Porquê a Rio 2016 conquistou o ouro

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Porquê a Rio 2016 conquistou o ouro

Reversão da expectativa, Boulevard Olímpico e outros fatos marcaram os Jogos Olímpicos


21 de dezembro de 2016 - 9h51

Por Fernando Murad e Teresa Levin

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 foram pródigos em emoções antes, durante e depois da sua realização, como a reversão da expectativa em relação da capacidade do País entregar o evento, o sucesso do Boulevard Olímpico, primeiro live site fora do Parque Olímpico, e o desempenho da torcida e dos atletas, por exemplo. Veja, a seguir, dez fatos de destaque da Rio 2016 selecionados pela redação de Meio & Mensagem.

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crédito: David Rogers/Getty Images

Reversão da expectativa quanto à capacidade do Brasil
A crise econômica e política já assustava, e absurdos como a queda de parte da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, além do surto de zika vírus, indicavam que os Jogos Olímpicos Rio 2016 poderiam dar errado. Ao menos este era o temor que afligia brasileiros e estrangeiros. Mas se os olhares iniciais eram pessimistas, eles rapidamente deram um giro de 180 graus: o otimismo tomou conta enquanto a organização, a mobilidade, a infraestrutura e, principalmente, os atletas e a torcida deram um show ao longo da competição. A torcida participativa até quando não tinham brasileiros na disputa, chegando a vibrar com a atuação de um juiz. Já as vaias de brasileiros a estrangeiros causaram polêmica: enquanto uns classificaram como fruto do calor da população local, outros consideraram falta de educação. Polêmicas à parte, os Jogos terminaram sob aplausos e elogios do mundo. Mesmo a conta, que vem chegando aos poucos, especialmente para a população do Rio, não apagou o brilho do evento.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 21: Fireworks explode above the Maracana Stadium at the end of the closing ceremony of the Rio 2016 Olympic games on August 21, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Pascal Le Segretain/Getty Images)

crédito: Pascal Le Segretain/Getty Images

O poder de contar uma história
Bastou a contagem regressiva se iniciar no Maracanã na noite de 5 de agosto para que os Jogos Rio 2016 conquistassem o público. Um time com estrelas como Daniela Thomas, Andrucha Waddington e Fernando Meirelles, comandado por Abel Gomes, da empresa Cerimônias Cariocas, conseguiu elevar a autoestima do brasileiro com pouco mais de três horas de apresentação. Criado para a TV, o espetáculo foi visto por mais de três bilhões de espectadores. Com projeções a cargo de Fabião Soares e coreografias de Deborah Colker, o show da abertura arrebatou a população ao redor do mundo e a mídia internacional. Beleza, leveza, suavidade e doses grandiosas de emoção conquistaram a audiência e fizeram o brasileiro voltar a ter orgulho. Exagerado? Não diante do espetáculo que trouxe Paulinho da Viola com sua elegância cantando o hino nacional e seguiu com nomes que vão de Gisele Bündchen ao gari Sorriso, de Anitta a Caetano Veloso e Gilberto Gil, Regina Casé a Marcelo D2 e Jorge Benjor.

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crédito: Chris McGrath/Getty Images

Boulevard Olímpico, o novo point do Rio
Antes um ponto abandonado da cidade, a região já é chamada de “a nova praia dos cariocas” e é a estrela da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. O projeto do Boulevard Olímpico, que teve criação e organização da Gael, se tornou um dos principais legados dos Jogos Olímpicos. Foi a primeira vez que uma edição das Olimpíadas teve um live site fora do Parque Olímpico, e o reconhecimento do espaço veio não só pelo público, mas também pelas marcas: Bradesco Seguros, Coca-Cola, Skol e Nissan estiveram entre os anunciantes que apoiaram o projeto. O interessante foi que os Jogos acabaram, mas o espaço ficou como presente para a população. Desde que a pira paralímpica foi apagada no Maracanã, em 18 de setembro, diversos eventos já ocuparam os armazéns do Boulevard como a ArtRio, o Parque de Natal, o Wired Festival e o Rio Gastronomia. Em janeiro do ano que vem será a vez da realização da Arena Banco Original.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JUNE 30: General view of the Rio 2016 Megastore at Copacabana beach on June 30, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

