CEO da Dentsu: “IA não consegue construir consenso social”
Takeshi Sano vê IA como ferramenta de produtividade, não como resposta automática para inovação
As várias promessas da inteligência artificial para a indústria criativa parecem não seduzir o novo presidente e CEO global da japonesa centenária Dentsu, Takeshi Sano, no cargo desde março deste ano. Apesar de reconhecer as capacidades no âmbito da criação e execução, o executivo, ao refletir sobre inovação, posiciona a tecnologia em lugar secundário em prioridade.

Para CEO da Dentsu, Takeshi Sano, inovação depende de cultura, cliente e diferenciação, além da inteligência artificial (Crédito: Caio Fulgêncio)
As “enormes possibilidades” criadas pela inteligência artificial, nas palavras do executivo, “não equivalem diretamente a muita inovação”. Com outras palavras, Sano afirma: “A IA pode gerar milhares de ideias, mas não consegue definir para qual futuro devemos ir ou construir consenso social”.
Conforme o CEO, na perspectiva dos clientes, as expectativas não mudaram. Eles continuam esperando por impacto real da tecnologia nos negócios ou na marca, além de se preocuparem com proteção de dados. Logo, estrategicamente, “usar por usar a IA não é o objetivo”, complementa.
De toda forma, internamente, Sano reconhece que a inteligência artificial pode integrar criação, mídia e dados, o que, sem dúvida, é capaz de aumentar a produtividade, em uma realidade em que agências já extrapolaram a publicidade e se tornaram parceiros de crescimento.
Desafios institucionais
A missão de construir o próximo capítulo da Dentsu, conforme o CEO, envolve duas coisas: permanecer fiel à cultura e propósito, formados em 125 anos de história; e ouvir e criar valor e impacto para o cliente. “Cultura é a nossa vantagem competitiva, porque ela não pode ser criada da noite para o dia”, ressalta.
Por outro lado, o passo almejado também envolve desafios – três, pelo menos. Um deles é o ritmo da mudança, que, em contrapartida, exige agilidade. O segundo é a complexidade da realidade atual, que necessita de simplicidade como resposta. Por último está a fuga da mesmice com diferenciação, tanto da porta para dentro, quanto para fora, no negócio do anunciante.
“Todas as respostas estão nos clientes, porque eles estão interagindo com seus consumidores. Além disso, é preciso identificar o problema e encontrar as soluções. Porém, nesta era de mudanças rápidas, não podemos esperar até encontrar uma resposta concreta. Temos que decidir e correr, e, enquanto corremos, adaptamos o caminho”, complementa.