Aumenta a confiança dos brasileiros nas empresas

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Aumenta a confiança dos brasileiros nas empresas

Edelman Trust Barometer 2021 indica que companhias são a única instituição confiável, competente e ética para 61% dos brasileiros

Giovana Oréfice
11 de março de 2021 - 10h30

Pesquisa foi realizada entre outubro e novembro de 2020 em mais de 20 países (Crédito: Divulgação)

A agência global de comunicação Edelman apresenta nesta quinta-feira, 11, a 21ª edição da Edelman Trust Barometer, pesquisa realizada anualmente em 28 países. Os resultados levantados indicam o índice de confiabilidade dos entrevistados em relação a quatro instituições: governo, ONGs, mídia e empresa. Como forma de levantar o alerta ao combate das fake news, o estudo deste ano recebeu o tema “Decretada a falência da informação”. Um dos destaques é a relação entre o público e o modo que costumam consumir e repassar informações. 

Realizado entre os meses de outubro e novembro do ano passado, a pesquisa ouviu 33 mil pessoas. Os entrevistados foram divididos entre público informado, indivíduos de 25 a 64 anos do topo da pirâmide econômica em termos de renda e que tenham um consumo regular de notícias; e público total, àqueles que não atendem requisitos para se classificarem como informados. Juntos, configuram o público geral. 

Ainda que a imprensa e o governo tenham registrado aumento do nível de confiança – com 48% e 39% respectivamente – , as empresas são consideradas a única instituição confiável, competente e ética por 61% dos brasileiros. A confiança se mantem alta mesmo com a baixa de 3 pontos em relação ao ano anterior. As ONGs permanecem em nível de neutralidade, com percentual de 56%. A tendência é vista também em outros 18 países. Do ponto de vista da Edelman, o resultado pode estar relacionado à falhas dos governos ao atender demandas da sociedade — papel assumido pelas empresas. 

Em relação ao ano passado, o resultado de neutralidade em relação às instituições permanece em 51%. A média global dos 27 países analisados – com exclusão da Nigéria – também apresentou mudança pouco significativa, de apenas dois pontos percentuais, passando de 54% para 56%. Para Ana Julião, gerente geral da Edelman Brasil, a ausência de mudança em relação ao índice brasileiro é um dado significativo, uma vez que não há manifestação efetiva da população em meio à crise que o País viveu em 2020.

Efeito fake news

Um resultado que chama a atenção é o nível de confiabilidade nas instituições do público informado (62%) e da população em geral (47%). No Brasil, existe uma disparidade de 15 pontos quando comparado ao número do ano anterior. “Essa é uma diferença histórica no País e no mundo. Isso significa um aumento gritante da polaridade e da desigualdade. O topo da pirâmide, que configura um público mais rico e com mais acesso à informação, confia mais no Brasil do que o restante da população”, comenta Julião.

Além disso, a pandemia é um reflexo da preocupação dos indivíduos em relação ao consumo de informação e fake news. De acordo com o estudo, o indicador “Meu empregador” mostrou que 79% das pessoas no País depositam suas crenças na empresa em que trabalham. “A confiança é local. As pessoas tendem a confiar muito mais naquilo que é familiar e próximo, inclusive como uma fonte crível e segura. Elas esperam que as empresas sejam fontes de informação no meio dessa batalha em que tudo chega muito conflitante e de diferentes locais”, explica Ana Julião. Segundo ela, o mundo vive uma crise de credibilidade, o que leva o empregador a assumir uma posição de liderança.

Para dar foco às fake news, a Edelman Trust Barometer incluiu na classificação deste ano o termo “informação limpa”, baseada em quatro critérios: engajamento com notícias em diferentes fontes, o ato de evitar bolhas de informação, checagem de informações e a não amplificação daquelas não verificadas. O entrevistado que atendeu a pelo menos três dos quatro requisitos foi considerado um consumidor de informação limpa. 

O percentual do Brasil para o indicador alcançou apenas 32%. “É um número de pessoas muito baixo que praticam o que chamamos de informação limpa. 67% dos entrevistados compartilham ou encaminham novos itens que acham interessantes sem checar a veracidade da informação”, declarou a gerente geral da Edelman no Brasil.

Apesar disso, cresceu o número de pessoas que demonstram vontade em priorizar, para além da família, a melhora do letramento de mídia, com crescimento de 68 pontos (74% dos entrevistados), e conhecimentos científicos, alta de 65 pontos (71%). A vontade de combater notícias falsas também aumentou, chegando a 75% da amostra, contra 5% na edição anterior.

Covid-19

A pandemia de coronavírus também está moldando o medo dos entrevistados: 88% responderam que o principal receio é perder o emprego e 55%, contrair a doença, número que equipara-se aos medos relacionados à mudanças climáticas. Enquanto isso, 56% têm a preocupação de que o cenário atual acelere o ritmo com que as empresas substituam trabalhadores humanos por inteligência artificial e robôs.

O levantamento mostrou as pessoas positivas em relação à vacinação contra a Covid-19: 74% das pessoas no mundo se declararam dispostas a tomar a vacina. Com os brasileiros, o índice sobe para 76%, ocupando o segundo lugar no ranking e perdendo apenas para a Índia. É importante ressaltar que a pesquisa foi apurada antes do início das campanhas de vacinação globais. 

O público analisado foi dividido entre os que consomem e os que não consomem a chamada informação limpa. Mundialmente há uma diferença de 11 pontos entre ambos os grupos. Ou seja, aqueles que têm uma boa prática com a informação (70%) estão 11% mais dispostos a tomar a vacina do que aqueles que não se informam de maneira adequada (59%). Já no Brasil, essa diferença é quase inexistente. A Edelman entende que o resultado pode estar ligado ao fato de o brasileiro estar acostumado com a vacinação por conta do histórico do País com campanhas de imunização em larga escala. 

* Crédito da imagem no topo: Shutterstock/BOOCYS

 

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