Globo explica poder dos patrocinadores dentro do BBB
Veículo afirma manter troca contínua com as marcas ao longo de todo o reality, mas atribui a si a responsabilidade pelas decisões envolvendo o jogo

Primeira prova do líder, patrocinada pelo Mercado Livre: edição já garantiu a presença de 18 marcas (Crédito: Divulgação/Globo)
O Big Brother Brasil estreou no último dia 12 e promoveu sua primeira eliminação nessa terça-feira, 20. A saída de Aline Campos, contudo, não foi a primeira baixa do elenco deste ano.
Dias antes, o ator Henri Castelli teve sua trajetória no reality da TV Globo interrompida após ter duas crises convulsivas, que impediram sua continuidade no confinamento. E no último domingo, 18, o participante Pedro, que pertencia ao grupo dos Pipocas da edição, desistiu do programa, em um episódio conturbado, que gerou muitas discussões nas redes sociais e que, mais uma vez, exigiu da Globo um posicionamento sobre atos que ultrapassam a esfera da disputa.
Na edição do domingo, 18, o apresentador Tadeu Schmidt revelou aos demais participantes da casa que, se Pedro não tivesse apertado o botão para desistir da competição, a produção o expulsaria. O motivo: horas antes, o participante tentou beijar, sem consentimento, Jordana, que também integra o grupo Pipoca. A sister demonstrou sua indignação aos colegas e as imagens da atitude foram exibidas ao público espectador do BBB.
Antes do ato de importunação sexual cometido por Pedro, o participante já vinha gerando comentários pelos conflitos que vinha causando na casa. No próprio domingo, 18, dia em que é formado o “Paredão” – a definição dos participantes que poderão ser eliminados na semana seguinte – algumas reportagens começaram a circular na internet afirmando que o participante vinha sendo visto de forma incômoda também pelos patrocinadores do BBB.
Apesar de não ter sido alvo de expulsão, Pedro foi tratado como excluído do jogo após a edição do programa. O nome e a foto do participante deixaram de constar na abertura e o veículo afirmou que qualquer vínculo existente entre o vendedor e o reality foi rompido.
E os patrocinadores do BBB, como ficam?
Polêmicas como essa, que acontecem dentro do BBB, sempre resgatam a discussão sobre o papel dos patrocinadores do programa em episódios que ultrapassam a disputa pelos milhões oferecidos no jogo.
Em edições anteriores do BBB, algumas marcas chegaram a se posicionar publicamente nas redes sociais, afirmando que não toleravam assédio ou atitudes discriminatórias enquanto os participantes do programa vivenciavam situações do tipo.
No caso de Pedro, na última semana, não houve qualquer manifestação nas redes sociais por parte dos principais patrocinadores da atração: Mercado Livre, Mercado Pago, iFood, Betano, MRV, Electrolux, Amstel, Nestlé, Nivea, TIM, Ademicon, Panobianco, Ajinomoto, CIF, Cimed e McDonald’s.
Nos bastidores, no entanto, é bem provável que os representantes dessas marcas tenham conversado sobre os rumos do programa e os riscos de estarem atrelados a situações problemáticas. Em nenhum perfil desses anunciantes, que inclusive postam bastante conteúdo sobre o BBB enquanto o programa está ar, foi realizada qualquer citação sobre Pedro ou sobre o ocorrido.
A reportagem de Meio & Mensagem questionou a Globo se houve cobrança, por parte dos patrocinadores, a respeito de alguma atitude em relação ao participante Pedro ou à situação de importunação que ocorreu na casa.
A área de comunicação da emissora enviou à reportagem de Meio & Mensagem um comunicado em que comenta a situação e, embora não responda diretamente sobre supostas cobranças feitas por patrocinadores, deixa claro que as decisões sobre o que acontece entre os participantes e no ambiente do BBB cabem somente à Globo e não às marcas.
