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Virei publicitário, e agora?

Recém-formados comentam os desafios e oportunidades daqueles que se preparam para chegar ao mercado

Luiz Gustavo Pacete
10 de julho de 2017 - 7h59

Por décadas, o curso de Publicidade e Propaganda esteve entre os mais procurados nos principais rankings. Nos últimos sete anos, chegou a perder posições, mas continua sendo um dos ofícios preferidos pelos jovens. Das profissões mais concorridas da Fuvest em 2017, o curso ficou em quarto lugar, atrás de Relações Internacionais, Psicologia e Medicina. Com cada vez mais alunos se formando e um mercado que muda cada vez mais rápido, é natural que surjam vários questionamentos pelos recém-formados. O que fazer agora?

Janaina Martins, analista de mídias sociais e CRM na SalveTribal Worldwide, formada em publicidade na Faculdade Zumbi dos Palmares, conta que durante o estágio de publicidade não fica muito claro, em alguns casos, o peso da responsabilidade de um funcionário efetivo. “Quando você ingressa como funcionário se depara com uma rotina de trabalho diferente, mais ampla e com atividades mais exigentes”, diz Janaina.

“Por mais fantasioso que seja, saímos da faculdade com a intenção de mudar o mundo por meio da comunicação. Quando entramos pela primeira vez numa agência esse pensamento é confrontado, muitas vezes, pelos diferentes valores da agência e cada cliente”, conta Janaina. A profissional ressalta que o mercado publicitário é amplo, mas o profissional precisar saber como se vender. “Estudar como ele vai apresentar numa entrevista, aquele fator diferencial que combine com os valores do local e faça ele sair na frente. A publicidade está em muitos lugares e o mercado procura gente com vontade de fazer parte do time e dar o seu melhor”, diz Janaina.

Janaina Martins, analista de midias sociais e CRM na SalveTribal Worldwide (Crédito: Divulgação)

Gabriel Diniz, assistente de criação também na SalveTribal Worldwide, recém-formado em publicidade pela ESPM, conta que o encontro para uma vaga no primeiro emprego é muito mais complexo que antes. “Um recém-formado hoje precisa de muito mais responsabilidade e expertises. Hoje a experiência é mandatória, e não existe muito espaço para aprender. Quando estamos procurando nossas primeiras oportunidades, encontramos dificuldade já quando nos pedem anos de experiência, e parece que nunca conseguiremos começar”, afirma Diniz.

Apesar da formação ainda contar para muitas agências, há o caso em que profissionais formados disputem vagas com outros que não estiveram em uma universidade. É o caso de Mario Lemes, redator da Mutato. “Uma coisa tenho certeza: diploma não garante nada. Pode ser que seja um belo diferencial, mas não é nem um comprovante de talento e nem uma garantia de emprego”, enfatiza.

Lemes explica que quando um jovem chega ao mercado é natural que haja uma falta de compreensão de muitos temas. “Tem várias coisas que eu nunca nem entendi o sentido. Por exemplo, trabalhar em um projeto feito para ganhar prêmio. Eu nunca entendi como isso faz sentido na cabeça de alguém. Ganhar um prêmio por um projeto fantasma é tipo ganhar um Oscar com o trailer de um filme que não existe”, diz Lemes.

“Vamos parar de achar que trabalhar com publicidade é igual a Mad Men. Não tem nada a ver. A única garrafa de uísque que tenho na minha mesa está vazia há oito meses”

Ele reforça aos jovens entrantes no mercado que o olhar sobre o que é a publicidade não pode estar condicionado aos conceitos mostrados pelos filmes e séries. “Vamos parar de achar que trabalhar com publicidade é igual a Mad Men. Não tem nada a ver. A única garrafa de uísque que tenho na minha mesa está vazia há oito meses. Guardo só porque ela é bonitinha. A publicidade trata, principalmente, de pessoas, de entender comportamentos, cultura, momento, panoramas e cenários. E todas essas coisas são extremamente dinâmicas, estão em constante mudança, então se ater a mitos e crenças é ter uma visão limitada, porque pode ser que amanhã nada seja igual”, diz Lemes.

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