Sem categoria

Um maratonista da criação

Ele brinca e diz que construiu uma carreira de fôlego: tentou a fotografia, foi pizzaiolo, fez arquitetura, educação física e, finalmente, optou pela publicidade

i 3 de março de 2014 - 4h12

Por Sérgio Damasceno

Esporte: correr
Time: Internacional
Livro: O Mundo Assombrado Pelos Demônios (Carl Sagan) e O Mundo em Uma Frase (James Geary)
Comida: a da minha mãe, com destaque para a inimitável língua com ervilhas
Ídolo: Carl Sagan

A referência à formação em educação física, mais dois anos de arquitetura e, finalmente, em publicidade, deram o background para o fôlego citado pelo diretor de criação da Dez Comunicação, Carlos Saul Duque, finalista do Show Up 2013. “Eu queria ser fotógrafo e cobria desfiles de moda com um colega de aula para ganhar uma grana. Fui pizzaiolo e só depois disso comecei mesmo a trabalhar em 1987 na Publivar, em Porto Alegre, como redator júnior. Estou na Dez desde 1994”, resume. Praticamente uma maratona profissional.

Há 27 anos no setor, cita campanhas que considera memoráveis como a feita para o Universitário (que conquistou prêmios), a do Image Bank, para a então Telefônica Celular (atual Vivo), Fiat, Vinícola Aurora, as várias Bienais do Mercosul e outras. Questionado sobre trabalhos em andamento, Duque afirma que o projeto mais importante é a própria Dez. “Quando comecei, era muito difícil consumir conteúdo. Hoje, esse conteúdo te espera dentro de um smartphone. Acho que eu sempre fui um bom curador do meu consumo criativo e isso me ajudou muito na construção do meu perfil”, filosofa.

Duque, sediado em Porto Alegre, teve rotinas mais pesadas com constantes viagens para São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Dessa fase, cita nomes como Paulo Pretti, Dulcídio, Giba Trindade, Dedé Eyer, Cássio Faraco, André Pedroso e os amigos Erh Ray (que acaba de abrir a operação da BETC no Brasil, com Gal Barradas) e Vitor Knijnik, ex-sócio da Dez. “O Rio Grande do Sul é um Estado que sempre leu muito. Isso ajudou a forjar grandes criadores — diretores de arte, inclusive. E é um mercado que não oferece as mesmas condições de São Paulo, onde as verbas que circulam te permitem fazer um trabalho bem mais rico em termos materiais. Mas, daqui saem­ grandes criadores e esse tipo de profissional se vira com o que tem para fazer um trabalho acima da média. Outra característica, que infelizmente se perdeu, foi o trabalho para o varejo, que exigia alta rotação de ideias em uma base diária, inclusive com disputa de espaço com vários concorrentes e com verbas pequenas. Esse é um exercício que te prepara para qualquer desafio”, assegura. 

wrapswrapswrapswrapswrapswraps