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Inspiração

Renata Mendonça: “Demoramos para questionar a falta de mulheres no jornalismo esportivo”

A jornalista e comentarista esportiva da Globo fala sobre as dificuldades das mulheres no esporte e reforça a importância da união feminina na área


1 de agosto de 2022 - 11h13

Por Lídia Capitani

 

Renata Mendonça é jornalista e comentarista esportiva da Globo (Crédito: Globo/Juliana Coutinho)

Renata Mendonça cresceu gostando de futebol, mas sempre se sentiu excluída e diminuída quando tentava conversar sobre o assunto. Mesmo assim, ela quis seguir na carreira de jornalista esportiva. O caminho não foi fácil. Constantes críticas, questionamentos sobre sua capacidade e seu conhecimento sobre esporte, falta de espaço e de representatividade são alguns dos percalços que ela e muitas profissionais do esporte enfrentam.

Em 2015, com a criação do Dibradoras, plataforma de conteúdo para dar visibilidade às mulheres no esporte, Renata mergulhou no universo do recorte de gênero e virou referência para outras meninas que sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. Hoje, vemos mulheres à frente das transmissões de futebol porque outras vieram antes e desbravaram a área, e também porque profissionais e atletas se uniram para lutar por mais representatividade e visibilidade.

Confira nossa entrevista com a jornalista, que é formada em Jornalismo pela Cásper Líbero e pós-graduada em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade pela Fiocruz. Começou sua carreira no jornalismo esportivo como repórter do site da ESPN Brasil, em 2011. Dois anos depois, assumiu o cargo de produtora de esportes de Copa do Mundo na BBC, onde trabalhou até 2018. Desde 2020, comenta futebol no Grupo Globo, e há três anos é colunista de esportes na Folha de S.Paulo.

 

Como foi para você conquistar espaço no jornalismo esportivo sendo mulher? Você enfrentou resistências ou dificuldades? Quais?

Acho que toda mulher enfrenta resistências e dificuldades no dia a dia. Para nós, que trabalhamos com esporte, um meio muito machista que sempre naturalizou esse tipo de comportamento, fica ainda mais difícil. Somos a exceção de mulheres que conseguiram ocupar esse espaço. O que contribui para essa lógica machista é o fato de aprendermos, desde muito cedo, que a menina brinca com bonecas e o menino com a bola de futebol. Esse já é um recado de qual é o espaço que ocupamos. Ao mesmo tempo, acho que demoramos demais para questionar a falta de mulheres no jornalismo esportivo. Vimos sempre com naturalidade o fato de que as transmissões e os programas não tinham mulheres, ou de que as esportistas mulheres eram colocadas nas matérias como a musa da modalidade ou do canal X ou Y, e não víamos matérias sobre os feitos e as conquistas delas.

Da minha parte, por exemplo, eu nunca sonhei em ser comentarista de futebol, porque não imaginava que isso era uma possibilidade. Sempre quis trabalhar no jornalismo esportivo, desde que entrei na faculdade, mas não me via como comentarista porque não havia mulheres com esse cargo nesta época. Acho que agora, com a presença de mais mulheres na área, conseguimos mostrar para as meninas que esse é um espaço também delas. 

As resistências que sempre encontramos estão relacionadas à dúvida da nossa capacidade. Costumo dar um exemplo de fazer uma entrevista para trabalhar em uma redação esportiva. Se os candidatos são uma mulher e um homem, ele parte da nota zero e vai pontuando conforme a entrevista acontece. Já ela sai da nota -5, porque o entrevistador parte do princípio de que, por ser mulher, ela tem menos capacidade e conhecimento do que o candidato homem. Estamos sempre tendo que provar a nossa capacidade, remando contra a maré para mostrar que realmente merecemos estar ali. 

E o que motivou vocês a criar o Dibradoras?

O maior motivo foi a vontade de lutar contra a naturalização da ausência da mulher no esporte como um todo, tanto nas transmissões, no jornalismo esportivo, quanto em matérias que falassem sobre atletas mulheres e suas conquistas. Existe um dado que mostra que 97% da cobertura esportiva é sobre o esporte masculino. Partimos de uma demanda nossa, como mulheres que cresceram gostando de futebol e esporte que se sentiam excluídas dessa conversa. Depois, descobrimos que havia mais mulheres que se sentiam assim também. Acho que esse foi o grande golaço das Dibradoras, porque percebemos que havia uma demanda reprimida enorme de muitas mulheres que, assim como nós, tinham crescido gostando de futebol e de esporte, e não se sentiam representadas pelo que viam na TV.

