Formação de influenciadores se torna filão de negócios no marketing

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Formação de influenciadores se torna filão de negócios no marketing

Com cada vez mais pessoas criando conteúdo, empresas investes em pilares de formação para creators e também para profissionais que atuam na área

Bárbara Sacchitiello
8 de julho de 2022 - 17h08

(Crédito: DC Studio/Shutterstock)

 

Em maio deste ano, a Nielsen Media Research divulgou um relatório que apontava que o Brasil possui, em média, 500 mil influenciadores digitais, ou seja, pessoas que têm na publicação de conteúdo na internet sua principal fonte de renda e receitas.

O número pode parecer alto para quem não é do meio, mas quem atua na esfera do marketing digital e nas redes sociais não hesita em afirmar que esse dado da Nielsen está subestimado e que, na realidade, há milhões de pessoas, no Brasil, atuando como produtores de conteúdo digital.

Diante dessa nova carreira, que vem atraindo tanto a atenção e o interesse de jovens – e também das marcas – o setor de marketing também vem se movimentando. Já há alguns anos, as agências passaram a se especializar em criação e planejamento de marketing de influência, procurando conectar produtores de conteúdo a marcas que queiram aproveitar seu alcance para alcançar seu público-alvo.

Nos últimos tempos, outro filão desse segmento vem ganhando força, impulsionado diretamente pelo aumento do interesse das pessoas em se tornarem produtores de conteúdo: o de empresas especializadas em formar creators, orientando-os a como gerir sua carreira, e também focadas em profissionalizar pessoas que já trabalham com marketing, conferindo-lhe mais atributos a respeito das métricas, dados e bases que orientam o segmento da influência.

Na semana passada, a Spark, uma das principais empresas de marketing de influência do Brasil, apresentou ao mercado a Spark Academy, uma unidade de negócios dedicada especificamente à educação, com a proposta de oferecer cursos, eventos e produtos direcionados a quem atua no marketing de influência. Davi Goldwasser, CGO da Spark, analisa que o ecossistema do segmento, como um todo, está em fase de amadurecimento e há camadas de conhecimento que ainda precisam ser exploradas.

“O marketing de influência cresceu extraordinariamente nos últimos anos, com grandes investimentos publicitários, novas tecnologias, métricas e processos. As novidades neste mercado surgiram com uma velocidade tamanha que este é um momento importante para compartilhar as melhores práticas e oportunidades com todos os players para que possam extrair os melhores benefícios e resultados destas relações”, diz o executivo.

Para estruturar a unidade Academy, a agência trouxe Eduardo Seib, ex-diretor de marketing e produtos do Me Poupe, como head de operações, e Marina Arrabal, ex-Exame Academy e Me Poupe, como learning leader. A  unidade prevê um calendário de cursos nos próximos meses, apresentados por influenciadores de grande alcance no mercado, a fim de esclarecer como o marketing de influência pode ser melhor trabalhado tanto pelos creators, como pelos profissionais de anunciantes e de agências.

Nicho promissor

Antes da Spark, outras empresas também se preocuparam em contribuir com a formação de profissionais e de criadores de conteúdo. Em março deste ano, o Grupo Dreamers se juntou a Upper para apresentar a Escola do Criador, uma plataforma que tem o objetivo de, por meio de conteúdos, oferecer maior entendimento do mercado a creators e micro influenciadores. Todo o conteúdo da Escola do Criador está alocado em uma plataforma de streaming e o público-alvo são as pessoas que querem se tornar micro-influenciadores.

Várias outras empresas do segmento também estruturaram hubs ou pilares educativos e profissionalizantes para o setor. O YouPix lançou seu primeiro programa voltado à formação de influenciadores em 2016 e sua cofundadora, Bia Granja, reconhece que a iniciativa vem ganhando mais escala, sobretudo após a pandemia, período em que o digital ganhou mais relevância e acabou virando a profissão de muita gente.

“Durante a pandemia, muitas pessoas ficaram desempregadas e passaram a usar o digital para tentar ganhar dinheiro ou fazer negócios. Mas sabemos que existe um gargalo porque há muita gente criando conteúdo, mas não existe ainda uma faculdade, uma formação profissional completa de criador de conteúdo. Como carreira, essa é uma disciplina ainda complexa”, reconhece Bia.

Na visão dela, é natural que, diante de um mercado em franco crescimento, com todo mundo querendo se tornar criador de conteúdo, o setor comece a correr atrás de profissionalizar não apenas essas pessoas, mas também quem já atua com marketing em agências e anunciantes para compreender de forma mais aprofundada os meandros do marketing de influência. “Se cada vez mais são feitas transações e negócios nesse mercado, a indústria precisa começar a qualificá-lo. Há muita gente criativa, que cria conteúdos interessantes, mas que não são profissionais. Temos talentos, mas alguns deles não estão aptos a fazer negócios”, explica Bia.

Disciplina nova

Davi Goldwasser, da Spark, ressalta também que o marketing de influência é uma disciplina nova e os profissionais envolvidos estão absorvendo e criando novidades a cada instante. Porém, com o volume de investimentos no segmento, a relevância que essa disciplina ganhou nas estratégias de marketing das empresas e a adoção da influência digital como profissão, segundo ele, exigem um cuidado cada vez mais profissional de todo o ecossistema. “Números de investimento, tendência da ampliação da profissão, novas tecnologias, são indícios de que esse mercado está apenas no começo e é preciso uma formação e preparação profissional para explorar todo o seu potencial”, defende.

Bia Granja pontua que os cursos de formação estão em expansão não apenas para orientar quem deseja seguir a carreira de influenciador, mas para profissionais de planejamento, de agências e anunciantes. “Hoje precisamos investir na mensuração constante de resultados e pela análise dos investimentos em todas as etapas do funil. O dinheiro das marcas está mais restrito e, portanto, tudo tem que ser muito bem calculado. As empresas estão brigando para ter pessoas que saibam direcionar as campanhas e ações, conseguindo fazer essa mensuração precisa e com muito entendimento do segmento”, reforça a cofundadora do YouPix.

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