Desigualdade salarial entre gêneros atinge influenciadores

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Desigualdade salarial entre gêneros atinge influenciadores

Apenas no Norte e Nordeste do Brasil as mulheres recebem mais do que os homens

Thaís Monteiro
31 de março de 2020 - 6h00

A desigualdade salarial entre gêneros é uma discussão antiga na sociedade. No entanto, sua existência permeia, inclusive, setores relativamente novos da economia criativa, como é o caso do mercado de influenciadores. O estudo “Machismo, Sexismo & Equidade no Marketing de Influência”, realizado pela Squid em parceria com o YouPix, revela que o homem criador de conteúdo ganha, em média, 20,8% a mais que as mulheres – apesar de elas serem a maioria nessa área.

 

Diferença salarial pende para o lado feminino quando se trata de saúde e finanças (Crédito:r Ubazon Azman Jaka/iStock)

A pesquisa foi realizada com 2.800 influenciadores cadastrados na Squid, de 37 diferentes categorias de conteúdo, que residem em todo o Brasil. Desses, 78,4% se identificam como mulheres, 20,6% se identificam como homens e 1,1% se identificam como não-binários. Os influenciadores responderam o quanto recebiam para produzirem conteúdos como fotos e vídeos no feed e stories de suas redes sociais. Com isso, foi feita uma média dos valores indicados por homens e mulheres e, então, a comparação entre os dois resultados.

A discrepância entre o cobrado por homens e mulheres influenciadores é maior nas categorias de conteúdo tecnológico, geek e nerd, gastronômico, decoração e automobilístico. De acordo com o levantamento, o cachê de homens chega a ser duas vezes maiores do que o das mulheres. A média de recebimento dos homens também é maior nas categorias de moda e beleza, nas quais há um maior número de influenciadoras do gênero feminino.

Para Isabela Ventura, CEO da Squid, é necessário considerar o fato de que 40% das produtoras de conteúdo são mães e, consequentemente, tem mais responsabilidades  financeiras e necessidade de geração de renda – o que, segundo ela, pode acarretar na cobrança de um valor menor por um trabalho que um homem exigiria um pagamento maior. O mais surpreendente é perceber que mesmo nós mulheres sendo maioria e mesmo o nosso mercado sendo inovador, ainda sim repetimos os padrões de mercados mais conservadores. O que me faz questionar qual é o tipo de informação necessária para que nós, realmente, nos conscientizemos e façamos uma mudança significativa”, questiona.

As mulheres só superam, e com grande distância, os homens em finanças, saúde e medicina. Nos dois últimos, a diferença é de 123%. O que reforça um comportamento que mapeado pela Rede Tear – rede de iniciativas femininas para diminuir a desigualdade no mercado de trabalho, da qual a executiva é cofundadora – de que são as mulheres as que mais investem seu tempo na produção de capital intelectual ou financeiro, em função das necessidades coletivas, relacionadas à família e o cuidado.

“Pressupõe-se que um mercado nativo da internet, o mercado de influenciadores, teria um comportamento mais consciente, diante do grande acesso que temos às informações e tendências mundiais. Logo, pensávamos que esse pensamento já poderia ter impactado uma mudança de comportamento. Mas não é bem assim e, hoje, nos parece que muito é dito, porém ainda muito pouco é implementado. Inclusive, é surpreendente ver que a discrepância salarial aumenta significativamente na região sudeste, saltando de 20,8% para 36,7%”, opina a executiva.

Nessa região, inclusive, os homens recebem, em média, 33,4% a mais que as mulheres. Ainda assim, o local é onde os influenciadores cobram mais, se comparado às demais localidades (o influenciador do Sudeste cobra 36,7% a mais do que um influenciador do Nordeste, por exemplo). Porém, é no Norte e Nordeste do País em que as mulheres se sobressaem e recebem mais do que os homens, ainda que em uma porcentagem menor: 3,6% e 6,7%, respectivamente. Para a Squid, as regiões representam mercados ainda em expansão no segmento. No último ano, o número de cadastrados na base da empresa aumentou em 284% no Norte e 371% no Nordeste.

Quando se trata de idade dos profissionais criadores de conteúdo, a menor diferença do valor cobrado entre gêneros na profissão acontece entre pessoas de 25 a 34 anos, cuja distância é de 21,1%. A maior, 32,5%, acontece na faixa de 35 a 50 anos. “São influenciadores que começaram sua carreira em um mercado que estava despontando como novidade”, coloca a executiva da Squid. São os mais velhos que também cobram mais pelas ações. Quanto mais velho o influenciador, maior o valor médio cobrado.

**Crédito da imagem no topo: Georgia de Lotz/Unsplash

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