O que o tema “The Next Now” antecipa e a trilha que pretendo seguir para interpretar a feira
Compartilho o que estou buscando enxergar, onde pretendo aprofundar o olhar e quais sinais acredito que merecem ser revisados com lupa
A cada edição, a NRF funciona como um radar antecipado do varejo mundial. Não apenas porque concentra executivos, tecnólogos e líderes globais, mas porque expõe, muitas vezes de forma fragmentada, os movimentos que irão se consolidar ao longo dos próximos anos.
A edição de 2026 traz o tema “The Next Now”, que, para mim, desperta uma provocação imediata:
será que estamos realmente atentos ao que já está mudando, aqui e agora?
Este artigo inaugura a trilha que pretendo acompanhar na NRF entre os dias 11 e 14 de janeiro. É quase um caderno de notas aberto: compartilho o que estou buscando enxergar, onde pretendo aprofundar o olhar e quais sinais acredito que merecem ser revisados com lupa.
No fim das contas, a pergunta que me acompanha é simples e inquietante:
o que o varejo está nos dizendo hoje que só entenderemos amanhã?
Quando o “Next” deixa de ser futuro e passa a ser diagnóstico
O tema deste ano desloca o foco da especulação sobre tendências para a análise do que já está em maturação dentro das operações, das jornadas e das relações de consumo.
“The Next Now” nos lembra que o maior risco para marcas e varejistas talvez não seja deixar de prever o futuro, mas deixar de interpretar o presente.
Ao me preparar para a feira, percebo que a pergunta que levarei comigo não é “o que vem aí?”, mas sim: “o que já começou e ainda não sabemos interpretar com profundidade?”
Três trilhas para ler a NRF, e o varejo, sob uma lógica de transformação contínua
Ao longo dos dias da feira, acompanharei conteúdos, palestras e cases a partir de três trilhas estratégicas que, na minha visão, ajudam a decodificar a transição do varejo atual para o que se tornará padrão nos próximos anos.
- 1.Tecnologia como infraestrutura invisível da experiência
Tenho observado que a inteligência artificial deixou de ser manchete e passou a operar nos bastidores, discretamente, porém de forma decisiva.
Minha expectativa aqui é compreender como as marcas estão usando tecnologia para ampliar sensorialidade, relevância e conexão e não apenas eficiência.
É uma nuance importante: na prática, a pergunta que levarei para as salas de IA e automação é “como manter a experiência humana enquanto tudo ao redor automatiza?”
- 2. A ascensão da estética como estratégia de negócios
Nos últimos anos, tenho visto a estética migrar do território do design para o território da estratégia e isso muda tudo.
Ambientes que funcionam como loja, interface e narrativa ao mesmo tempo revelam um varejo que entende que a forma como algo se sente é tão importante quanto o que ele entrega.
Quero observar de perto como atmosfera, linguagem e espacialidade estão influenciando conversão, permanência e percepção de valor.
E, principalmente, como as marcas estão traduzindo cultura em experiência física.
- 3. O varejo comportamental
Se existe algo que sempre me chamou atenção é que o varejo, no fundo, é um reflexo do comportamento humano.
E o comportamento, esse sim, está mudando rápido.
Na NRF, vou buscar respostas para tensões que considero centrais:
Personalização x privacidade
Eficiência x encantamento
Dados x interpretação humana
Minha pergunta-chave será:
quais desses comportamentos emergentes têm força para virar padrão e como podemos nos antecipar a isso?
O que espero ver? Ou, pelo menos, espero questionar
A NRF raramente entrega respostas diretas.
Ela oferece, antes, um conjunto de pistas e é isso que a torna tão rica.
O que espero encontrar, ou ao menos questionar: tecnologia se tornando mais invisível e, paradoxalmente, mais determinante; experiência evoluindo de disciplina para infraestrutura; varejo migrando de arquitetura de canais para ecossistemas vivos; marcas assumindo o desafio de criar sentido, não apenas conveniência.
Se a edição cumprir sua promessa, veremos como o “Next” está se infiltrando no “Now”, não por rupturas espetaculares, mas por transformações contínuas e conectadas.
Por que compartilhar minha trilha antes da feira
Ao longo dos dias da NRF, vou dividir reflexões diárias sobre o que vejo, escuto e interpreto.
E decidi compartilhar esse texto inicial porque acredito que o contexto abre caminho para a compreensão.
Também porque gosto da ideia de que o leitor caminhe comigo, sabendo exatamente onde estou olhando e por que estou olhando para lá.
Entre 11 e 14 de janeiro, volto aqui com leituras que conectam tecnologia, comportamento e experiência sempre com foco na pergunta que mais me interessa este ano:
O que, no varejo de hoje, já aponta para o varejo de amanhã?