Primeiro, criamos um grupo exclusivo para mulheres no Facebook para discutir futebol e esporte. Na época em que a plataforma era pop, éramos minoria em grupos de futebol e esporte, pois eram muitos integrantes homens e poucas mulheres, e nos sentíamos inibidas. Pensávamos “será que comento aqui?” ou “será que levanto essa discussão?”. Nós, que somos mulheres e gostamos de futebol, sempre ouvimos coisas como “nossa, mas você gosta de futebol? Então fala a escalação do seu time?”, ou “fala a regra do impedimento”. Era muito chato estar naquele ambiente e sempre ter que provar nosso conhecimento. Então quisemos criar um lugar confortável para que as mulheres pudessem simplesmente falar de futebol, se encontrarem e descobrirem que aquela era uma sensação em comum. 

Durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2015, criamos um podcast para falar de futebol feminino e daquela seleção pouco noticiada na imprensa. A partir daí, fomos ampliando e entendemos que não era só no futebol que as mulheres não tinham voz. Elas têm pouca visibilidade no esporte em geral e em todas as posições ocupadas, seja como treinadoras, árbitras, jornalistas, narradoras ou comentaristas. Queríamos contar as histórias dessas mulheres, porque acreditamos que trazendo visibilidade, outras meninas vão crescer com referências femininas no esporte e entender que é também um lugar para elas.

Existem diferenças ao cobrir o esporte masculino e o feminino? Quais?

Acho que existem algumas. A primeira delas é que, devido ao fato do esporte masculino ser muito mais consumido e ter mais visibilidade, temos mais dificuldade de acessar os personagens das histórias. Por exemplo, para entrevistar o Neymar, você pode pedir por anos e não conseguir. No caso do futebol feminino, é mais fácil ter acesso a essas mulheres, apesar de hoje isso já ter mudado um pouco.

Uma das primeiras entrevistadas do podcast do Dibradoras, da época da Copa de 2015, foi a Sissi, que é simplesmente uma das maiores jogadoras da história do futebol. Eu entrei em contato com ela pelo Facebook e ela me respondeu. Não precisei falar com nenhum assessor, apenas liguei pra ela. O mesmo aconteceu com a Juliana Cabral, primeira entrevistada do podcast. Ela era capitã da seleção feminina de futebol brasileira que conquistou a primeira medalha olímpica para o país.

Fui para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, a edição mais televisionada do campeonato, para trabalhar para a Dibradoras. Cheguei no hotel da seleção brasileira e me hospedei no mesmo lugar. Até consegui filmar as meninas cantando no jardim, com a Marta tocando cavaquinho no lobby do hotel. E eu era a única jornalista que estava lá, uma semana antes de começar o campeonato. Isso é impensável no universo do futebol masculino. Você nunca vai conseguir entrar e ficar no mesmo hotel da seleção masculina e cruzar com o Neymar tocando violão. Você não tem acesso. 

Além disso, acho que existe uma consciência maior das atletas femininas sobre o seu papel para além do esporte. Uma mulher que joga futebol já é uma guerreira, porque elas enfrentam preconceito e falta de investimento e de estrutura, ao contrário do que ocorre com os meninos. Então, a atleta cresce com mais consciência da importância do papel dela, da conquista do espaço, da visibilidade. Por exemplo, aconteceu o caso do afastamento do presidente da CBF, Rogério Caboclo, por uma acusação de assédio. A seleção masculina não se manifestou publicamente em conjunto sobre isso. Já a seleção feminina entrou em campo com uma faixa com “assédio não”. 

Uma terceira diferença é na hora do preparo para uma transmissão de futebol masculino e feminino. No masculino, você pesquisa e encontra informações dos jogadores de quaisquer times do Brasil, mesmo que sejam das séries C ou B, ou ainda da segunda divisão do campeonato paulista, que é composta de times mais periféricos. Já no futebol feminino, justamente por essa falta de visibilidade por tanto tempo, você pesquisa na internet e não encontra. O esporte feminino ainda carece de informações disponíveis, principalmente sobre o passado. Foi há pouco tempo que a seleção brasileira fez um resgate de informações sobre os jogos e a quantidade de gols das atletas. Até então, você não sabia quantos jogos e gols a Marta tinha com a camisa da seleção brasileira. Mas, se você pesquisar sobre o Leônidas da Silva, jogador da década de 1940, você encontra exatamente quantos jogos e gols ele tem com a seleção. Como é que não existe esse histórico sobre as jogadoras que começaram na década de 2000? Não se registrou essa história. E não registrar uma história é como dizer que ela não existiu. 

E do começo da sua carreira para cá, quais foram os momentos mais marcantes da cobertura das mulheres no esporte? Houve avanços nessa área?

