Cultura mobile impulsiona streaming

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Cultura mobile impulsiona streaming

Iniciativas como o Studio +, da Vivo, e Claro Video são o prenúncio da diversificação dos serviços de consumo de vídeo

Karina Balan Julio
26 de outubro de 2016 - 12h13

Foto: Reprodução

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Já é difícil o bastante escolher entre as inúmeras séries e filmes do Netflix, vídeos do YouTube e aplicativos de programadoras de TV. O crescimento do consumo de vídeos em dispositivos móveis está expandindo o mercado de streaming para além dos players já conhecidos, abarcando outros setores que almejam uma fatia deste mercado.

Na semana passada, a Vivo lançou o serviço de streaming para mobile Studio +, em parceria com Vivendi, controladora do Canal + e Universal Music, com mais de 15 séries de diversos países filmadas exclusivamente para o celular. A iniciativa marca a entrada de uma operadora de telefonia no campo de conteúdo original para mobile, muito embora as plataformas de VOD já sejam senso comum entre empresas do segmento. A Claro, por exemplo, lançou em 2013 a Claro Vídeo, que hoje conta com um portfólio de mais de 20 mil títulos e uma série original.

Em 2015, a receita de serviços OTT (Over the Top) para consumo de conteúdos de TV via internet no Brasil foi de U$ 180 milhões, valor que deve chegar a U$ 462 milhões em 2018, de acordo com o eMarketer. Além disso, 57% dos espectadores de TV entre 14 e 55 anos preferem o smartphone para assistir a vídeos digitais

“É uma tendência de mercado de tráfego de dados móveis. Algumas pesquisas indicam que as pessoas gastam mais de 50% do tráfego com vídeos. Se você olhar exclusivamente os millennials, o consumo é ainda maior”, diz Christian Gerbara, vice-presidente de marketing da Vivo.

A disputa pelo tempo do espectador, independentemente da plataforma, faz com que empresas de TV paga e operadoras tenham interesse em ocupar também as telas de celular, numa oportunidade de diversificar receitas. Provedoras como America Movil/Claro, NET, Sky, Vivo/Telefonica e Oi podem se valer de sua infraestrutura e lançar seus próprios serviços em parceria com grandes estúdios como Disney, Sony, Amazon e Fox, por exemplo.

Victor Azevedo, professor do Ibmec e sócio da empresa CodeZone, acredita que, se outros segmentos quiserem adentrar esse mercado, precisarão amadurecer seus modelos de negócio para competir com os gigantes do vídeo.

“É uma saída que pode ou não acontecer. Ir para outros modelos de negócios como esse é algo muito complicado para empresas como a Vivo, pois altera muito sua entrega principal, ou seja, altera toda uma cadeia de trabalho, e não havendo cultura empresarial, essa cadeia não será modificada o suficiente”, avalia.

Para ele, as fusões e aquisições de operadoras no setor da TV fechada abriram muitas portas para o streaming, mas, no mobile, a escalabilidade de serviços é acirrada pela competição com os players globais. “Imagine que cada produtora de conteúdo ou operadora de celular decida criar um Netflix ou um Youtube para chamar de seu, esse mercado ficará saturado e os usuários irão consumir aqueles que mais se adequam as suas rotinas”, acrescenta, citando como exemplos plataformas de nicho como Twitch e YouTube Gaming.

O vice-presidente de marketing da Vivo destaca que os serviços de valor agregado totalizaram R$1 bilhão em receitas para a Vivo no primeiro semestre deste ano, complementando a oferta básica de voz, SMS e dados.

Para Fabiano Gullane, da Gullane Filmes, produtora que realizou o primeiro projeto brasileiro para o Studio +, as novas plataformas de streaming serão complementares, assim como o cinema, o rádio, a televisão foram se somando. “Falamos muito das múltiplas telas, da cauda longa, de como os projetos deveriam ter realmente essa característica de poder ser explorado no cinema, televisão e digital. Está crescendo, ano após ano, o investimento de infraestrutura de produção de conteúdo para a mídia digital”, destaca.

Ação em cadeia

Para Victor, o maior desafio será migrar o público que consome os serviços atuais, o que se dará pela experimentação e pela venda casada de planos e celulares, e descontos para os clientes. Em sua avaliação, outro desafio será posto quando empresas grandes e pequenas começarem a testar ideias não exploradas no setor.

“Isso é muito comum em um mercado baseado na economia criativa, empresas com ideias interessantes surgindo a cada momento preenchendo lacunas que as grandes corporações não conseguem preencher por serem muito grandes. Isso aconteceu com o Google, com o Netflix e Facebook”, finaliza.

Segundo Fabiano, a possibilidade de produzir conteúdo original para mobile não é um trunfo apenas para as detentoras do serviço, como também um novo arcabouço de possibilidades para produtoras. “Para os produtores independentes, especialmente, é mais uma janela, é mais um mercado que se abre”, diz ele.

Isso reforça desafios já superados por youtubers e coletivos de vídeo para internet, que é o de construir narrativas curtas e que tenham uma estética adequada para o suporte digital. “Há uma preocupação muito grande em não filmar muitos planos gerais, filmar mais closes, não fazer movimentos muito bruscos com a câmera, trabalhar um tipo de mixagem de som onde os canais de diálogo e voz sejam mais privilegiados”, acrescenta Fabiano.

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