Receitas do Cannes Lions diminuem em 2018

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Receitas do Cannes Lions diminuem em 2018

Apesar do recuo, Ascential vê bons resultados nas mudanças do evento e prevê crescimento no futuro


24 de julho de 2018 - 14h26

(Crédito: Eduardo Lopes)

Atualizada em 25/7, às 11h29

A Ascential, proprietária do Festival Internacional de Publicidade de Cannes e também da consultoria MediaLink, divulgou o resultado financeiro do primeiro semestre de 2018. As mudanças realizadas na edição deste ano do mais importante festival criativo do mundo – e, sobretudo, a ausência do Publicis Groupe no evento – tiveram impactos nos números.

Como resposta às reclamações de representantes de holdings de comunicação feitas durante a edição do ano passado, o Festival mexeu em sua estrutura em 2018, reduzindo de oito para cinco dias o evento, reorganizando as categorias, criando novas regras para as inscrições de uma mesma peça em diferentes áreas e modificando os preços das credenciais.

De acordo com a Ascential, o festival teve um declínio de 9% em sua receita orgânica, atribuído a ausência do Publicis Groupe, que em 2017 declarou que ficaria de fora de Cannes – e de qualquer outro grande festival internacional – pelo período de um ano. Apesar disso, a Ascential declara ter tido “um crescimento muito forte” com a Money 20/20, divisão de eventos de negócios sobre pagamentos e serviços financeiro, e que tal avanço teria equilibrado as perdas.

A Ascential reportou um lucro operacional de 28,7 milhões de libras (cerca de US$ 37,7 milhões) nos primeiros seis meses de 2018 O valor é inferior ao lucro de 32,2 milhões de libras (US$ 42,3 milhões ) obtido no primeiro semestre de 2017. A receita orgânica da companhia teve um crescimento de 7% no período.

O Cannes Lions possui três principais fontes de receita: inscrições de prêmios, passes dos delegados e patrocínios. A companhia declarou que a primeira parte – a de inscrições – caiu 21% neste ano, fator atribuído à ausência do Publicis Groupe da competição. Ainda em relação à premiação, a companhia declarou que houve um bom nível de interesse em relação às novas categorias e subcategorias, que compensaram a queda nas inscrições de algumas categoriais tradições, como Print e Outdoor.

A receita oriunda dos passes dos delegados também caiu, “principalmente pela redução da participação das agências do Publicis Groupe e pela negociação do passe de cinco dias”, de acordo com a empresa. Já os patrocínios e receitas com o digital, que compõem 21% do total de negócios do Cannes Lions, cresceu 35% em comparação com o ano passado. A Ascential ainda declarou que as iniciativas “The Work”, uma pesquisa direcionada à comunidade criativa, e o “Lions Digital Pass”, uma espécie de ingresso digital para que as pessoas de todo o mundo tivessem acesso à programação do Cannes Lions conseguiram ampliar o engajamento com a indústria criativa e declarou, também, que a pesquisa feita junto aos participantes do Festival indicou um dos maiores níveis de aprovação da história.

“No geral, estamos crentes que esses desenvolvimentos, combinados com a boa receptividade dos novos formatos e o alto nível de engajamento dos stakeholders durante o Festival tragam crescimento para o Cannes Lions pelos próximos anos”, declarou a Ascential, em comunicado.

O trabalho de José Papa
No mesmo anúncio, a Ascential comentou sobre as razões da saída de Jose Papa Neto do cargo de CEO do Cannes Lions, anunciada na semana passada. De acordo com a companhia, havia redundância na função desempenhada pelo brasileiro. “Sabemos, por meio de nossos clientes, que a mudança no Cannes Lions foi um sucesso, mas também sabemos que ela teve implicações financeiras para o negócio. Por conta disso, a função de managing diretor, infelizmente, acabou ficando redundante”, disse uma porta-voz da Ascential, em comunicado. “Agradecemos a Jose Papa pelo seu compromisso inabalável com o Festival e por sua forte liderança de negócios durante esse período de mudanças. Phil Thomas, CEO e chairman da Ascential Events, também irá liderar o Cannes Lions a partir da edição de 2019”, diz o comunicado.

No mesmo dia da publicação da matéria pelo Advertising Age, Phil Thomas, CEO da Ascential Events, enviou um e-mail à publicação norte-americana esclarecendo as razões que levaram a companhia a extinguir o cargo ocupado por Jose Papa. “Os negócios foram muitos desafiadores neste ano e, com a venda do negócio de Exposições, somada a um ambiente desafiador, a Ascential teve que reavaliar sua base de custos e tomar algumas decisões difíceis. Com isso em mente, tivemos que reavaliar o papel de managing director. Isso é particularmente difícil para Jose que conduziu o Cannes Lions em um momento bastante desafiador, culminando em vários comentários positivos sobre a edição deste ano do evento e com a maior avaliação de aprovação da história do Festival. Como homem de negócios, no entanto, ele entende as razões pelas quais tivemos que tomar essa difícil decisão”, escreveu Phil Thomas. Em maio do ano passado, a Ascential vendeu sua divisão de Exhibitions, ficando, portanto, somente com o Cannes Lions no guarda-chuva de eventos.

No mesmo texto, o CEO da Ascential Events explica que participará do dia a dia do Cannes Lions, auxiliado por David Davies, chief content officer da Ascential, que foi indicado pela diretoria da empresa para dedicar mais tempo ao festival de criatividade. Segundo Thomas, em breve as atividades específicas dele e e de Davies perante o festival serão esclarecidas. O executivo ainda fez um agradecimento pessoal ao trabalho de Jose Papa, reforçando a dificuldade da decisão de cortar o cargo.

O e-mail ainda traz um comunicado de Jose Papa. “Esses tempos turbulentos nos tornaram mais fortes do que nunca. Nossa reformulação em 2018 mostrou novamente mundo porque nós (Cannes Lions) somos importantes. Estamos agora determinados a seguir adiante como o farol inabalável da criatividade global. Phil tem dedicado todo seu coração para esse negócio e vocês tem nele alguém que realmente se preocupa com o quê o Cannes Lions representa. Assim como eu faço”, disse Papa.

Com informações do Advertising Age

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