Verão aquece vendas de ar-condicionado e ventiladores
Ondas de calor também pressionam o setor a refinar suas estratégias de logística, marketing e inovação
(Crédito: Pixel Shot-shutterstock)
A cada ano que passa, devido às mudanças climáticas, agravadas pelo comportamento do homem, está mais calor. Pesquisadores da World Weather Attribution (WWA) informaram que 2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados.
Neste contexto, a procura por eletrodomésticos que tragam conforto térmico, como ventiladores e ar-condicionado, tem aumentado no Brasil não somente no verão, mas também durante as chamadas “ondas de calor”, que têm sido cada vez mais comuns no País e assunto nos noticiários.
“O verão continua a concentrar a maior demanda do ano, mas em ondas de calor que acontecem independentemente da estação também percebemos o crescimento da procura por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado”, destaca Vanessa Amaral, diretora comercial do Magalu.
Dessa forma, uma compra que antes era puramente sazonal, cada vez mais, passou a ser vista como uma necessidade na rotina dos brasileiros ao longo do ano. E esse fenômeno tem se refletido nas vendas.
O Grupo Casas Bahia, por exemplo, reportou um aumento de 84% nas vendas de ar-condicionado em dezembro de 2025, comparado com o mesmo mês do ano anterior. No mesmo período, a varejista bateu o recorde histórico de vendas de ventiladores, superando a marca de 2023, impulsionada pela chegada do fenômeno El Niño. Em dezembro de 2025, a venda de ventiladores do grupo cresceu 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Por sua vez, no Magalu, as vendas de aparelhos de ar-condicionado registraram um crescimento de 207% no final de dezembro, em relação ao início do mesmo mês. Já com relação a ventiladores, a alta foi “mais modesta”, mas ainda em duplo dígito alto: 70%.
Apesar da busca por conforto permanente, o gerente sênior da divisão de ar-condicionado da Samsung Brasil, Gustavo Martins, enfatiza ser inegável o aumento da demanda por climatização nos meses mais quentes. “No último verão, entre os meses de novembro de 2024 e fevereiro de 2025, registramos um volume de vendas 40% superior ao mesmo período anterior”, revela.
O diretor comercial da linha branca da Philco, Emerson Douglas, reforça que entre os meses de outubro e fevereiro, o mercado brasileiro de ar-condicionado apresenta um pico de vendas que pode chegar a mais de 38% acima da média dos demais meses, o que se reflete também na performance da marca.
No verão, a venda de ventiladores também é mais expressiva. “Quando comparamos o desempenho da estação com o período imediatamente anterior, como a primavera, observamos um crescimento de 38,5% no consumo em nível nacional”, comenta Glicia Passos Mota, diretora comercial de eletroportáteis da Britânia. Inclusive, para a marca, a estação corresponde a aproximadamente 50% do volume anual de vendas. “A demanda se intensifica e o consumidor busca soluções práticas e acessíveis para lidar com o aumento das temperaturas”, frisa.
Para dar conta desse crescimento de vendas no período, as fabricantes e varejistas precisam refinar suas estratégias de logística, marketing e inovação tecnológica. A Samsung, por exemplo, inicia seu planejamento de marketing e produção com cinco meses de antecedência, dado o ciclo industrial em sua fábrica de Manaus.
Reforçando o marketing
O foca das campanhas da marca tem sido gerar demanda e educar o consumidor sobre eficiência e conforto, informando sobre tecnologias como a WindFree, que dispersa o ar por microfuros, e o uso de inteligência artificial (IA) para eficiência energética, permitindo que o mercado cresça mesmo no inverno.
Durante o verão, a Philco é outra marca que intensifica sua atuação em marketing e mídia com uma estratégia integrada, pensada para ampliar presença e conexão com o consumidor. Douglas enfatiza que a marca utiliza uma estratégia integrada que inclui influenciadores e investimentos em mídia online ativados conforme a subida das temperaturas nas capitais.
A Britânia também concentra seus maiores investimentos entre outubro e março, quando o setor está mais aquecido em todo o País, com atenção especial ao período entre dezembro e fevereiro, mas mantém ações constantes no Nordeste, onde o calor prolongado sustenta a demanda o ano todo. “O foco é estar presente de forma relevante, respeitando as particularidades de cada região e momento”, conclui Glicia.