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Indique uma Preta analisa inclusão de mulheres negras

Insegurança e subrepresentação levam mulheres negras à “super performance”, tentativa de entregar um trabalho acima das expectativas para transpor o preconceito

Taís Farias
3 de novembro de 2020 - 13h00

51% das entrevistadas afirmaram que receber promoções foi difícil ou muito difícil nos últimos anos (Crédito: FGTrade/iStock)

A consultoria Indique Uma Preta e a empresa de pesquisa Box1824 lançaram a pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, um levantamento sobre a inclusão de mulheres negras no mundo corporativa. O objetivo do estudo é reforçar os efeitos positivos de ambientes de trabalho mais diversos e identificar os entraves que barram a inserção e promoção de profissionais negras no mercado de trabalho.

O estudo foi desenvolvido a partir de dados qualitativos coletados em grupos de discussão, entrevistas com especialistas, pesquisa de futuro e dados quantitativos, coletados via pesquisa online realizada com mais de mil mulheres negras de todo o país pela plataforma MindMiners. A pesquisa foi realizada entre março e setembro de 2020, já dentro do contexto da pandemia da Covid-19. O ponto de partida do projeto foi entender por que, apesar de representarem a maior força de trabalho no país, a população negra segue subrepresentada no mundo corporativo.

Segundo o estudo, a falta de oportunidades de crescimento profissional é a principal causa de insatisfação das mulheres negras. Questionadas, 51% das entrevistadas afirmaram que receber promoções foi difícil ou muito difícil nos últimos anos, 37% se disseram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com esse fator, e 54% das mulheres negras de classe CDE afirmam que o reconhecimento profissional é difícil ou muito difícil.

As profissionais também relatam falta de segurança, o que as faz questionar suas habilidades com frequência. De acordo com o levantamento, 44% se sentem inseguras para acreditar no seu potencial e trabalho, 42% temem se posicionar ou falar em espaços coletivos, 41% têm a qualidade de vida alterada (sono, ansiedade, bem estar), e 32% fazem alterações compulsórias sobre a estéticas para se adequar à espaços de trabalho. Essa insegurança leva a as mulheres negras a uma busca pela “super performance”, uma tentativa de entregar um trabalho acima das expectativas para transpor o preconceito.

Essa sobrecarga gera prejuízos físicos e mentais nas profissionais. 44% as mulheres de classe CDE que consideram a qualificação profissional difícil ou muito difícil. Apesar disso, as entrevistadas pretendem continuar se aprimorando: 43% pretendem voltar ou continuar a estudar; 31% querem fazer cursos específicos de capacitação em sua área; e 33% desejam buscar melhores condições de trabalho.

Apesar do aumento das iniciativas de diversidade e inclusão, os preconceitos e dificuldades enfrentados pelas profissionais estão marcados nas hierarquias das empresas. O levantamento aponta que 72% das mulheres negras não foram lideradas por outras mulheres negras nos últimos cinco anos de trabalho, contra 28% que foram. De todas as entrevistadas, nenhuma é CEO e apenas 2% é diretora no atual trabalho, contra 3% de gerentes, 3% de supervisoras/coordenadoras, 3% de sócias/proprietárias, 8% de analistas, 18% de administrativo/operacional, 23% de assistente/auxiliar e 5% de estagiários/trainees.

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