crédito: Buda Mendes/Getty Images

Palco de inovações
Não são apenas os atletas que buscam superar seus limites. A cada edição dos Jogos, os patrocinadores oficiais aproveitam para introduzir novidades em termos de produtos e serviços. A Visa, por exemplo, apresentou no Rio wearables de pagamento móvel como a pulseira Bradesco Visa, o relógio Bellamy, em parceria com a Swatch e um anel — distribuído exclusivamente para os atletas. A Samsung lançou o Galaxy S7 Olympic Edition (cada atleta ganhou um) e o Gear IconX (fone de ouvido sem fio). A Nissan, por sua vez, introduziu o Nissan Kicks, primeiro modelo feito pelo time de designer da empresa no País. Já a Adidas colocou em evidência duas tecnologias: a Boost, sistema de amortecimento, e a AdZero, cujo foco é velocidade. A também alemã Puma testou a Disc, sapatilha sem cadarço, e a Ignite Duo, sapatilha que propicia amortecimento atrás e flexibilidade na frente. Parceira dos Jogos, a Nike apresentou os calçados Unlimited Colorway, a tecnologia Flyknit (cabedal moldável), Aeroswift (que repele umidade na camisa) e Aeroblades (que diminui o atrito com o ar).


Cobertura 100%

(Créditos: Bob Paulino/BP Filmes)

(Créditos: Bob Paulino/BP Filmes)

Vencedor do Caboré 2016 na categoria Veículo de Comunicação — Produtor de Conteúdo, o SporTV fez nos Jogos Olímpicos a maior cobertura televisiva de sua história. Com 16 canais comentados e narrados na TV paga e 56 sinais na internet, foram mais de quatro mil horas de transmissão. O projeto contou com o envolvimento de 1.591 profissionais que cumpriram a meta de transmitir 100% da Olimpíada. Segundo dados do canal, em mais de 2,4 mil horas de transmissão ao vivo em 17 dias, a rede SporTV alcançou 38 milhões de pessoas. Foram 29% mais telespectadores do que o obtido em Londres 2012, e 27% a mais do que a soma do desempenho de todos os canais esportivos fechados concorrentes no mesmo período (em número de telespectadores impactados). Entre os destaques do canal esteve o programa É Campeão, que levou ao ar um time de comentaristas de ouro, com nomes como Mark Spitz, Bart Conner, Nadia Comaneci, Carlão, Greg Louganis e Javier Sotomayor

Bolt e Phelps no panteão

(Créditos: Adam Pretty e Harry How-Getty Images)

(Créditos: Adam Pretty e Harry How-Getty Images)

Ícones e nomes já consagrados em suas respectivas modalidades, o velocista Usain Bolt e o nadador Michael Phelps saíram da Rio 2016 como lendas olímpicas. O jamaicano se tornou o único atleta tricampeão olímpico dos 100 metros rasos, 200 metros rasos e revezamento 4 por 100 metros. Já o norte-americano se tornou o maior medalhista de todos os tempos. Com as cinco medalhas de ouro e uma de prata conquistadas no Rio, Phelps encerrou sua carreira com 28 medalhas, 23 delas douradas, deixando para trás os casos polêmicos (como o uso de maconha após os oito ouros em Pequim 2008, e a condenação, em 2014, por dirigir bêbado). Phelps acumulou mais de US$ 94 milhões em patrocínio ao longo da carreira, segundo a Money Nation. Atualmente, tem acordos com Beats by Dre, Intel, Omega e Under Armour. O jamaicano, por sua vez, que soma mais de US$ 108 milhões em patrocínio na trajetória esportiva, atraiu a atenção até de marcas brasileiras. O astro protagonizou campanhas do banco Original e do analgésico Advil após a Rio 2016.