Sim. Acho que estamos muito longe do ideal, mas, se pensarmos o quanto não avançamos por muito tempo, é como se tivéssemos avançado sessenta anos nos últimos cinco. Até 2018, não havia nenhum canal de televisão esportivo com mulheres na cabine de transmissão, seja uma narradora ou comentarista. Tínhamos presença feminina na reportagem e na apresentação apenas, mas as mulheres não conseguiam ocupar os espaços de maior protagonismo. Acho que nos últimos anos, estamos acompanhando um avanço enorme nesse sentido. Hoje, existem mulheres ocupando esses espaços. Na Globo, a Ana Thais Matos é comentarista. Eu também faço parte de transmissões no SporTV. Existem mulheres na Band, na ESPN e em outras emissoras. Hoje, os canais esportivos estão começando a incluir mulheres nas transmissões, algo que há cinco anos atrás não existia. 

Muitas vezes as pessoas me perguntam coisas como “você tem comentaristas mulheres para indicar?”. Elas estão procurando profissionais femininas para trabalhar nesses espaços porque reconhecem a importância dessa representatividade. Acho que sempre existiram mulheres capazes de trabalhar na transmissão esportiva e em qualquer posição, mas nunca houve oportunidade para que elas se desenvolvessem nessas funções. Por isso, ainda temos um número muito pequeno se comparado à quantidade de homens que trabalham com isso. E, quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, mais mulheres serão atraídas para trabalharem com esporte. Ouviremos elas dizendo: “sempre sonhei em ser comentarista porque assistia a Ana Thais nos jogos da Globo e queria ser como ela”, ou “sempre quis ser narradora porque via a Renata Silveira e queria ser que nem ela”. Acho que estamos num processo de transição sem volta. 

Hoje, vejo mais mulheres conquistando esses espaços e mais preocupação das emissoras em apresentar essa representatividade. Mas acho que ainda falta algo muito importante, que é a representatividade de mulheres negras. Existe um espaço ainda pequeno, ocupado por mulheres brancas nas transmissões esportivas, mas ainda falta uma presença maior de mulheres negras. Acho que esse é o próximo ponto que precisa ser atacado.

Qual conselho você daria para as jovens jornalistas mulheres que querem construir uma carreira no jornalismo esportivo?

Ainda temos que falar muito sobre não desistir e resistir. Porque haverá percalços no caminho que realmente dificultam nossa permanência nesse espaço. Vão surgir muitas pessoas dizendo que você não é capaz, muita gente tentando tirar o seu espaço, ou dizendo que você só está ali porque é mulher. Quando, na verdade, os homens é que estão aí porque são homens. Existem vários deles ocupando espaços e em alguns casos você se pergunta: “como ele chegou ali?”, e sabemos que conseguiu porque é um homem branco. Nenhuma profissional chega nesse lugar se não tiver muita qualidade, porque a nossa régua de qualidade do trabalho é muito mais complicada que a dos homens na área do esporte. 

Acho que o grande conselho é não desanimar. Não deixe nenhum comentário vindo de fora te abalar, mesmo que vindo de um chefe. Não meça sua capacidade pelo que ouve dos outros. Para ter uma ideia, eu já ouvi de um chefe, no início da minha carreira: “não confio muito em você para cobrir treinos e jogos porque não sei se vai saber quem são os jogadores e o que perguntar para eles”. Agora, olhando com os meus olhos de hoje, eu teria respondido para esse chefe: “então por que você me contratou? Porque se eu não for capaz de fazer isso, eu não sou capaz de estar aqui”. Ele fez esse questionamento não baseado em entregas que não fiz ou por algum erro na cobertura. Era baseado no meu gênero. Eu lembro que, naquele dia, eu conversei com um amigo meu e falei: “cara, será que eu estou no lugar certo?”. Eu titubeei, e quase coloquei a minha capacidade à prova. Pensei “talvez seja melhor eu desistir dessa ideia de trabalhar com jornalismo esportivo”. E, por sorte, eu não desisti. 

Então, meu conselho é para que as mulheres não desistam. Infelizmente, elas vão encontrar profissionais que vão duvidar da capacidade delas, dizer que elas estão ali porque são mulheres, tentar derrubar o espaço delas e assediá-las. Essa é uma realidade triste e comum na nossa profissão, mas precisamos resistir. Resistimos para que, um dia, as próximas que vierem não precisem mais passar por isso. 

Você já teve algum tipo de sentimento de autossabotagem? Como você lida com essa situação e quais dicas dá para as mulheres que se sentem assim nos projetos, áreas e lugares em que atuam?

Acho que o grande segredo é tentar não se deixar abalar pelo que os outros dizem e realmente ser muito firme com relação ao seu trabalho. Além disso, ajuda muito se encontrar como mulher nessa área. Antes, por uma lógica da sociedade, que sempre nos colocou como rivais, nós, mulheres do jornalismo esportivo, também nos víamos assim, porque pensávamos que disputávamos os mesmos espaços. E, pelo contrário, precisamos lutar por mais espaço para todas nós. Acho que hoje nos descobrimos e nos encontramos nesta caminhada. Antes, se uma sofria assédio, ela estava sozinha. Agora, nos reunimos e falamos, nos encontramos pela internet. Podemos, inclusive, não nos conhecer pessoalmente, mas nos encontramos na luta. 

