Conteúdo curto: 6 formatos que dominarão 2026
YouTube, Kwai e agência Kombi, especializada em vídeos para redes sociais, apontam tendências para o setor
Vídeos curtos deixaram de ser apenas um formato de consumo rápido para se tornarem um território de linguagem, narrativa e negócio. Assim, em 2026, o que deve ganhar escala não são apenas tendências passageiras, mas estruturas criativas de conteúdo capazes de sustentar retenção, recorrência e conversão.

Novelas verticais, esquetes e reacts são alguns dos conteúdos curtos que devem crescer em 2026 (Crédito: Globo/Vick Vacilo/Kerbitos/Reprodução)
Para Vivian Gagliardi, diretora de criação e projetos da Kombi, agência especializada na criação de vídeos para redes sociais, o usuário está mais criterioso e busca algo que seja útil ou gere identificação. Dessa forma, conteúdos genéricos passam a ser ignorados, com as plataformas mudando o foco de alcance em massa para material que gera conversas genuínas.
Além disso, Claudine Bayma, diretora geral do Kwai no Brasil, analisa que as mudanças comportamentais da audiência e dos hábitos de consumo de mídia são os fatores que mais impactam os formatos de conteúdo. Ela diz que, depois de um ano de expansão dos vídeos curtos, 2026 marcará um novo estágio do setor, “no qual entretenimento, narrativa e negócios passam a operar de forma integrada”.
Abaixo, veja alguns dos principais formatos que devem dominar o conteúdo ao longo deste ano, para executivos do Kwai, YouTube e agência Kombi:
1. Reacts de conteúdo criado por IA que despertam sentidos
Trata-se da evolução do antigo conteúdo “oddly satisfying” (ou, em português, estranhamento satisfatório), explica o gerente de marketing de produto do YouTube Brasil, Rodrigo Maceira. Em outras palavras, a tendência diz respeito a criadores que estão reagindo a outros vídeos, feitos a partir de inteligência artificial (IA), criados com o intuito de estimular os sentidos.
“É o ‘oddly satisfying’ levado ao limite. É a capivara fofinha com pelo de veludo, a folha de uma árvore com textura de pêssego ou as sandálias com solado de pelúcia”, comenta.
2. Mininovela ou narrativas seriadas verticais
A linguagem de mininovela, segundo Claudine e Vivian, irá se consolidar como formato-chave de conteúdo de marca e como ponto de conexão com o público. Com duração que varia de 1 a 2 minutos, edição dinâmica e ritmo ágil, o formato explora um cenário em que os usuários buscam entretenimento que integre a marca de forma orgânica.
“A familiaridade com formatos seriados e o desejo por histórias originais impulsionam a busca por identificação e imersão. Os algoritmos, por sua vez, entendem essa frequência de retorno, o que as narrativas em capítulos proporcionam naturalmente”, diz a diretora geral do Kwai no Brasil.
3. Esquetes com estética de game e de edição analógica
O YouTube aponta um crescimento expressivo em vídeos de esquetes que recorrem a elementos de analog horror – subgênero de terror da internet que usa estética de mídias analógicas antigas, como fitas cassete e TV de tubo. Esse tipo de conteúdo também se utiliza de cenários e situações que comparam o absurdo da vida a um jogo, com roteiros dinâmicos, às vezes surreais, mas com alto potencial de provocar a imersão da audiência.
Para Maceira, a esquete em si já se consolidou no gosto dos usuários, muito por conta da tradição da dramaturgia brasileira. No entanto, o formato curto impôs, obviamente, ajustes e reinvenções. A crescente relevância da estética analógica e de games pode ter a ver com a nostalgia referente à época, considerada outra tendência para este ano.
4. Avatares de IA e criadores virtuais
Os avatares de IA atuam como apresentadores, explicadores de produtos e, até mesmo, respondentes de dúvidas pré-programadas ou geradas via IA. Nesse tipo de vídeo, como explica Claudine, a edição diferenciada faz com que o personagem possa ativar sobreposições gráficas, mostrar imagens de demonstração, alterar produtos e integrar depoimentos, tudo de forma fluída.
“No live commerce, a evolução para avatares de IA e criadores virtuais atende à demanda por conveniência e disponibilidade ininterrupta, em que os usuários querem alterações instantâneas e personalizadas para suas compras”, diz. Ou seja, na realidade do lojista, a tecnologia pode permitir melhor aplicação de recursos, gerenciamento de vendas e capacidade de conversão.
5. Conteúdo para venda
Outra aposta, diretamente relacionada à realidade das marcas, é o amadurecimento do content commerce, que se transforma em experiência narrativa de compra. Na prática, segundo a executiva do Kwai, a compra deixa de ser um pop-up ou interrupção e passa a ser intrínseca ao storytelling.
Os exemplos são vários, como uma série de vlogs, um tutorial, desafio ou mesmo uma mininovela. O produto surge como parte da solução, do lifestyle ou enredo. Dessa forma, a história vende o produto e o produto, por sua vez, enriquece a história. “O público prefere ver produtos em uso real, inseridos em histórias, valorizando a fluidez entre entretenimento e compra”, acrescenta Claudine.
6. Tutoriais e conteúdos reais
Nesse sentido, Vivian, da Kombi, inclui tutoriais práticos e depoimentos reais como tipos de conteúdo que devem permanecer em alta em 2026. Ambos, de certa forma, contam com a confiança de quem assiste, característica que se torna o maior ativo na realidade atual.
“Prova social já faz parte da jornada do cliente, vídeos reais geram maior conexão. Vídeo simples de clientes ou parceiros falando sobre experiência real têm muito mais pesos do que campanhas publicitárias tradicionais”, ressalta. Portanto, autenticidade e conteúdos originais em um cenário cada vez mais tecnológico não sairão de moda.