Mídia

TikTok oficializa acordo e cria entidade independente nos EUA

Investidores norte-americanos estarão à frente da moderação de conteúdo e de medidas de privacidade de dados e cibersegurança do app

i 23 de janeiro de 2026 - 9h38

A ByteDance fechou acordo com um grupo de investidores nos Estados Unidos e, a partir de agora, o TikTok atuará como uma entidade independente no país.

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Com acordo, TikTok nos EUA terá novo CEO e medidas proprietárias de moderação de conteúdo, privacidade de dados, entre outros (Crédito: Shutterstock)

Com isso, a chinesa passa a deter apenas 19,9% do aplicativo no país. A Oracle, parceira de nuvem do app; a MGX, dos Emirados Árabes Unidos; e a Silver Lake, terão 15% de participação cada. O restante da lista de investidores inclui a empresa de Michael Dell, entre outras.

O acordo evitou o banimento do aplicativo a quase 200 milhões de norte-americanos.

Em comunicado, a plataforma aponta que a joint venture se propõe a proteger os dados dos usuários, aplicativos e algoritmos com base em dados dos usuários nos EUA através de medidas de privacidade de dados e cibersegurança.

Ainda, afirma que o acordo protegerá o ecossistema de conteúdo do país e terá autoridade para tomar decisões sobre políticas de confiança e segurança e moderação de conteúdo. Atividades de e-commerce, publicidade e marketing serão gerenciadas por entidades americanas do TikTok Global, também à frente da interoperabilidade mundial do produto.

O conselho indicou Adam Presser, ex-chefe de operações da rede social, para a função de CEO do TikTok nos EUA. Will Fareell responderá como diretor de segurança da joint venture. Ele já trabalhava no TikTok e tem passagem pela WarnerMedia.

Shou Chew terá uma cadeira no conselho da joint venture. O executivo lidera os negócios e a estratégias globais da rede social.

A disputa entre o governo norte-americano e o TikTok perdurou por 6 anos. Em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o então presidente tentou banir a rede social por questões envolvendo a segurança nacional dos EUA em relação à China. Autoridades americanas temiam que, em posse de Pequim, o aplicativo seria uma porta de entrada para a coleta dados de cidadãos americanos para fins militares e de inteligência.

À época, tentou comercializar a plataforma a um consórcio que envolvia grandes nomes, como a própria Oracle e o Walmart.

Já em 2024, Joe Biden sancionou uma lei que previa a comercialização da plataforma de vídeos curtos a empresas nos EUA. Caso não fosse vendido dentro do prazo estabelecido pela legislação, poderia ser banido.

De fato, em janeiro de 2025, o app chegou a sair do ar por alguns dias. O acesso dos usuários foi restaurado horas depois, graças à interferência de Trump, que havia acabado de assumir a presidência.

Em sua rede social, TruthSocial, o presidente dos EUA afirmou estar feliz por ter ajudado a salvar o TikTok. “Só espero que, no futuro, eu seja lembrado por aqueles que usam e amam o TikTok”, escreveu. O governo chinês, por sua vez, não se manifestou.