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Histórias que não terminam em um post

Entre creators que operam como estúdios e comunidades altamente engajadas, novas formas de construir narrativas ganham espaço nas conversas do SXSW

Carolina Mega

Head de marketing em The Magnum Ice Cream Company 13 de março de 2026 - 16h38

Nunca tivemos tantas histórias circulando ao mesmo tempo. Plataformas, formatos e creators se multiplicam em um fluxo constante de narrativas. Ainda assim, poucas conseguem permanecer na cultura por muito tempo.

Talvez seja por isso que tantos debates do SXSW deste ano devam girar em torno de creators, entretenimento e comunidades.

Estarei em Austin acompanhando essas conversas ao lado do time do Creator Ads, plataforma da BrandLovers, com uma curiosidade particular: observar como alguns creators estão deixando de operar apenas como produtores de conteúdo para se estruturar como verdadeiras operações de entretenimento.

Alguns já funcionam quase como estúdios criativos, desenvolvendo programas próprios, diferentes formatos e comunidades altamente engajadas em torno dessas narrativas. Um exemplo interessante desse movimento é o caso de Rhett & Link, que participam de um dos painéis do SXSW. A dupla ganhou notoriedade no YouTube e, ao longo dos anos, transformou esse projeto inicial em uma operação de entretenimento digital mais ampla. Hoje, estão por trás de diferentes programas, podcasts e produções reunidas sob a Mythical Entertainment, além de uma comunidade de fãs que acompanha e interage com essas histórias em várias plataformas.

Quando iniciativas desse tipo ganham escala, o conteúdo deixa de ser apenas episódico e passa a fazer parte de projetos criativos mais contínuos. A audiência também assume um papel mais ativo nesse processo. Fãs comentam, reinterpretam, compartilham e ajudam a expandir essas narrativas, criando um ciclo de participação que mantém essas histórias em circulação por muito mais tempo.

Essa relação entre creators, entretenimento e comunidades parecem atravessar boa parte das conversas no SXSW deste ano. Mais do que discutir plataformas ou tendências isoladas, muitos dos debates devem explorar como histórias nascem, se expandem e ganham relevância cultural em um ambiente de produção praticamente infinita de conteúdo.

Para quem trabalha com marcas, observar esse movimento levanta uma reflexão interessante. Durante muito tempo, a lógica da comunicação foi essencialmente emissora: as marcas produziam mensagens e buscavam distribuí-las da forma mais ampla possível.

Hoje, o cenário parece apontar para outra dinâmica. Quando criadores desenvolvem projetos narrativos próprios e comunidades passam a se organizar ao redor deles, surge uma nova pergunta: como participar de forma legítima das histórias que já estão em movimento?

Essa é uma das reflexões que levo comigo para o SXSW deste ano  e que pretendo compartilhar por aqui nos próximos artigos.