“O respeito às diferenças e aos direitos humanos são inegociáveis para Globo e a relação da empresa com o público e com as marcas patrocinadoras é transparente. Com a sociedade, a comunicação acontece sobretudo por meio do próprio programa. Com os parceiros comerciais, através de uma troca contínua ao longo de todo o BBB. Todas as decisões sobre dinâmicas e acontecimentos dentro da casa são de responsabilidade exclusiva da Globo, que baseia qualquer posicionamento público em fatos verificados, em equipes multidisciplinares de apoio, em seu Código de Ética, em apurações criteriosas e no protocolo editorial e nas regras do programa”, declarou o veículo.
No caso específico que envolveu o agora ex-participante Pedro, a Globo ainda reforçou que o “programa ouviu e acolheu Jordana, exibiu integralmente as imagens da cena na despensa, assim como os desdobramentos na casa e as declarações dele no confessionário”.
A área de comunicação também reforçou que, assim como Tadeu explicou no programa ao vivo, caso não houvesse desistido do programa, Pedro teria sido eliminado por sua atitude inaceitável. “Apesar de ter acionado o botão de abandono, para a Globo, o participante é considerado expulso do programa, com suas devidas consequências”, encerrou o comunicado.
As marcas no caso do assédio no BBB 23
Na edição de 2023 da atração, quando aconteceram duas expulsões por situação de assédio na casa, a postura das marcas foi diferente. Em uma das festas da temporada, os participantes Mc Guimê e Antonio Cara de Sapato tentaram beijar e tocaram o corpo de Dania Mendez, participante do BBB do México, que participava de um intercâmbio entre os realities. Ambos foram expulsos do programa após a Globo ter exibido, ao vivo, as cenas do assédio.
Até a decisão da Globo ser anunciada na edição ao vivo, as redes sociais, incluindo os patrocinadores, clamavam por uma punição aos participantes. O Mercado Livre, que já era patrocinador do reality na época, postou um banner com a mensagem “Chega de Assédio” em suas redes sociais.
A atitude gerou uma reação em cadeia das demais marcas envolvidas com o programa: Ademicon, Riachuelo, Coca-Cola, Seara, Chevrolet, Zé Delivery, Nestlé, Carrefour, Amstel, TikTok, Pantene, Vick, Always, Stone, Downy, Rexona, Engov e Pague Menos fizeram postagens afirmando que repudiam o assédio e reforçando à bandeira do respeito às mulheres.
Horas depois dessa manifestação coletiva, a Globo comunicou ao público, na exibição da edição do BBB, a expulsão dos participantes envolvidos no episódio.
Altos investimentos e riscos
O fato de investir em um programa dinâmico e sem roteiro definido, que vai sendo construído a partir das atitudes e laços ente os participantes, é algo que, obviamente, traz tanto visibilidade quanto riscos para as marcas. Afinal, não há como prever se em uma festa ou prova patrocinada será palco de algum episódio considerado negativo aos olhos do público.
Essa imprevisibilidade, contudo, não impede os anunciantes de arriscarem. Prova disso são os sucessivos recordes comerciais quebrados pelo BBB a cada edição.
Nesta edição de 2026, a Globo fechou acordos com 15 marcas, que ocupam 18 diferentes espaços de cotas comerciais. Entre elas, há empresas como Amstel e McDonald’s, presentes há seis edições consecutivas; Mercado Livre há quatro e Ademicon há cinco; CIF, iFood e Electrolux, pelo segundo ano; além da Ajinomoto, que estreou na edição passada.
Participam pela primeira vez do BBB neste ano o Mercado Pago Betano, TIM, Nivea, Super, da Cimed. Ainda há marcas que adquiriram cotas de dinâmicas e segmentos, como Mercado Livre, Mercado Pago, Nivea, Nestlé e MRV.
Com esse grande interesse das marcas, o faturamento do BBB 26 foi elevado. Os preços das cotas principais de patrocínio do programa variavam entre R$ 132 milhões e R$ 29 milhões. Veja:
– Cota Big (3 cotas) – R$ 132,485 milhões (cada)
– Cota Camarote (5 cotas) – R$ 99,131 milhões (cada)
– Cota Brother (6 cotas) – R$ 29,411 milhões (cada)
Há, no entanto, outros espaços de inserção, que podem fazer com que a arrecadação total ultrapasse o montante de R$ 1,35 bilhão.


