Os planos da primeira mulher à frente do Grupo Playboy

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Os planos da primeira mulher à frente do Grupo Playboy

Cinthia Fajardo comenta os desafios da indústria de conteúdo adulto e a inclusão da audiência feminina

Bárbara Sacchitiello
7 de agosto de 2020 - 6h00

(Crédito: Divulgação)

Cinthia Fajardo já trabalhava no Grupo Playboy do Brasl há oito anos. Após esse período, em que ocupou o cargo de gerente de marketing de produtos digitais e, posteriormente, de líder da divisão de marketing, a profissional encarou um desafio inédito no grupo: a de ser a primeira mulher a assumir o posto de CEO da empresa, especializada em conteúdo adulto.

O fato de acompanhar esse mercado há bastante tempo lhe conferiu segurança para a missão, que, além de dar andamento à gestão e negócios das marcas PlayboyTV, SexyHot, Sextreme e Vênus, também traz a oportunidade de lançar uma visão feminina à indústria pornô, que vem sendo completamente transformada nos últimos anos pela chegada dos meios digitais.

Nesta entrevista, a executiva fala dos planos e desafios à frente dos canais adultos e sobre os desafios de atrair a audiência feminina. “Sabemos que existem muitas mulheres que falam sobre sexo e que gostam de pornô, então estamos trabalhando para atender também essa demanda de mercado”.

Meio & Mensagem: Você é a primeira mulher a assumir a liderança do Grupo Playboy no Brasil. Como vê esse desafio?
Cinthia Fajardo: Trabalho no Grupo Globo há cerca de 12 anos. Há oito anos entrei para o Grupo Playboy do Brasil como gerente de Marketing e de Produtos Digitais e, no início desse ano, assumi essa posição de diretora-geral. O fato de já acompanhar o mercado há bastante tempo me garantiu mais conhecimento e profundidade nos assuntos do segmento, assim me sinto segura para dar continuidade e desenvolver algo que ajudei a construir, é muito satisfatório. Ser promovida a diretora-geral sempre traz mais responsabilidades, mas sigo animada para enfrentá-las. É sempre bom quando nosso trabalho é reconhecido, ficamos desafiados a ir além. Além disso, uma mulher na direção de um canal adulto enfatiza o olhar feminino nos conteúdos produzidos. Minha missão é entregar conteúdos que gerem identificação e prazer.

M&M- Quais as maiores transformações que você considera que a indústria de conteúdo adulto está vivenciando nos últimos anos?
Cinthia: Ao olharmos a linha do tempo, percebemos que a pornografia evoluiu principalmente em relação à acesso, disseminação e aceitação. Essa evolução está relacionada às mudanças de contexto e novos comportamentos das pessoas, e, também, tem a ver com a proliferação de diferentes devices e formatos de produção.
Além disso, hoje, há uma preferência por filmes mais reais, principalmente se bem produzidos. Considerando que realismo não é amadorismo. É a sensação do ‘poderia ser eu’ naquela história. Por exemplo: não necessariamente todos os homens musculosos e todas as mulheres cheias de curvas e silicone. O biotipo dos atores pode ser diversificado e mais próximos das pessoas comuns, fora dos padrões da indústria de filmes pornôs hétero. Assim como esse, muitos padrões estão sendo repensados e nós, no Sexy Hot, levamos muito em conta o que o nosso público quer.

M&M: Quais serão as diretrizes de sua gestão? Há alguma mudança que pretende implementar nos canais?
Cinthia: Estamos investindo em melhorias contínuas e em mudanças na nossa plataforma de streaming, esse é o nosso foco. O sexyhot.com.br está de cara nova e com uma experiência mais completa para os assinantes. A mudança, que já está no ar, chega para facilitar a busca por conteúdos e aprimorar a navegabilidade. Além disso, queremos que o nosso conteúdo abrace o maior número de consumidores possíveis, onde todos consigam se sentir representados. Vamos adaptar os filmes do Sexy Hot Produções esse ano para deficientes visuais e auditivos, disponibilizamos conteúdos trans no site, e queremos fazer com que o elenco e as histórias estejam cada vez mais diversas. O público quer histórias mais contemporâneas e situações do cotidiano daqui. Produzir filmes com enredos criativos, que fujam do clichê do pornô e busque a diversidade, é o nosso objetivo. Foi nesse cenário que lançamos o selo Sexy Hot Produções, há 3 anos, para incentivar a produção nacional e valorizar justamente a qualidade dos filmes. Acreditamos nisso e desenvolvemos esse caminho desde então. Além de trazermos temáticas diferenciadas, com roteiros mais elaborados e recursos técnicos de alta qualidade, o canal procura se responsabilizar por toda a cadeia de produção, visando sempre o bem-estar e o cuidado com a equipe, principalmente com as atrizes. Já lançamos 59 títulos próprios.

M&M: Já há alguns anos, com a pulverização das mídias digitais, o acesso das pessoas ao conteúdo adulto ganhou novas opções. Que papel os canais de TV ainda podem ocupar nesse contexto?
Cinthia: Queremos sempre estimular a interação do público com o Sexy Hot. Hoje, há muitas formas de consumir pornografia, mas nem sempre elas estão associadas à legalidade e a qualidade do conteúdo. E isso é muito importante para o desenvolvimento e credibilidade da indústria. Seguindo as tendências atuais e com o propósito de combater o consumo da pornografia ilegal, criamos o Grupo da Pelada no WhatsApp e no Telegram. Através de trechos dos nossos filmes, disseminamos conteúdo legal para promover a diversão de forma gratuita e responsável. Não deixamos também de aproveitar o boom de lives que surgiu durante a quarentena.

M&M: Como líder, de que forma você pretende direcionar alguma estratégia especifica para atrair a audiência feminina dos canais do grupo?
Cinthia: Sim. Desde a criação do selo Sexy Hot Produções e cada vez mais, temos um olhar feminino, que vai desde o argumento do filme, até a produção. De acordo com a pesquisa realizada pela Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado, por encomenda do canal, a participação das mulheres no mercado de filmes pornográficos é um destaque. Elas não consomem pornografia com a mesma frequência e intensidade que os homens, porém veem a pornografia como algo mais funcional. Diante disso, queremos nos aproximar cada vez mais do público feminino, sem deixar de levar em consideração os pedidos e preferências do público masculino. Sabemos que existem muitas mulheres que falam sobre sexo e que gostam de pornô, então estamos trabalhando para atender também essa demanda de mercado. Temos o compromisso de seguir com novas ideias, que impactem o público consumidor de pornô, com responsabilidade e transparência.

M&M: Quais são os maiores desafios que o grupo tem pelos próximos meses e anos?
Cinthia: A indústria pornô tem a vanguarda no seu histórico, sempre revolucionou o mercado. Nosso desafio é continuar inovando e atendendo às demandas do consumidor de conteúdo adulto, por meio do selo Sexy Hot Produções. Em 2020, vamos dar continuidade ao projeto com os lançamentos exclusivos. Além disso, o sexyhot.com.br é um dos nossos grandes desafios de 2020. Já reformulamos o site para melhorar a experiência do usuário e seguiremos atentos ao digital. Além dos conteúdos nacionais das produtoras mais importantes do país e do acervo do Sexy Hot Produções, temos filmes internacionais das marcas Brazzers, Venus e Sextreme.
Queremos ajudar os assinantes a encontrar o conteúdo mais adequado e específico para cada momento de consumo, ser a referência mais confiável, sinônimo de variedade e curadoria.

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