Mídia

Como os podcasts seguirão evoluindo em 2026

Executivas do Spotify fazem balanço do formato em 2025 e traçam panorama sobre publicidade e hábitos de consumo da audiência

i 20 de janeiro de 2026 - 6h00

No ano passado, Café Com Deus Pai, Inteligência Ltda e Jota Jota Podcast ocuparam o top 3 entre os conteúdos mais consumidos no Spotify. Na sequência, estiveram o Podpah e Não Inviabilize.

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Café com Deus Pai foi o podcast mais ouvido no Spotify em 2025 (Crédito: Reprodução)

A diversidade de temas – entre fé, autoajuda, psicologia, jornalismo, conversas e negócios – mostra que o público continua consumindo podcasts de forma fragmentada, de acordo com interesses específicos, em vez de uma “moda única” ou uma tendência de temas.

É o que afirma Camila Justo, líder de podcasts de Spotify no Brasil. O ponto em comum, apesar da variedade de temáticas, é a construção de comunidades muito fortes em torno de conversas que acompanham o cotidiano das pessoas. O que se destaca, porém, é a periodicidade.

“A maioria desses programas aposta em episódios diários ou semanais, criando uma presença constante na rotina de sua audiência. Esse hábito reforça um comportamento já observado no país: um público intencional, que recorre aos podcasts para se informar, relaxar, aprender ou simplesmente se sentir acompanhado ao longo do dia”, diz.

Os videocasts inauguraram uma nova experiência para o áudio: no ano passado, sete dos dez podcasts mais populares da plataforma passaram a contar com versão em vídeo. Também em 2025, a empresa firmou um acordo com a Netflix para disponibilizar alguns de seus principais videocasts no catálogo da gigante do streaming.

No Spotify, o Brasil é o maior mercado de podcasts em vídeo na América Latina e o segundo maior no mundo, tanto em consumo quanto em criação. No ano passado, a plataforma registrou um crescimento de mais de 10% em horas de podcast consumidas. Globalmente, mais de 270 milhões de usuários já consomem podcasts em vídeo no Spotify, e 70% deles assistem com o vídeo em primeiro plano.

Além de orientar a atuação no País por meio de estratégias localizadas, o fenômeno também guia uma agenda de educação e capacitação dos criadores, sobretudo voltadas ao uso de ferramentas como vídeo e monetização.

“Os podcasts em vídeos, em especial, representam uma expansão natural da experiência de escuta, adicionando camadas visuais que ampliam a conexão entre criadores e ouvintes por meio de expressões, linguagem corporal e interações ao vivo”, salienta Camila.

Muitos títulos estão presentes em mais de uma plataforma. Em fevereiro do ano passado, dados do YouTube indicavam para a marca de 1 bilhão de espectadores ativos de podcasts por mês globalmente. Nos Estados Unidos, o YouTube já era a plataforma mais utilizada para o consumo de podcasts, superando os streamings de áudio, como Spotify e Deezer, apontou a companhia à época.

Oportunidades para anunciantes

As informações sobre o consumo de podcasts e videocasts na plataforma indica para a criação de um ambiente ideal para ações de awareness com profundidade, alega Priscilla Barsotti, diretora de vendas do Spotify.

Segundo a executiva, as marcas buscam formatos cada vez mais personalizados e mensuráveis, e o áudio digital se destaca por oferecer segmentação baseada no comportamento de escuta, além de um ambiente seguro para anunciantes. Nos últimos anos, os formatos publicitários mais eficazes no Spotify têm sido aqueles que exploram o contexto de uso da plataforma, explica.

“Além disso, a combinação de áudio, vídeo e display tem se mostrado bastante eficiente. Essa integração permite experiências mais completas e multissensoriais, ajudando as marcas a reforçar mensagens e ampliar resultados”, afirma.

Relatório da Sounds Profitable indica que 27% dos ouvintes assíduos buscaram mais informações sobre o anunciante após escutar um anúncio em podcast, enquanto 22% fizeram uma compra imediata. O número é maior que mídias como serviços de streaming com anúncios e Instagram (ambos com 13%) e YouTube (12%).

Estratégia, criatividade e clareza são os princípios que determinam que um anúncio seja instigante no Spotify. A companhia vem investindo em formatos personalizados, como playlists patrocinadas, anúncios interativos e soluções como The Stage e Canvas, sempre respeitando o contexto do usuário para garantir uma experiência fluida e não intrusiva.

Tendências para 2026

O avanço dos videocasts segue como uma promessa de evolução para o formato, dadas as possibilidades de conexão com a audiência, fortalecimento de relacionamento com fãs e abertura de novos caminhos para narrativas e distribuição.

“Cada vez mais, a construção de comunidade será decisiva: em um cenário de atenção fragmentada, a comunidade permite que o criador cresça, encontre sua audiência e monetize de forma sustentável, e o podcast tem se mostrado um formato indispensável para quem busca essa construção contínua”, aposta a líder de podcasts de Spotify no Brasil.

Já Priscilla traça um desafio para o mercado anunciante. As marcas deverão se destacar em um ambiente de excesso de conteúdo e consumidores mais atentos e seletivos. A partir daí, a confiança torna-se um ativo central, especialmente em um contexto de uso massivo de inteligência artificial, que pode gerar comunicações cada vez mais semelhantes, afirma.

“A publicidade tende a ser cada vez mais hiper personalizada, antecipando necessidades e entregando mensagens relevantes no momento certo. No Brasil, onde a conexão emocional é fundamental, isso abre espaço para campanhas mais criativas, contextuais e com maior qualidade, fortalecendo vínculos genuínos entre marcas, criadores e audiências”, finaliza a diretora de vendas do Spotify.