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Guerra dos Consoles: a volta por cima do Xbox

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2 de fevereiro de 2022 - 16h36

(crédito: Microsoft)

Eu confesso que fui pega de surpresa quando a Microsoft comprou a Bethesda (produtora de DOOM, The Elder Scrolls, Fallout) por US$ 7,5 bilhões, quase o dobro do que a Disney pagou pela Lucas Arts. Mas, nos primeiros dias deste ano, quando a Microsoft colocou a oferta de compra para Activision Blizzard por quase dez vezes esse valor (US$ 68,7 bi) não me espantei. Venho acompanhando os passos da gigante da tecnologia na área de games desde que ela lançou no Brasil o XCloud, serviço de jogos na nuvem.

O Xbox será a Netflix dos games. Eu sei que a própria Netflix está investindo em games, mas a Microsoft está anos luz à frente dela nesse mercado. O Xbox fez 17 anos. No futuro, os consoles serão só um acessório para quem quiser se dar ao luxo, ninguém mais vai precisar deles para jogar.

A Microsoft informou que o Xbox Game Pass, serviço necessário para ter acesso aos games na nuvem, já tem mais de 25 milhões de assinantes. E o serviço de nuvem mal começou. No Brasil chegou ano passado. Por sua vez, a Activision Blizzard tem 400 milhões de jogadores, em 190 países. Dos games da Bethesda, Elder Scrools Online tem 20 milhões. Minecraft, que também é da Microsoft, e tem um público mais jovem formado por crianças e adolescentes, tem mais de 200 milhões de downloads.

Seguimos o mesmo caminho do áudio-visual e indústria fonográfica. A era das redes sociais não permite que um gamer espere dias para um lançamento chegar à sua casa. Ele compra na pré-venda e começa a baixar à meia-noite, horário que as publishers costumam liberar os lançamentos para o Brasil. Afinal, ele tem de postar a tela do PC ou da TV com as imagens do jogo no Instagram.

No mercado de games, durante muitos anos a Microsoft esteve em desvantagem em relação à sua rival Sony. Nos últimos anos, o PlayStation foi o console mais vendido com uma margem grande de distância do segundo colocado. Mas nesse momento o setor de tecnologia lida com a escassez global de componentes, que assola também o mercado de consoles.

Os exclusivos sempre pesaram na escolha do console, então o caminho escolhido pelo Xbox foi aumentar o catálogo. O foco saiu das duas plataformas que mais trabalhou, Xbox e PC, para todas. Não importa o aparelho que você tenha em casa, o jogo estará na nuvem. O mesmo acontece com a Netflix não importa se o dispositivo é TV, PC ou celular, o que interessa é vender a assinatura do conteúdo, por uma mensalidade, que vai gerar receitas recorrentes anuais, a popular ARR (Annual Recurring Revenue), que traduzida para o português significa faturamento recorrente anual.

Pelo visto, o teste feito ano passado oferecendo o conteúdo da Bethesda deu certo, e para atrair mais jogadores, o plano é oferecer conteúdo mais diversificado. Com a assinatura do Game Pass Ultimate (R$ 49,90 por mês no Brasil) os gamers têm acesso a mais de cem jogos que estão na nuvem e podem jogar os exclusivos de Xbox no dia do lançamento, o que adiciona valor ao serviço. Entre os exclusivos temos Forza, Halo e Gears of War.

Além disso, parcerias com a Ubisoft (Assassin’s Creed e Far Cry) e com a EA (Battlefield, Star Wars, Fifa e muitos outros games de esportes) levaram essas marcas para o Game Pass. Se a compra da Activision Blizzard se concretizar, Call of Dutty, um dos jogos mais vendidos da história dos games, assim como Crash Bandicoot, Diablo, WoW e Overwatch se juntarão a esse portfólio. E Candy Crush, um dos games mobile mais famosos da história, propriedade da King, adquirida pela Activision Blizzard por US$ 5,9 bilhões há seis anos.

Para mim, a estratégia da Microsoft está clara. Agora estou tentando entender o que a Sony fará. Dona de exclusivos muito aclamados como God of War, Uncharted e Horizon, ela deve faturar mais com o COD para PlayStation, do que com todos esses exclusivos. Enquanto a guerra é dos consoles ela está na pole, mas se o jogo virar… Por enquanto, existem apenas rumores de que o projeto Spartacus, o serviço de nuvem do PlayStation, vai sair do papel este ano.
Ele deve unir a PlayStation Plus (serviço pago de assinatura PlayStation, que fornece aos membros dois jogos por mês, além de acesso ao modo multiplayer online) e PS Now, o serviço de streaming do PlayStation. Recentemente, a Sony parou de vender cartões da PS Now nos USA e Inglaterra, o que está sendo interpretado como um sinal de que o Spartacus está evoluindo.

A maior arma do Playstation até o momento é acenar com a retro compatibilidade. Além de jogos via nuvem, o serviço deve oferecer títulos clássicos de PS1, PS2, PS3 e PSP. Uma espécie de Vale a Pena Ver de Novo.

E enquanto eu terminava esse artigo, a Sony fez a proposta de compra da Bungie, por US$ 3,6 bilhões. Os dois títulos mais famosos que nasceram nesse estúdio, um dos mais antigos do planeta, são Destiny e Halo, este último um dos grandes exclusivos do Xbox atualmente. A Bungie é especializada em jogos de tiro e já foi parceira Microsoft e Activision, mas isso é uma outra história. O jogo está ficando interessante. Vamos aguardar para ver de onde vem a próxima granada de fragmentação!

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