Itaú e XP Investimentos entram em conflito

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Itaú e XP Investimentos entram em conflito

Campanha do Itaú Personnalité, criada pela DPZ&T, questiona transparência e efetividade das corretoras; Guilherme Benchimol, CEO da XP, rebate as críticas

Roseani Rocha
24 de junho de 2020 - 15h38

“Em 2020, invista com o Itaú Personnalité. Em 2021, você vai se agradecer por isso” é o arremate de dois dos filmes de uma campanha que anuncia o novo posicionamento do Itaú para os serviços de consultoria de investimentos do Itaú Personnalité, que teve estreia ontem à noite. Nos filmes, produzidos pela O2, sob direção de Fernando Meirelles, o ator Marcos Vera, com pitadas de ironia e humor, interpreta um cliente de investimentos em 2019 e neste ano. No primeiro caso, exalta o fato de ter conta em uma corretora, porque “está na moda” ter um assessor que sugere vários investimentos sem riscos e diz se sentir “o rei de Walt Street”. Mas a mesma pessoa já olhando do ponto de vista de 2020 e, claro, após a crise da pandemia, diz ter percebido que não havia risco “para o corretor”, que ganhava comissão por tipo de investimento. E finaliza exaltando a isenção dos profissionais do Personnalité.

Outro comercial é protagonizado por alguns dos 900 especialistas em investimento do Personnalité. Eles ressaltam que a carteira de investimentos é para “o cliente” ganhar, que sua remuneração não muda de acordo com essas opções e que seguem uma filosofia de não trabalhar nem com euforia, nem com pânico.

A própria XP Inc., corretora da qual o Itaú é acionista majoritário, mas com direito limitado de voto, se manifestou rapidamente. No LinkedIn, Guilherme Benchinol, CEO e fundador da XP, fez uma longa postagem, com o título “Resposta aos ataques do Itaú”, que começou desta forma:

“Estamos há 20 anos lutando contra um sistema financeiro concentrado que nunca inovou e nunca se preocupou com o que realmente importa: o cliente!

Tenho certeza que os bancos preferem o Brasil do passado, com juros altos e baixa concorrência, explorando ainda mais os empresários e os investidores individuais.

Quem nunca recebeu uma oferta do seu banco com um cheque especial abusivo, um empréstimo com as mais altas taxas de juros do mundo, um “investimento” na caderneta de poupança, um título de capitalização desnecessário, um fundo com taxas exorbitantes, um consórcio para bater a meta do fim do mês e assim por diante?”

Em seguida, destaca o fato de contar com a atuação “ética” de sete mil assessores independentes que trabalham para trazer as melhores oportunidades aos investidores. Além disso, diz que a campanha do Itaú reforça que a XP está no caminho certo. “Para o maior banco do País, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar”, contra-atacou Benchimol, para quem algo que o banco não é nem nunca foi “ser feito para você”.

Finaliza prometendo seguir trabalhando para que os abusos dos bancos acabem e afirmando que o propósito da XP é transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas.

Além de TV, a campanha do Itaú Personnalité contempla mídia digital e OOH. Posteriormente, também a Easynvest, por meio de um tweet, se manifestou a respeito, rebatendo tanto a postura do Itaú quanto a da XP, ao sugerir que o próprio dono dos recursos seja capaz de gerenciá-lo: “Entre o gerente do banco e o assessor, prefira fazer você mesmo. Sem conflito de interesse e mais rentabilidade pra você. Empodere-se.”

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