Comunicação

O novo negócio de Craig Davis

Criativo se prepara para lançar serviço digital voltado para o mercado financeiro

i 30 de setembro de 2013 - 4h40

Em dezembro do ano passado, o multipremiado Craig Davis surpreendeu a indústria da comunicação ao anunciar que estava deixando a publicidade, renunciando aos cargos de chefe criativo e cochairman da Publicis Mojo, na Austrália. Ao contrário de outro grande líder criativo de sua geração, Alex Bogusky, o australiano Davis não deixou a propaganda para virar um ativista anticonsumismo e tampouco pretende exercer tão cedo alguma atividade relacionada à propaganda.

Fundador do Brandkarma.com e professor adjunto da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália, o ex-chefe de criação global da JWT prepara o lançamento de um serviço digital voltado para o mercado financeiro, baseado nos princípios do capitalismo consciente, conceito do qual é um ferrenho embaixador e em torno do qual girou boa parte desta entrevista que ele concedeu a Meio & Mensagem.  

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Meio & MensagemPor que você deixou a publicidade?

Craig Davis — Segui meu desejo de fazer coisas diferentes. Trabalhei 25 anos com publicidade, é muito tempo. Passei um quarto de século trabalhando nessa indústria: metade desse tempo em agências que fundei ou era sócio, e a outra metade em gigantes multinacionais. Também por metade desse período trabalhei na Austrália e a outra metade em diferentes partes do mundo. Adorei a experiência, considero um privilégio ter me envolvido por tanto tempo com comunicação. Mas, como uma pessoa criativa, antes de ficar velho e não ter mais coragem para isso — o que, na verdade, espero que nunca aconteça (risos) — quero tentar construir algo, e continuar a aprender coisas novas, de maneira dinâmica.  

M&MA saída de líderes criativos como Alex Bogusky e você não está relacionada a uma decepção com a indústria?

Davis — Trabalhar na indústria da publicidade está muito mais difícil do que costumava ser, não no sentido de conseguir melhores resultados, mas em termos dos processos envolvidos — sem que isso traga recompensa ou satisfação à altura. Honestamente, a publicidade hoje tem menos importância do que já teve um dia. Houve um tempo em que uma das áreas com maior impacto sobre o negócio dos clientes era a propaganda. Ainda existe uma certa influência, especialmente em momentos específicos, mas não acho que seja tão profunda. Há muitos negócios que se organizam e vendem seus peixes de diferentes formas, independentemente do modelo tradicional. Essa é uma das razões pelas quais a indústria da comunicação está retraída. Em termos gerais, a publicidade entrega menos valor para os clientes, que têm encontrado outras maneiras de suprir essa lacuna. Por um lado mais otimista, as agências e os veículos que conseguirem superar essa barreira e mantiverem a busca por uma oferta criativa mais completa, cujo foco não esteja apenas na mídia, alcançarão grandes resultados. A grande ironia é que passei boa parte da minha carreira tentando convencer clientes de que criatividade era importante. Agora, não é preciso mais ter esse trabalho: os clientes entendem isso, o CEO de uma grande empresa lhe dirá que criatividade e inovação são o que há de mais importante para o crescimento da companhia. A questão é se as agências e os veículos podem entregar criatividade nesse nível esperado pelos clientes.

M&MVocê trabalharia em uma agência novamente?

Davis — Olha, nunca diga nunca, e é claro que pode acontecer novamente. Ficaria feliz se pudesse trabalhar em uma agência, um conglomerado, onde minha experiência pudesse contribuir e ajudá-los a desenvolver novas competências, novos modelos, para entregar um tipo diferente de soluções criativas.

M&M Você está na fase final do desenvolvimento de um novo negócio. Tem algo a ver com marketing?

Davis — Não tem nada a ver com marketing, publicidade ou mídia. Está dentro da área de serviços financeiros. Quero deixar claro que não perdi a fé na criatividade, apenas estou disposto a tentar coisas novas. Quero começar um negócio próprio, poder colocar em prática tudo o que aprendi em algo que seja meu. Se der certo aqui na Austrália, penso em levar para outros lugares do mundo. Talvez para o Brasil, quem sabe. Será um negócio digital, multiplataforma. Desculpe, mas não posso falar mais do que isso.

M&MQuando você irá lançá-lo oficialmente?

Davis — O projeto está praticamente pronto. Espero apresentá-lo ao mercado até o final deste ano, ou no começo do ano que vem.

A íntegra desta entrevista está publicada na edição 1579, de 30 de setembro de 2013, exclusivamente para assinantes, disponível nas versões impressa e para tablets do Meio & Mensagem