”, comentou o CEO da AT&T.

O executivo também comentou sobre o mercado de telecomunicações no geral. Para ele, quando se trata de conectividade 5G, o mercado estadunidense já superou a parte mais difícil e agora se encontra em um ponto de virada. A tecnologia tem sido usada de forma eficaz, por exemplo, para abrir novos mercados para coisas simples, como o de banda larga fixa. Em sua visão, a ascensão do 5G standalone (SA) também tem possibilitado ganhos drásticos de eficiência para setores corporativos como o fabril e instalações esportivos.

Diferente do que pode-se imaginar, Stankey nunca imaginou essa indústria como sendo rede fixa ou móvel, mas como redes densas de fibra, com diferentes tecnologias conectadas à fibra. “Estamos vendo isso acontecer agora”, pontuou.

Isso porque para o cliente, existe apenas uma internet. “Eles não querem comprá-la várias vezes, eles querem um único relacionamento. Querem entrar na internet e usá-la”, destacou o executivo. Ou seja, para atender essa expectativa do consumidor, é preciso operar múltiplas tecnologias de acesso a partir dessa densa infraestrutura de fibra. “Essa é a próxima onda, pelo menos nos Estados Unidos”.

Para Stankey, nesse futuro, quem pegar redes híbridas, uni-las e trazê-las como uma só para o cliente em um plano simples que eles possam comprar e entender o que estão recebendo, ou seja, com conectividade onipresente e consistente, com confiabilidade e confiança, se sairá bem nos mercados. “Se você constrói uma rede de alto desempenho e consegue fazê-lo com o menor custo marginal, geralmente as coisas dão muito certo para você nas telecomunicações”, complementou.

A nova fronteira da “micro-precificação”

Atualmente, a inteligência artificial, assim como em muitas empresas e setores, tem tido um desempenho crucial na operação da AT&T. Segundo Stankey, ela está no centro de como a companhia opera e protege sua rede para proporcionar vantagem competitiva e ganhos de eficiência.

“Todos estamos operando nossos call centers com mais eficiência usando IA, obtendo melhores respostas de nossos clientes devido às opções que oferecemos a eles. Estamos todos escrevendo mais código de forma mais rápida e, no nosso caso, estamos chegando a quase 40% de melhoria em eficiência e eficácia”, revelou, destacando que isso não é apenas eficiente, mas permite que a AT&T coloque mais projetos online do que jamais foi capaz antes, agregando valor ao negócio.

Para Stankey, o próximo passo é como fazer algo que dê a empresa vantagem estratégica: “Primeiro, você precisa garantir que suas redes sejam abertas para que possa realmente plugar esse tipo de lógica e começar a agir. Estamos trabalhando muito duro tanto no nosso núcleo de pacotes quanto no que estamos fazendo em nossa rede sem fio para permitir que isso aconteça e, então, você precisa começar a construir as aplicações. Estamos no início”, complementou.

Atualmente, a companhia está começando a ver sinais promissores em áreas como a forma como gerencia dinamicamente a rede sem fio para responder a cargas e tráfego, e o que fez para permitir que a IA realinhe antenas dinamicamente e mova a capacidade para diferentes áreas.

Ele também introduziu o conceito de “micro-precificação”, que utiliza dados específicos de localização e concorrência para ajustar ofertas em tempo real. “Essa é uma vantagem que, sabe, provavelmente você não perde para a concorrência se fizer direito”, afirmou, explicando que essa lógica permite à empresa competir em mercados onde anteriormente não teria presença.

Stankey ainda comentou sobre tecnologia de satélite “direto para o dispositivo” (direct to device), uma das notícias da segunda-feira,2, no MWC. Para ele, esse “será um daqueles grandes momentos de inovação para o consumidor, para as empresas e para a indústria”. No entanto, defendeu a coexistência de múltiplas constelações de satélites para garantir que as empresas de telecomunicações mantenham seu papel central junto aos clientes.

“A corrida começou agora para ser o melhor em operar uma rede híbrida para trazer essa próxima camada de conectividade e fazê-lo de uma forma que o cliente nem precise pensar nisso”, frisou.

Reinvestindo nos EUA

Ao ser questionado sobre uma possível expansão para a Europa, Stankey afirmou que alguns fatores políticos e de dinâmica de mercado tornam a indústria dos Estados Unidos mais atraente do que a europeia no momento. “É um caminho longo para responder à sua pergunta e dizer que cada dólar que tenho agora, colocá-lo de volta no mercado dos EUA é minha primeira escolha porque é um modelo muito atraente”.

Por fim, ao projetar o futuro tecnológico e geopolítico, o executivo argumentou que a indústria de telecom deve se tornar um pouco menos focada em hardware e mais focada em software daqui para frente.

“O software é tão flexível hoje, então acho que uma das coisas que precisamos pensar é no que o cliente quer. Não acho que eles estejam pedindo por uma substituição de infraestrutura, o que eles estão pedindo é por mais recursos e capacidades, muitos dos quais podem ser feitos em software”, concluiu.