A tecnologia, saúde e justiça social podem salvar a CES?

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A tecnologia, saúde e justiça social podem salvar a CES?

Primeira CES totalmente online abordará o papel da tecnologia em assuntos importantes como justiça social e Covid-19


7 de janeiro de 2021 - 6h37

*Por Garett Sloane, do AdAge

A Sony está prestes a participar de sua 50ª CES. O evento mudou muito desde o primeiro, quando era conhecido pelo nome completo, Consumer Electronics Show. Oito faixas foram substituídas por podcasts de streaming e tubos de raios catódicos por 8K Ultra-HD.

 

(crédito: CES/Reprodução/AdAge)

Este ano, a exposição enfrenta talvez a maior mudança de sua história. A CES será realizada totalmente online, de 11 a 14 de janeiro, um salto tecnológico imposto aos organizadores pela pandemia Covid-19. Em vez do Las Vegas Strip and Convention Center, haverá Microsoft Teams e videoconferência.

A mudança para uma CES totalmente digital não foi fácil para a Consumer Technology Association (CTA), grupo comercial que produz o evento. Uma parte crucial da exposição sempre foi a revelação ao vivo de novos dispositivos e a capacidade dos participantes de se encontrarem cara a cara.

Cheryl Goodman, chefe de comunicações corporativas da Sony Electronics, diz que com a CES virtual começando na segunda-feira, há sinais de esperança. A CES foi construída para mostrar o futuro, e teletrabalho e eventos virtuais são o futuro previsível.

“Se, como associação de tecnologia, você não pudesse convocar uma discussão sobre tecnologia usando tecnologia, então teríamos preocupações”, afirma Cheryl em entrevista por telefone. “Mas estou realmente muito satisfeita, assim como a Sony, que o CTA mudou e disse ‘Você sabe que vamos abraçar totalmente uma plataforma digital.’ E não foi pouca coisa por parte deles”, reforça.

A Sony está entre a lista de fabricantes de eletrônicos, marcas de produtos de consumo e empresas de tecnologia que participam da CES. Além disso, entre os participantes da próxima semana estão Procter & Gamble, Canon, Samsung, LG, Panasonic e mais. O CTA construiu um portal de conferências em parceria com a Microsoft, parcialmente baseado no Microsoft Teams. Entretanto, a lista de expositores virtuais não terá o nível usual de participação de Las Vegas, onde a mostra costuma atrair 4,5 mil empresas que montam estandes no centro de convenções.

Este ano, existe um diretório digital que contará com cerca de 1,8 mil expositores, de acordo com Jean Foster, vice-presidente sênior de marketing e comunicação do CTA. O site da CES 2021 mostra a programação de palestras e painéis. Os participantes podem agendar reuniões e conversas mais pessoais online. Também há flexibilidade incorporada ao programa para que as marcas exibam seus produtos e inovações.

Por exemplo, embora os organizadores do CTA considerassem adotar uma estrutura de realidade virtual, onde talvez as pessoas pudessem interagir como avatares, eles optaram por uma abordagem mais simples. Mas marcas como a P&G podem testar seus próprios tours de realidade virtual em seus espaços digitais privados.

Cheryl comenta que a Sony realizará três sessões digitais; uma coletiva de imprensa e duas sessões de holofotes. O CTA incluiu esses tipos de eventos promovidos em seus pacotes de patrocínio, que podem variar de preço, começando em US$ 1,2 mil e chegando a US$ 85 mil, de acordo com as apresentações da CES obtidas pelo Ad Age.

“Queremos ter certeza de que estamos unindo a indústria e este ano foi tudo para dar a plataforma a essas empresas, assim como faríamos em Las Vegas”, revela Jean. “Queríamos ter certeza de dar a eles essa plataforma e tentamos não torná-la proibitiva em termos de custos para muitas dessas empresas”, complementa.

