Oito em cada dez cargos estão sem aumento salarial

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Oito em cada dez cargos estão sem aumento salarial

Pesquisa da Michael Page constatou que 13 de 15 setores analisados estão com remunerações estáveis ou em queda


14 de junho de 2017 - 12h33

“Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10 a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais”

Oito em cada dez cargos apresentam remuneração estável ou em queda, em comparação com 2015. A informação é da empresa global de recrutamento especializado Michael Page, do PageGroup, que analisou setores como bancos e serviços financeiros; digital; engenharia e manufaturas; financeiro e tributário; jurídico; marketing; supply chain; petróleo e gás; propriedade e construção; recursos humanos; saúde; seguros; TI; varejo; e vendas. No levantamento, mais de três mil profissionais, do Brasil, foram ouvidos quanto as suas impressões sobre o mercado atual.

Para Ricardo Basaglia, diretor executivo de Michael Page, o cenário para o executivo de média e alta gerência é um pouco diferente do de dois anos atrás, quando os funcionários conseguiam negociar melhores salários. “Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10 a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais”, disse, em comunicado oficial.

Nos setores de supply, engenharia, petróleo e gás e propriedade e construção, 100% das profissões foram atingidas pela remuneração estável ou em queda. Enquanto, em vendas e TI, 97%; em saúde, 92%; em marketing, 82%; em jurídico, 78%; em varejo, 73%; em seguros, 75%; em recursos humanos, 64%; e, em financeiro, 57%. Porém, a área de bancos e serviços financeiros foi a exceção do estudo, uma vez que, dos 40 cargos verificados, três não obtiveram aumento salarial. A divisão de digital, que é posterior ao estudo de 2015, não apresenta histórico de comparação.

Quando analisado o setor de bancos e serviços financeiros, aumentos expressivos nos cargos de gerentes e heads do departamento aparecem, em relação com 2015. “Para os bancos, o mercado financeiro não deixou de ficar aquecido, tanto no mercado em si, quanto no quesito de contratações”, afirmou Ricardo Basaglia. A média salarial cresceu 99,4%, enquanto permaneceu estável para 0,4% e em queda para 0,2%.

Com o objetivo de expandir suas vendas, o uso de meios digitais tem sido a principal estratégia de negócios ligados ao varejo. “A procura por profissionais que atuam em projetos digitais e detêm a expertise para aplicar estas ferramentas e estratégias que estão em constante evolução cresceu 35%, no primeiro semestre de 2016”, falou. O salário de um head de e-commerce pode chegar a R$ 55 mil, enquanto o de um cientista a R$ 45 mil, em uma companhia de grande porte.

Segundo o estudo de Michael Page, o mercado de engenharia e manufaturas continua com uma carência de engenheiros especializados e com uma formação sólida. “Ainda assim, com a formação analítica e ágil na linha de raciocínio, os engenheiros são requisitados para atender a posições relativas a vendas e planejamento estratégico, áreas que continuarão em alta para o ano que vem”, explica o diretor executivo. Nesta área, não foi registrado nenhum aumento na média salarial.

Em financeiro e tributário, um gerente de auditoria interna, em uma empesa de médio porte, viu seu salário crescer 46%, passando de R$ 12 mil a R$ 17,5 mil. Entretanto, um recuo de 42% foi visto pelos gerentes de relações com investimentos, passando a terem uma renda média de R$ 17,5 mil – antes, o valor permeava os R$ 30 mil.

O jurídico teve um aumento de 22% na média salarial, enquanto 78% dos cargos verificaram estabilidade em suas rendas. “Estamos cada vez mais próximos das companhias e no ano passado nos destacamos pela nossa agilidade, discrição, confidencialidade, por encontrar perfis complicados, pela revisão de quadros societários, entre outras coisas”, disse Ricardo Basaglia.

Já em marketing houve um decréscimo de 10% na remuneração média, como exemplo disto, segundo a pesquisa, estão os cargos de gerente de produto e de diretor de relações institucionais no setor químico e agronegócio. “Em geral, no estudo desse ano, percebemos um aumento tímido em comparação ao último estudo de remuneração”, falou o profissional quanto os 18% dos cargos que tiveram aumento, neste ano.

No setor de supply chain, o cenário de 2017 está semelhante ao dos últimos anos: 88% dos cargos tiveram estabilidade e 12% apresentaram queda. A média salarial de gerentes de projeto e gerentes de operações, em companhias de pequeno e médio porte, caiu de R$ 16,5 mil para R$ 13,5 mil. Não tiveram aumentos da remuneração média, em nenhum cargo, desta área. O cenário é praticamente o mesmo, nos setores de petróleo e gás e propriedade e construção. Neste primeiro, 84% dos cargos tiveram estabilidade de remuneração média e 16% apresentaram queda. Já no segundo, 99,8% ficaram estáveis e 0,2% decresceram.

De acordo com a pesquisa, a área de recursos humanos teve um aumento de média salarial em 36% dos cargos, estabilidade em 41% e queda em 13%. “Subsistemas como o de remuneração foram altamente demandados e esta tendência se estenderá pelo próximo ano”, contou Ricardo Basaglia. Em saúde, a área de healthcare saiu na frente de outras e hospitais e demais empresas do segmento clínico mantiveram-se em forte processo de profissionalização.

O setor de seguros não apresentou quedas, seguindo seu histórico de alta desde a abertura do mercado e a entrada de seguradores e resseguras multinacionais: os diretores comerciais de R$ 34,5 mil passaram a ganhar R$ 39,5 mil e os diretores técnicos de R$ 14,5 mil a R$ 17,5 mil. O estudo ainda mostrou uma estabilidade na remuneração média em 97% dos cargos de TI, 73% de varejo e 97% de vendas. Nenhum destes setores apresentou queda de renda.

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