CEO global da Heineken renuncia ao cargo
Dolf van den Brink deixará a companhia em 31 de maio, mas permanecerá como consultor pelo período de oito meses

Dolf van den Brink, CEO global da Heineken até 31 de maio de 2026 (Crédito: Divulgação)
Em anúncio feito nesta segunda-feira, 12, a Heineken comunicou a renúncia de Dolf van den Brink ao cargo de CEO e presidente do Conselho Executivo da companhia, que vem enfrentando cenário desafiador, com a queda do consumo de cerveja.
O executivo estava na função havia quase seis anos e na própria mensagem a empresa define que nesse período ele conduziu o negócio “por um contexto de turbulências econômicas e políticas” e que com a estratégia “EverGreen 2030” já estabelecida, juntamente com o Conselho de Supervisão, decidiu que este seria o momento adequado para a transição de liderança.
Ele deixa o cargo em 31 de maio, mas concordou em permanecer disponível em caráter consultivo por um período de oito meses, a partir de 1º de junho de 2026. Enquanto isso, desde já o Conselho de Supervisão busca um sucessor a van den Brink.
“Após seis anos como CEO e mais de 28 anos na Heineken, acredito que este seja o momento certo para a transição da liderança, à medida que a companhia se prepara para a próxima fase da estratégia EverGreen. Os últimos anos foram marcados por mudanças significativas, à medida que a Heineken avançou em seu processo de transformação e atingiu um estágio em que uma transição de liderança servirá melhor à execução de suas ambições de longo prazo. Nos próximos meses, permanecerei totalmente focado na execução disciplinada da nossa estratégia e em garantir uma transição suave”, afirmou o CEO.
Já Peter Wennink, presidente do Conselho de Supervisão da Heineken, agradeceu a liderança e compromisso do executivo, com a entrega da estratégia EverGreen 2025, em meio a um “ambiente externo desafiador” e o lançamento da EverGreen 2030, definida como uma “estratégia consistente e inspiradora para o futuro da Heineken”.
Segundo Wennink, a próxima fase terá foco em uma estratégia de execução disciplinada das ambições estratégicas de crescimento. “Diante disso, o Conselho de Supervisão concorda que este é o momento adequado para iniciar o processo de sucessão, assegurando uma liderança forte para o futuro”, disse.
Embates locais e globais
Embora tenha sempre ressaltado o ótimo desempenho que conseguiu obter em mercados como o brasileiro, que se tornou o mais importante para a companhia fora da matriz, a Heineken tem principalmente na AB Inbev um concorrente implacável.
O CEO da Heineken no Brasil – Mauricio Giamellaro – chegou a criticar publicamente a Ambev por uma suposta prática abusiva de contratos de exclusividade com bares e restaurantes.
No plano global, outro revés à companhia holandesa foi a perda de contrato de três décadas com a Uefa Champion’s League que, a partir de 2027, será assumida justamente pela AB Inbev. A Heineken era a patrocinadora e marca presente em um dos torneios de futebol com maior visibilidade do mundo e perdeu terreno para a cervejaria belga, que ainda definirá com quais marcas irá explorar o novo ativo.
