Bullet cria agência com talentos da periferia

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Bullet cria agência com talentos da periferia

Dedicada a projetos, produtos e campanhas focados nas demandas de comunidades, Responsa nasce em parceria com a empreendedora social Monique Evelle

Renato Rogenski
2 de setembro de 2019 - 7h08

 

Samuel Gomes, embaixador da Responsa dentro da Bullet (em pé, ao centro) e os selecionados para a nova agência (Crédito: Divulgação)

Desde uma série na Netflix até comerciais de grandes marcas na TV aberta, o público das periferias do Brasil hoje demanda uma comunicação mais representativa e produtos e serviços que dialogam melhor com as suas necessidades. De olho na questão, algumas agências de publicidade têm tentado estabelecer pontes que permitam essa aproximação. A mais recente iniciativa é da Bullet, que acaba de lançar a Responsa, uma agência formada exclusivamente por profissionais de comunidade e com um olhar de desenvolvimento social e cultural, mas sem perder o foco na geração de negócios. A empresa, que terá como sede o Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, nasce da sociedade da Bullet com Monique Evelle. Ex-repórter do Profissão Repórter, da Globo, ela também é empreendedora e tem outros negócios como os projetos de comunicação Desabafo Social e Sharp, e a consultoria Evelle.

Sócio e CBO da Bullet, Eduardo Andrade explica que o projeto é uma via de mão dupla. Neste contexto, as conexões entre empreendimentos, marcas e comunidades podem acontecer de diversas maneiras, seja com negócios criados na periferia e para a periferia, outros que surgem ali e se expandem para outros espaços ou mesmo grandes marcas que desejam melhorar o seu nível de interação com o público das regiões periféricas, seja por meio da comunicação ou de novos produtos e serviços. “Faz tempo que vínhamos pensando em como aliar o negócio ao social de forma sustentável. A Responsa reflete esse sonho. Vamos desenvolver negócios para marcas a partir de conhecimento e conversa com essa grande parcela da sociedade”, diz Eduardo.

“Além de produtos e campanhas, a Responsa quer ser uma agência de inteligência, levando a realidade local, com as ações criadas por integrantes das comunidades, da periferia para o mundo”, complementa. Segundo Eduardo, cinco empresas já estão plugadas com o projeto, embora não confirme quais.

“Vamos desenvolver negócios para marcas a partir de conhecimento e conversa com essa grande parcela da sociedade” — Eduardo Andrade

Para a composição de seu time, Eduardo capitaneou nos últimos dias um processo seletivo por meio da agência, primeiramente online, que identificou 30 candidatos de várias regiões de São Paulo. Na segunda etapa, com uma dinâmica presencial na sede da Responsa, o grupo participou da construção de um case da Natura. Como resultado, cinco profissionais foram selecionados no último estágio do processo e vão passar um mês em treinamento dentro da Bullet, conectados com as lideranças da agência. A expectativa é que a operação conte com aproximadamente 30 profissionais até o final do primeiro semestre de 2020. Eduardo também pontuou que diversidade, sob todos os aspectos, é uma preocupação na composição do time da Responsa, incluindo LGBTs, por exemplo.

Eduardo destaca ainda que a Responsa não é um projeto social da Bullet, mas sim um negócio com KPIs próprios, clientes, projetos e processos. Ao mesmo, é evidente que a operação também vai funcionar como um laboratório de mercado e consumo nichados, capaz de produzir insumos para outros negócios da Bullet. Para o publicitário, a cultura das ruas, especialmente da periferia, é um dos movimentos culturais mais fortes da atualidade. Como exemplo, ele cita manifestações como rap, funk e grafite. Em sua visão, é interessante ver hoje uma via de mão dupla para a arte, que antes seguia um processo de cima para baixo, de ser amplificada apenas das classes mais altas para as mais baixas. “Isso tem a ver com a liberdade cultural das redes sociais. Antes as rádios e os canais de televisão não abriam as portas para esses movimentos culturais. Não é uma crítica, é que assim era o modelo de negócio antigo mesmo. Hoje temos um novo perfil de arte e comportamento, e isso não tem volta”, afirma.

*Imagem do topo: Bruno Thethe/ Unsplash

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