Jornais lucram com capacidade ociosa

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Jornais lucram com capacidade ociosa

Impressão de jornais e materiais promocionais e a entrega de produtos para terceiros ampliam receita de editoras


6 de junho de 2011 - 12h44

O que poderia ser desperdício de recurso, se transformou em fonte de renda. Donos de parques gráficos que têm capacidade muito além de suas necessidades e com sistemas logísticos capilarizados, os grandes jornais descobriram no oferecimento de suas estruturas para terceiros uma grande oportunidade de geração de receitas.

As receitas ancilares, como são denominadas, são um fonte secundária de rendimentos. Mas não deixam de ser importantes. No caso do Grupo Folha, que edita Folha de S. Paulo e Agora São Paulo, esses serviços já representam mais de 20% do faturamento.

Nessa conta estão a impressão de outros jornais pela Folhagráfica (como o Metro, do Grupo Bandeirantes), a impressão de panfletos, catálogos e folders de supermercado (feitos pela gráfica Plural, criada com esse objetivo), e a entrega de revistas, jornais e produtos de e-commerce (o Submarino é um cliente) pela Transfolha.

“Todo dia vamos para mil cidades e, além de jornais, levamos produtos como CDs e aparelhos eletrônicos. É a lógica de aproveitar recursos já existentes. Às vezes é preciso acrescentar algum investimento, mas a base estrutural já temos”, comenta Murilo Bussab, diretor executivo de circulação e marketing do Grupo Folha.Na
 
Sempre Editora, dos diários Super Notícia e O Tempo, os serviços gráficos para terceiros representam em torno de 10% da receita total. “Os sucessivos investimentos que temos feitos na modernização e ampliação do nosso parque gráfico levam em conta essa crescente demanda”, destaca Teodomiro Braga, diretor executivo da empresa sediada em Minas.

Unidade de negócios

O aumento da demanda na gráfica levou o Diário de S. Paulo, título da Rede Bom Dia, a criar uma unidade de negócio exclusiva. “O Diario Serv já tem uma participação significativa dentro do grupo, e esta participação vai crescer ainda mais. Vamos inaugurar até o final do ano duas gráficas para impressão de jornais no interior do estado. Incluindo a gráfica em São Paulo, teremos três parques com alta capacidade de cor a não mais de 250 km de qualquer ponto importante do estado de São Paulo”, projeta Flavio Pestana, diretor geral da Rede Bom Dia.

A rede, que é controlada pelo Grupo Traffic, tem mais de trinta clientes ativos, dentre eles revistas, editoras de livros e jornais de bairros (como SP Norte, Jabaquara News e Ipiranga News), jornais segmentados (Folha Dirigida e Jornal de Trem) e jornais diários como Lance e Mais (Grupo Lance), Brasil Econômico e Marca (Ejesa).

Além de O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde, o Grupo Estado roda mais de 30 jornais para terceiros. Além disso, aproveita seu sistema logístico para entregar outros jornais e revistas. Neste caso, não usa a SPDL, distribuidora que mantém em parceria com o Grupo Folha, mas a SSL. “É um negócio interessante e que gera uma receita adicional. As receitas de serviços para terceiros representarão de 4% a 5% da receita total do grupo neste ano”, aponta o diretor de marketing e mercado leitor João Rosas, ressaltando que o atendimento a terceiros vai até o limite da capacidade ociosa.

Gargalo

Percentual semelhante apresenta o Grupo RBS. A impressão de jornais (são cerca de 300 por mês) e materiais promocionais para o varejo, e a entrega de produtos de e-commerce e editoriais (como títulos das editoras Globo e 3, e o Jornal Brasil Econômico) no Rio Grande do Sul e Santa Catarina representa 6,3% do faturamento do conglomerado. “Essas receitas crescem na faixa de 20% ao ano, superando o crescimento das áreas de classificados, publicidade e circulação”, aponta Christiano Nygaard, diretor de operações da rede de jornais da RBS.

Segundo o Nygaard, o crescimento do mercado só não é maior por conta da má utilização do papel imune (papel adquirido com isenção de impostos exclusivamente para a impressão de livros, jornais e revistas). “Os jornais tratam isso de forma séria. Mas o mercado gráfico como um todo não tem essa prática. Alguns usam o papel imune para impressão comercial e essa concorrência é injusta. Inexiste a fiscalização por parte da Receita. O crescimento está limitado por isso”, afirma o diretor.

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