IA e cultura local: os planos de expansão global da BYD
Brasil ocupa papel estratégico nos planos da BYD, que projeta expansão produtiva e contratação local
Sair da atual quinta posição e alcançar o patamar de maior fabricante automobilística do mundo. O ambicioso plano de hegemonia global da BYD, detalhado por Stella Li, vice-presidente executiva e CEO da empresa nas Américas, Europa, Oriente Médio e África, a Martin Sorrell, fundador e chairman da S4 Capital, no Cannes Lions, envolve, mais do que vender produtos, a exportação de inovação e significado.

Stella Li, vice-presidente executiva e CEO da BYD nas Américas, Europa, Oriente Médio e África, explicou a estratégia da montadora chinesa (Crédito: Divulgação/Cannes Lions)
“A BYD é uma empresa de tecnologia”, diz a CEO, ao falar sobre a estratégia da companhia que mistura o olhar global com a perspectiva local nos territórios que atua. “Em cada mercado, contratamos a melhor equipe e a mensagem é essa: entender a cultura local e converter nossa tecnologia para a linguagem e cultura do país”, completa.
O Brasil, conforme a executiva, ocupa espaço importante nas aspirações de crescimento da montadora chinesa. O plano inclui a expansão da fábrica no País, em Camaçari (BA), aumentando a capacidade de produção em até 600 mil veículos por ano e projetando a contratação de em torno de 20 mil pessoas. “A BYD é uma jogadora de longo prazo e precisamos sempre garantir que cada decisão seja tomada a partir dessa visão”.
Saindo do lugar de entrevistada, a CEO aproveitou para perguntar a Sorrell, executivo com vasta experiência como conselheiro de empresas globais, como uma ambição desse porte deve ocorrer para ter sucesso, em um cenário de fragmentação e desconfiança social. Para o chairman da S4 Capital, a resposta inclui agilidade e velocidade, com a tecnologia, de fato, aplicada à criação de plataformas integradas e localizadas.
“As estruturas organizacionais estão mudando radicalmente, tornando-se muito mais planas e democratizando o conhecimento por meio da inteligência artificial. Vemos marcas com legado correndo para adotar o marketing de IA e hiperpersonalização, porque enfrentam ameaças existenciais de fabricantes chineses, como a BYD. A era das campanhas de transmissão centralizadas e isoladas acabou”, defende.
No centro de várias conversas, a inteligência artificial, inclusive, é o que deve impulsionar a compreensão do comportamento do consumidor e permitir respostas mais rápidas. A BYD, nesse sentido, aposta em agentes de IA aplicados ao marketing e vendas, a fim de gerar conteúdo de alta qualidade em pouco tempo.
Segundo Stella, a tecnologia servirá para traduzir as complexidades técnicas para a cultura local. “Você não diz à dona de casa quantos cavalos de potência o carro tem, mas diz que, ao dirigir o veículo, ela economia o valor de um cappuccino ou de uma refeição, por exemplo. Ainda precisamos de muita conexão emocional”, finaliza.