Do virtual ao real: a materialização do digital

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Opinião

Do virtual ao real: a materialização do digital

Há um aumento no valor atribuído às vivências e conexões físicas em relação às digitais e essa tendência deve continuar


29 de novembro de 2023 - 11h22

À medida que a internet, os dispositivos e a Internet das Coisas (IoT) evoluíram, o que antes existia apenas no mundo físico passou a construir sua presença no ambiente digital, incluindo lojas, cursos, restaurantes e uma variedade de outros setores. Depois da intensa experiência de isolamento que a humanidade foi obrigada a vivenciar com a pandemia de Covid-19, o digital se fez como única opção de socialização, mas foi também daí que as experiências físicas e presenciais se mostraram necessárias e um desejo comum da sociedade.

É claro que vai muita psicologia e sociologia para explicar os efeitos de uma pandemia e dos anos de quarentena no comportamento social, mas no que pude observar enquanto profissional de marketing, há um aumento no valor atribuído às vivências e conexões físicas em relação às digitais. Diversos estudos e pesquisas de tendências têm tentado compreender os motivos desse movimento, impulsionado por uma combinação complexa de fatores. Gosto muito das variáveis levantadas por Daniel Lubetzky e Jeff Rosenblum em um artigo publicado em 2022 pela Harvard Business Review: “The Rise of Physical Experiences”.

A necessidade de conexão com o mundo real e outras pessoas

Os estudos levantam três pontos principais que explicam o aumento da busca por experiência físicas, que vão além do virtual. Em primeiro lugar, o mundo digital, por vezes, é percebido como artificial e superficial, contribuindo para sentimentos de isolamento. Em contrapartida, as experiências físicas possibilitam histórias inesquecíveis e essa tão desejada conexão mais profunda com o mundo real e, consequentemente, com outras pessoas. O segundo ponto é que as pessoas buscam por experiências mais significativas: as vivências digitais podem ser efêmeras; já as físicas são mais propícias a serem mais memoráveis. Estas favorecem o crescimento e a criação de memórias duradouras. Por último, mas não menos importante, existe a preferência por experiências mais sociais: o mundo digital, por sua natureza, conecta desconectando, e claro, em muitas vezes pode ser uma experiência solitária que, embora diminua distâncias, também priva as pessoas de sentir a presença envolta de uma junção real e mais humana. E já as vivências físicas, ao contrário, facilitam o vínculo significativo com outros indivíduos, promovendo trocas reais cingidas ao pertencimento de comunidade.

Com isso, para mim fica claro que o movimento de valorização das experiências físicas continuará a ser tendência e a se fortalecer nos próximos anos. E muitas marcas já reconhecem sua importância, obtendo vantagem competitiva no mercado ao adotar essa abordagem. Além disso, é possível notar uma transição de iniciativas nativas do ambiente digital, como video games, playlists, podcasts, séries e filmes, para experiências que buscam aproximar os fãs e consumidores dos universos que eles exploram nas telas e nos fones.

Esta disposição está intrinsecamente ligada à essência do crescimento das experiências físicas, que visa criar relações transformadoras e genuínas. Um exemplo dessa cinesia, que desenvolvemos para o Spotify, foi dar vida ao Podcast Festival, que aconteceu em São Paulo no início do mês, reunindo alguns dos maiores podcasters do Brasil para palestras, debates e apresentações ao vivo. O evento foi um ótimo modelo de como tirar os programas do aplicativo e aproximar cada apresentador do seu público. Ele fez muitos olhos brilharem e corações vibrarem. E esse é só o recomeço!

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