Blizzard encara os games como plataformas de comunidade
CEO da Blizzard revela os diferenciais que tornaram os games fenômenos culturais e de conexão humana

Cathy Kackl, spatial AI experte e CEO da Future Dynamics, e Johanna Faries, CEO da Blizzard (Crédito: Amanda Schnaider)
Ainda em 2024, a WSGN previu que o ano de 2026 seria marcado pelo que chama de “grande exaustão”, na qual há um estado coletivo de fadiga resultante da hiperestimulação digital. No entanto, de acordo com a consultoria, uma das respostas para esse fenômeno são as comunidades.
Um setor que tem potencial de reunir pessoas e criar comunidades é o dos jogos eletrônicos. Se há um ano, durante o SXSW, Johanna Faries, CEO da Blizzard, definia os games como o futuro do entretenimento, agora, no palco do MWC 2026, a executiva os destacou como plataformas de comunidade e cultural global.
“Um dos pontos mais importantes para nós é como o universo dos jogos se posiciona nessa interseção entre comunidade em escala massiva e a longevidade do papel que desempenha na vida pessoal das pessoas, ao mesmo tempo em que continua expandindo as fronteiras do avanço tecnológico”, argumentou.

Games: do nicho ao futuro do entretenimento
Johanna enfatizou, ainda, que os jogos extrapolam a gameplay, propriamente dita, uma vez que são considerados propriedades intelectuais globais. Na visão da executiva, a pergunta passa a ser: para onde essas propriedades intelectuais podem crescer e como continuar alimentando os fãs no formato tradicional?
Fator intergeracional
A expansão dos games também é fomentada por uma mudança demográfica sem precedentes. Enquanto no passado, os jogos eram considerados “coisa de criança”, hoje, os gamers são de todas as idades e perfis. Na verdade, segundo Johanna, o diferencial agora é justamente o fator geracional. “Há pessoas que jogam há duas décadas e agora dividem a experiência com filhos, até netos”, destacou.
Inclusive, um dos desafios da Blizzard é criar novos recursos para novos jogadores e público mais casual, sem perder o público que está com a empresa há tempos.
Além do fator geracional, outro atrativo dos games é a imprevisibilidade em tempo real. “Milhões de gamers entram no jogo e levam suas guildas, suas missões e suas amizades para caminhos que nem sempre conseguimos antecipar”, comentou a executiva, reforçando que o papel da companhia é criar um ambiente seguro, onde essas conexões possam acontecer e celebrar quando a comunidade leva a indústria para direções inesperadas.
Equilíbrio entre o humano e o tecnológico
Apesar de reconhecer a importância da tecnologia para os negócios da Blizzard – uma vez que sua operação exige o monitoramento de dados e comunidades 24 horas por dia, sete dias por semana – a CEO salientou que o toque humano segue sendo essencial para a companhia.
“Nossa arte é artesanal. Existe um ‘polimento Blizzard’. Vamos explorar novas ferramentas, inclusive IA, mas com governança clara, segurança, impacto criativo. Queremos que os desenvolvedores experimentem qualquer ferramenta, mas dentro de processos sólidos”, frisou.
Com essa governança em mente, Johanna pontuou que o objetivo da Blizzard é estar em todas as telas, principalmente, dos smartphones, onde muitos dos jogadores do futuro estarão – e alguns já estão. Dados da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2025 revelaram que os smartphones seguem sendo a plataforma preferida dos jogadores brasileiros.
Para atingir esse objetivo, a CEO salientou que a tecnologia alinhada aos talentos humanos é fundamental. “Nossa estratégia de distribuição caminha junto com a criativa. Infraestrutura abre portas, talento transforma isso em experiência”.