Fox Sports_300A nova casa do Fox Sports
Lançado no mercado brasileiro em 2012, o canal Fox Sports aproveitou os Jogos Olímpicos Rio 2016 para inaugurar sua nova sede na capital fluminense, localizada na região da Barra da Tijuca. O prédio, de três andares e com uma construção baseada no conceito de sustentabilidade, tem três grandes estúdios, oito ilhas de edição de imagem e duas de som, três switchers, quatro cabines off tubes (para transmissão de eventos), 20 salas técnicas e 27 escritórios distribuídos em uma área total de quatro mil metros quadrados. Com as melhorias, a capacidade de produção subiu de sete mil horas de programação por ano para cerca de 11 mil horas. A nova estrutura foi responsável por 80% da produção de conteúdo da Fox Sports na América Latina. Além de dar conta de 24 horas diárias de programação dos dois canais Fox Sports no Brasil, a nova sede enviou 12 sinais para outros países da região.

Sucesso paraolímpico

(Créditos: Hagen Hopkins / GettyImages)

(Créditos: Hagen Hopkins / GettyImages)

O sucesso na venda dos ingressos, o envolvimento dos brasileiros com a competição, a participação inédita de atletas refugiados e o ótimo desempenho dos atletas foram as grandes marcas dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. O comitê organizador superou a meta de 2,1 milhões de ingressos comercializados. Foram vendidos mais ingressos para o judô paralímpico do que para o olímpico, por exemplo. Além disso, os boulevares olímpicos do Porto Maravilha e de Campo Grande receberam um público total de 950 mil pessoas. Já a cidade do Rio recebeu 243 mil turistas durante o evento e teve uma movimentação econômica adicional de R$ 410 milhões. Em termos de desempenho esportivo, foram 592 recordes paralímpicos e 208 recordes mundiais. O argelino Abdellatif Baka, por exemplo, venceu a prova dos 1.500 metros na classe T3 (para atletas com baixa visão) com o tempo de 3 minutos 48 segundos e 29 centésimos, abaixo dos 3 minutos e 50 segundos do norte-americano Matthew Centrowitz, ouro na mesma prova na Rio 2016.

Tour da Tocha

(Créditos: Andre Mourao-GettyImages)

(Créditos: Andre Mourao-GettyImages)

Foram 95 dias, 26 mil quilômetros por terra, passando por 325 cidades dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. O Revezamento da Tocha Olímpica, que começou em 3 de maio e se encerrou em 5 de agosto, no Maracanã, contou com 12.494 condutores. Realizado pela Cerimônias Cariocas, formada pela união da SRCOM e da italiana Filmmmaster Group, o Revezamento contou com o patrocínio de Bradesco, Coca-Cola e Nissan, que fizeram ativações em todo o percurso. Não faltaram nomes prestigiados do mercado entre os condutores: de Washington Olivetto, da WMcCannn, a Andrucha Waddinton, da Conspiração, passando por Luiza Trajano, do Magazine Luiza. O projeto também envolveu histórias marcantes de brasileiros: o Bradesco realizou uma campanha para escolher seus condutores que deveriam ser pessoas que fizessem a diferença em suas comunidades. Ao todo, foram enviadas mais de 15 mil histórias.

Publicidade cai no gosto da torcida

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(Créditos: Reprodução)

Os temores iniciais e o pessimismo em relação aos Jogos Olímpicos Rio 2016 sumiram e as marcas tiveram no evento um grande palco para ativações e reforço de imagem. Coca-Cola e Bradesco foram os anunciantes que mais se destacaram, segundo um estudo do Datafolha. O instituto realizou 2,5 mil entrevistas durante o evento e outras duas mil após o encerramento da Olimpíada em mais de 200 municípios do País. Ao serem questionados espontaneamente sobre as marcas patrocinadoras que lembravam, 27% dos entrevistados citaram a Coca-Cola, enquanto 22% lembraram do Bradesco. As duas ficaram bem à frente da terceira colocada, a operadora de telefonia Claro, mencionada por apenas 5%. Em outra etapa, os pesquisadores apresentaram um cartaz com as 28 marcas patrocinadoras globais e regionais da Rio 2016 para os entrevistados. Mais uma vez, deu Coca-Cola: a marca obteve o primeiro lugar em lembrança estimulada, com 65%; seguida por Bradesco, com 61%; Rede Globo, com 35%; Sadia, com 31%; e, em quinto lugar, a Visa, com 27%.

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