Coronavírus leva canais abertos a apostarem em streamings

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Coronavírus leva canais abertos a apostarem em streamings

Pandemia estimula emissoras, como Globo, Record e SBT, a oferecerem conteúdo gratuito e limitarem entrega de dados

Victória Navarro
9 de abril de 2020 - 6h00

A rápida disseminação do novo coronavírus (Covid-19) ao redor do mundo levou emissoras, como Globo, Record e SBT, a ampliarem a entrega de jornalismo aos seus telespectadores. No entanto, o bombardeio diário de informações relacionadas à pandemia, bem como o aumento de tempo da população dentro de suas casas, fez os canais abertos a olharem, também, com mais atenção o entretenimento. Entre as apostas das emissoras, está o aumento de investimento direcionado à plataformas de streaming próprias, que, agora, passam a contar com conteúdo gratuito e até mesmo estratégias de comunicação expandidas.

“O consumo de conteúdo em multiplataformas impactará no comportamento futuro das pessoas, mais digitais, conectadas e familiarizadas com os streamings”, diz Alessandro, do PlayPlus

Segundo Alessandro Malerba, diretor de over-the-top do PlayPlus, plataforma de vídeos sob demanda da Record, “as pessoas estão testando diversos formatos digitais. Passam mais tempo nas redes sociais e plataformas digitais, acompanhando lives, participando de webinars e cursos online e ouvindo podcasts. Logo, aumentando o consumo de conteúdo em multiplataformas”. Esse cenário, afirma, certamente, “impactará no comportamento futuro das pessoas, mais digitais, conectadas e familiarizadas com os streamings”.

Recentemente, o SBT, a fim de entreter, criou o SBT Vídeos. A plataforma gratuita permite que o público tenha acesso a toda a programação da emissora, como novelas, realities e séries, seja on demand ou ao vivo. A novidade traz uma interface descritiva. “Decidimos antecipar o acesso a essa plataforma ainda que numa versão inicial, justamente para trazer essa praticidade ao público que está em casa”, disse Fernando Pensado, head de inovação do SBT, em nota oficial.

 

SBT Vídeos é lançado, em meio a pandemia do novo coronavírus, a fim de entreter a população (crédito: divulgação)

Desde 18 de março, o Globoplay, plataforma de streaming da Globo, oferece conteúdo a não assinantes. A medida, que durará, a princípio, 30 dias, contempla mais de 60 títulos infantis e 14 juvenis, o que inclui todas as temporadas de Malhação, séries como Shippados e Sandy & Jr. Além disso, o público pode conferir todos os capítulos da primeira parte da novela Amor de Mãe, que teve suas gravações interrompidas por conta das medidas de contenção do novo coronavírus.

Procurada pelo Meio & Mensagem, a Comunicação do Globoplay afirma que o streaming “está acompanhando de perto a evolução e o impacto da pandemia, na sociedade, e, constantemente, avaliando sua oferta de conteúdo gratuito. O foco tem sido disponibilizar informação e entretenimento de qualidade, para as pessoas que estão em casa, tanto para assinantes quanto não assinantes”.

Por sua vez, o PlayPlus abriu, temporariamente, de forma gratuita para não assinantes, novelas bíblicas e conteúdo infantil. “Acredito que as novelas atingem não apenas o público da Record, mas a todos que buscam refúgio em uma temática mais otimista e com mensagens de esperança”, fala Alessandro. Além disso, na plataforma, é possível encontrar programação dos canais Disney, programas da emissora, como Hora do Faro, Domingo Show e Hoje em Dia, e podcasts, como A Hora da Venenosa. “Acreditamos que nossas tramas poderão levar um pouco de leveza para a rotina das pessoas”, fala o diretor de over-the-top do PlayPlus.

 

O PlayPlus abriu, gratuitamente e para não assinantes, novelas bíblicas (crédito: divulgação)

Para Alessandro, o mercado de streamings mostrava-se promissor, mesmo antes da crise, e segue crescente. O Globoplay e o PlayPlus não abrem números referentes a quantidade de assinantes.

O PlayPlus, conta o diretor de over-the-top, para comunicar as novas estratégias da plataforma, disseminar conteúdo e realizar ações de cross em programas da emissora, usa todos os seus canais de divulgação – TV, redes sociais e portal R7. “Ampliamos, ainda, o sinal em alguns locais, como o Amazonas, fazendo com que a distribuição da programação da própria Record TV seja ampliada, atingindo cidades que não eram cobertas”, adiciona. 

Ademais, a fim de combater a sobrecarga da rede de internet e o maior tempo de carregamento de conteúdo online, gerado pela aumento de tempo das pessoas dentro de casa, o Globoplay limitou a entrega de dados. “Com essa atitude proativa, busca-se evitar um possível colapso da infraestrutura de troca de tráfego público e também garantir uma experiência de qualidade na nossa plataforma”, afirma a empresa, ao Meio & Mensagem. Já o PlayPlus aplica melhorias, constantemente, para que o serviço e a entrega do conteúdo funcionem da melhor forma possível. “Monitoramos nossos serviços, estamos em contato com o nosso público nas redes sociais e oferecemos suporte para qualquer eventualidade”, diz Alessandro.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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