Então, acho que hoje existe uma consciência muito maior do quanto podemos ser mais fortes juntas. E isso ajuda muito, porque sentimos a dor da outra. Às vezes, não vamos solucionar nada, mas só o fato de conversarmos já é melhor do que cada uma ir chorar sozinha no banheiro. Esse é um aspecto importante, de fortalecermos uma à outra e não nos enxergarmos mais como rivais em uma disputa por espaço. Ou vamos juntas, ou não vamos chegar a lugar nenhum. 

Quais mulheres inspiradoras você segue, lê e observa? Como elas te inspiram?

Existem muitas. Fora do esporte, uma mulher que me ajudou a me entender e a compreender a luta das mulheres na sociedade foi a Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana. Lembro que a entrevistei quando ela tinha acabado de lançar o livro “Para educar crianças feministas” e ela me disse: “quando você está criando filhos, a única coisa que deveríamos ensinar diferente para meninas e meninos é como fazer xixi”. É isso. O resto, temos que ensinar as mesmas coisas. Ensinamos as meninas a cuidar, e não ensinamos os meninos, por exemplo. Ensinamos os meninos a se aventurar, e as meninas, não. Essa diferença entre brincadeiras de meninas e de meninos é uma coisa que me incomoda muito. Principalmente porque isso se reflete no esporte. Vejo que a maioria das minhas amigas não se interessou por esportes quando era criança porque não houve incentivo. Então, a Chimamanda é uma inspiração muito grande. 

Dentro do esporte, o Dibradoras me trouxe uma descoberta interessante. Quando perguntamos por referências no esporte, as pessoas têm um bilhão de nomes masculinos para citar, e nenhum feminino. Isso ocorre porque não contamos as histórias das mulheres. Eu passei por isso nesse processo, porque as pessoas pediam referências e eu tinha que parar para lembrar das mulheres. 

Eu cresci assistindo a Glenda Kozlowski, que é uma super referência, tanto pelo espaço que conquistou, quanto pelo protagonismo na apresentação do principal jornal de esporte do país. Ou a Renata Fan, que começou lendo e-mails para um programa e depois conquistou seu próprio programa e é uma voz superimportante. Acho que a Milly Lacombe foi a primeira mulher que se tem notícia na televisão que comentava futebol. Hoje, a Ana Thais conquistou esse espaço e é a maior comentarista do país, e uma pessoa que eu tenho a honra de chamar de amiga. A Karine Alves tem um talento brilhante, e passou por muita coisa para conseguir conquistar um lugar na TV fechada e aberta para falar de futebol. 

Hoje, consigo lembrar de vários nomes, ainda bem, mas foi depois de muito exercício. A pergunta “quem é o maior jogador de futebol?”, em português, tem gênero, mas no inglês, não. Mesmo assim, a resposta é sempre um homem. O maior jogador de futebol de todos os tempos é o Pelé, de basquete é o Michael Jordan, e de tênis é o Federer ou o Nadal – quando, na verdade, a Serena Williams tem mais Grand Slam do que todos eles. Diminuímos as conquistas das mulheres e contamos pouco suas histórias. Acho que precisamos buscar mais referências femininas para ficar cada vez mais natural citar nomes de mulheres.

Por fim, tem alguma dica de séries, filmes, games, livros e/ou músicas que consumiu recentemente e te fizeram refletir sobre a condição e o papel das mulheres?

Li recentemente um livro sem tradução para o português, que se chama “Wolfpack – How to Come Together, Unleash Our Power, and Change the Game” (Como se unir, liberar nosso poder e mudar o jogo, em tradução livre), da Abby Wambach. Ela conta a história da sua vida enquanto líder da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos. Ela é campeã da Copa do Mundo, das Olimpíadas, reconhecida como uma das maiores jogadoras de todos os tempos, e fala sobre como construir nossa confiança e  como é importante ter certas atitudes para não deixar que o mundo nos diminua. É um manual de como podemos nos unir para lutar juntas. 

Além disso, eu indico o livro “Para educar crianças feministas”, da Chimamanda, e “Pequeno manual antirracista”, da Djamila Ribeiro. De filme, eu indicaria “King Richard”, que conta a história da Serena Williams e da Venus Williams, e como o pai delas criou dois fenômenos do esporte. É um filme muito bom, porque vemos que desde muito cedo ele falava sobre o que elas teriam de enfrentar por serem mulheres negras num esporte considerado muito elitista. 

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