“Se você pensar em uma CES física mesmo, temos 1,2 mill startups vindo para Las Vegas. Tínhamos que ter certeza de que também havia espaço para essas empresas iniciantes que têm uma tecnologia muito legal. Estamos atendendo a todos esses requisitos diferentes para cada um dos expositores, dependendo de qual ativação (eles estão fazendo) e onde estão”, acrescenta.

O dinheiro que os patrocinadores teriam investido para produzir um evento ao vivo da CES, em vez disso, vai para promoção de mídia social e apresentações de vídeo sofisticadas, afirma Cheryl. “É uma pequena mudança na logística, o que cria estresse para qualquer pessoa do setor”, reforça. “Nossa pressão de desempenho é muito alta porque você está competindo pela atenção de alguém que possivelmente se sentou em sua cadeira por 12 horas naquele dia.”

Pré-show
No início da pandemia, havia a vaga esperança de que, em janeiro, parte do evento ainda pudesse ser realizado pessoalmente. “A intenção ainda era tentar fazer acontecer fisicamente, fazer as pessoas virem para Las Vegas”, revela Julian Mitchell, cofundador do IQ-Labs, que consulta o conselho consultivo do CTA sobre a produção de CES. “Talvez seja limitado, talvez as sessões sejam cortadas, mas a ideia ainda era fazer pessoalmente. Mas obviamente, com o tempo, mudou”.

Mitchell, como consultor, ajudou na programação do CES nos últimos três anos. Como a maioria dos organizadores e participantes, Mitchell sentirá falta da emoção de Las Vegas. “Todo mundo estava em Las Vegas, então você tinha todas as grandes marcas ativas em toda a Strip”, comenta. “Você tinha toneladas de pessoas viajando de todo o mundo. Você entende o quão grande é esse evento”.

O consultor diz, ainda, que a remota CES abre novos caminhos para o evento, que em sua essência é sobre o futuro. “Ok. Se vai ser totalmente digital, e esta é a primeira vez que esta conferência é totalmente digital, esta plataforma global de tecnologia e inovação deve ser usada para ter uma conversa sobre o que o novo futuro parece ”, ressalta.

Não são apenas as grandes empresas de eletrônicos e marcas conhecidas que compõem a CES. Parte do fascínio do evento sempre foi a mídia, publicidade e mundo da tecnologia. É o momento de grandes holdings – Omnicom, WPP, IPG, Havas, Dentsu-Aegis, Publicis – trazerem suas equipes e clientes.

Existe uma aura de negociação em Las Vegas que será difícil de imaginar online. Há sinais de que algumas das maiores empresas de tecnologia estão planejando apenas pequenas aparições na CES virtual. Twitter, Facebook e Amazon, por exemplo, costumam enviar um grande contingente a Las Vegas para lançar suas novas tecnologias de mídia e publicidade. Este ano, todos eles estão planejando menos atividades associadas ao evento, de acordo com pessoas familiarizadas com seus planos.

A MediaLink, propriedade da Ascential, é um dos parceiros mais importantes da CES. A famosa festa MediaLink dá início à CES anualmente e é um dos convites mais cobiçados do ano. Michael Kassan, CEO da MediaLink, ainda está organizando o C Space, uma mini-conferência dentro da CES, para realizar painéis digitais relacionados à mídia e publicidade. A MediaLink tentará aquecer o evento com apresentações online de Dua Lipa e Billie Eilish.

O mundo da publicidade tem estado um pouco hesitante em relação à CES, de acordo com executivos do setor. O CTA manteve os preços dos expositores em níveis semelhantes aos dos anos anteriores. E as empresas que estão preocupadas com os orçamentos este ano podem ter relutado em investir pesadamente no experimento digital do evento. “O pacote de nível mais alto que eles ofereceram é bastante caro, chegando a cerca de US$ 80 mil”, conta um executivo de agência de publicidade, sob condição de anonimato.

