Adoção de IA no trabalho exige cultura, diz IBM
Para Jaqueline Ariane, empresas devem estimular experimentação com tecnologia e criar parâmetros de governança
Nos últimos cinco anos, a inteligência artificial deixou de ser algo distante e excessivamente técnico para se tornar um componente onipresente da rotina diária das pessoas. No entanto, o sucesso da sua aplicação não reside apenas na sofisticação do seu uso, mas na interação humana e na mudança cultural organizacional. Essa foi a defesa feita por Jaqueline Ariane, especialista de soluções de dados e IA na IBM Brasil, no ProXXIma 2026.

Jaqueline Ariane, especialista de soluções de dados e IA na IBM Brasil, defende que empresas criem diretrizes e cultura para experimentação da tecnologia no dia a dia dos colaboradores (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
O paradoxo da adoção da IA
Embora a inteligência artificial se faça presente até de forma inconsciente no dia a dia das pessoas, como em aplicativos de mobilidade ou streaming, a adoção no ambiente de trabalho não é tão ampla. A pesquisa The CEO Study, conduzida pela IBM, revela que 83% dos CEOs acreditam que o sucesso da IA depende da aceitação das pessoas, mas que apenas 25% da força de trabalho utiliza a tecnologia regularmente no trabalho.
O uso ativo e consciente está concentrado em plataformas de IA generativa, mas Jaqueline frisa que o emprego da tecnologia no ambiente de trabalho migra para o sistema agêntico. Nele, a IA executa tarefas de forma autônoma ou a pedido do usuário. “Grande quebra de paradigma para o mercado que atuamos”, disse.
Entraves à transformação
Essa mudança na adoção se dará quando os colaboradores tiverem boas experiências com as soluções existentes. No entanto, conforme o estudo da IBM, há dois entraves principais: parte das empresas não oferece soluções para seus colaboradores e há resistência à transformação ligada à cultura organizacional.
Adicionalmente, há preocupações em relação à confiança das respostas da IA. Os líderes afirmam que o ser humano será o responsável por garantir confiabilidade e ética no uso da tecnologia.
Liderança e diretrizes claras
Conforme Jaqueline, as empresas devem definir diretrizes para que os funcionários se sintam mais confortáveis em explorar as possibilidades que a IA traz e, assim, gerem melhores resultados para a companhia, como um todo.
Para a executiva, apesar da IA apresentar ameaças a cargos diversos, ela também cria novas especializações, como de engenheiro de prompt. “Nós estamos vivendo num mundo de boas oportunidades. Temos que aprender mais com as tecnologias, encontrar um playground e agendar todos os dias para aprender. Todo dia surgem novas tecnologias”, disse.
Governança e o futuro
Além disso, para acompanhar essas evoluções, as empresas devem estruturar pilares de governança, privacidade e gestão de dados. Os colaboradores devem saber explicar como funcionam os modelos que utilizam, os parâmetros que usam para tomar decisões e garantir que seu ecossistema de IA seja justo, robusto, transparente e privado.
Jaqueline prevê que as empresas devem trabalhar com vários modelos de inteligência artificial integrados em um orquestrador de agentes. Portanto, líderes devem prezar por ambientes de gestão híbridos, dados curados e mensuração sobre o retorno desses investimentos elevados. Ao fazer a gestão de custos, o investimento em IA pode escalar, antevê.