O Ad Age obteve argumentos de venda do CTA, promovendo as ativações digitais que começam em US$ 1,2 mil e chegam a US$ 85 mil. Os níveis de patrocínio variam, oferecendo um showroom online básico para uma programação mais aprofundada, incluindo sessões especiais e apresentações.

A Microsoft foi o principal parceiro de tecnologia que construiu a interface personalizada para a CES. “Estamos chamando de local digital para criar este ambiente”, afirma Jean, do CTA. Haverá streaming de vídeo no centro do evento, com uma mesa de apoio para as equipes de mídia da CES narrarem a ação. Os maiores expositores terão acesso especial a conferências ao vivo em salas digitais que acomodam até 2,5 mil participantes, diz Jean. As empresas também podem criar microsites como extensões de sua vitrine virtual.

“Será interessante ver como eles o executam virtualmente; não será a mesma coisa, não poder ver os produtos na vida real ”, comenta John Tubert, vice-presidente sênior de tecnologia da R/GA. “Eu imagino que haverá grandes revelações e grandes apresentações. O que estou mais imaginando é a parte de exibição disso. Espero que eles façam uma forma mais personalizada de poder experimentar algumas dessas coisas, ou de fazer perguntas mais diretamente a diferentes empresas”, completa.

Além de muito dinheiro
Embora seja difícil imitar a emoção online, ainda há trabalho importante a ser feito, diz Mitchell. A programação destaca os principais problemas enfrentados por todos os setores e tecnologia. Existe a crise global de saúde que a tecnologia pode ajudar a mitigar. Além disso, a justiça social está na agenda, com palestrantes falando sobre a importância da diversidade e da responsabilidade corporativa, de acordo com o consultor.

“Isso é apenas algo pelo qual sou apaixonado, que sinto que definitivamente houve um esforço focado neste ano também”, ressalta Mitchell. “Saber disso no ano passado é maior do que apenas eletrônicos de consumo, grandes marcas e muito dinheiro. É também uma questão de impacto social e responsabilidade social e ser progressivo além de apenas novas tecnologias e inovação”, ressalta.

Mitchell falará sobre tópicos como o futuro das cidades inteligentes e conectividade, e ele comenta que espera ouvir líderes da indústria negra como Annie Jean-Baptiste, chefe de inclusão de produtos do Google, e Kenny Mitchell, diretor de marketing do Snap.

Cheryl revela que a Sony também terá assuntos mais profundos para explorar no evento. “Tudo, desde questões de justiça social até o fundo Covid que lançamos, estamos realmente falando a verdade e relevância sobre por que estamos fazendo o evento da maneira que estamos fazendo e como isso mudou a forma como os negócios funcionam”, completa.

O pano de fundo da pandemia também apresenta um cenário urgente para muitas das tecnologias das quais as empresas já falavam há anos. Por exemplo, a P&G montará sua exibição LifeLab, que esteve na CES em Las Vegas nos últimos dois anos, mas este ano será um showroom virtual de 360 graus. “Como fizemos nos anos anteriores, o novo LifeLab Everyday apresentará inovações de ponta em saúde, higiene e dispositivos de consumo de nossas categorias de cuidados domésticos, tecidos e higiene bucal”, afirmou a P&G em seu anúncio. “Além disso, neste ano, apresentaremos inovações transformadoras que alavancam a tecnologia para melhorar a sustentabilidade global, começando em casa”.

Os organizadores do CTA disseram esperar que o evento digital possa servir de modelo para o seu futuro, que voltará a Las Vegas, mas também oferecerá este novo espetáculo digital. Existem desvantagens em conduzir negócios totalmente online, mas, sem dúvida, abre o potencial para que mais pessoas vejam o espetáculo. É uma oportunidade de “colapsar as fronteiras de acesso”, opina Cheryl, da Sony.

*Tradução: Amanda Schnaider

**Crédito da imagem no topo: Piranka/iStock

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