Caminhos para a transformação sustentável de empresas e agências

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Caminhos para a transformação sustentável de empresas e agências

Lideranças femininas do Grupo Boticário, Grupo Pão de Açúcar e da agência Soko compartilham como têm desenvolvido suas estratégias de ESG


14 de fevereiro de 2024 - 14h15

O momento para agir contra as mudanças climáticas é agora. Vivemos tempos em que os impactos do aquecimento global são visíveis, palpáveis e muito próximos. As empresas têm um papel significativo para catalisar a transformação, a começar pela sua estrutura interna e sua cadeia de impacto direto. São diferentes caminhos possíveis, a depender das características de cada organização. 

Quando o assunto é sustentabilidade ambiental e social nas companhias, algumas ações são comumente destacadas: redução das emissões de gases de efeito estufa, gestão de resíduos, promoção da diversidade, equidade e inclusão e impacto na cadeia produtiva. Mesmo que isso signifique medidas distintas para cada setor, são alguns caminhos comuns a se percorrer.  

Para a comunicação não é diferente. Mesmo que a conversa nas agências e nos departamentos de marketing e comunicação foque nos aspectos da diversidade, o debate ambiental também deveria estar nas mesas de decisão. Pensando nisso, demonstramos a seguir como algumas empresas têm navegado rumo a ações de sustentabilidade. 

Descarbonização 

Fabiana de Freitas, vice-presidente de Assuntos Corporativos do Grupo Boticário, trabalha há 18 anos na empresa, e atuou na vanguarda da agenda ESG internamente. Há 15 anos, o Grupo divulga seu relatório de emissões de gases de efeito estufa, que serve para orientar as frentes de trabalho para a transição verde. Com essa trajetória, Fabiana orienta que as empresas que desejam descarbonizar suas operações devem começar com um diagnóstico técnico de acesso público que identifique onde estão os principais emissores da cadeia.  

Fabiana de Freitas é vice-presidente de Jurídico, Compliance, ESG, Assuntos Institucionais e Comunicação do Grupo Boticário (Crédito: Divulgação)

A executiva destaca a importância de traçar metas com bases científicas e que estejam alinhadas à meta global do Acordo de Paris, e, a partir disso, criar seus planos de descarbonização. “Por fim, para engajarmos nossas complexas cadeias de ponta a ponta, é importante debater e compartilhar informações. Aqui no Grupo, já impactamos mais de 1.200 colaboradores com treinamentos sobre o tema, além de disponibilizar conteúdo e apoio à nossa cadeia fornecedora”, afirma a VP. 

Cadeia de valor

O Grupo Pão de Açúcar também tem se dedicado a reduzir suas emissões, pensando em suas próprias operações e em sua cadeia produtiva. Um caminho escolhido pela organização foi migrar sua matriz energética para fontes renováveis. Entretanto, sua relação com a cadeia produtiva abarca mais projetos envolvendo o combate ao desmatamento, bem-estar animal, proteção da biodiversidade, melhores condições de trabalho e apoio ao pequeno produtor. 

“Enfrentamos o desafio de minimizar os impactos de nossa operação, buscando eficiência e redução de emissões. Esse pilar está conectado à transformação da cadeia de valor. No varejo, atuamos como elo entre centenas de fornecedores e milhares de consumidores, aplicando critérios socioambientais em nosso trabalho”, diz Renata Amaral, Gerente de sustentabilidade do GPA. 

Renata Amaral é gerente de sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar (Crédito: Divulgação)

Assim como no varejo, a publicidade também pode desenvolver este olhar para escolher seus fornecedores, pensando em parcerias que visem a sustentabilidade ambiental, ou, ainda, promovendo discussões acerca do tema. “O poder mais significativo que percebemos está na escolha dos fornecedores de produção e das equipes que compõem nossos projetos. Por exemplo, ao trabalhar em uma campanha sobre meio ambiente, tenho o poder de selecionar uma produtora que, pelo menos, esteja alinhada com a temática e demonstre uma consciência adequada”, diz Gabriela Rodrigues, VP de Impacto na Soko. 

De olho nos resíduos

O Grupo Boticário ainda desenvolve projetos que envolvem a gestão de materiais, como o reaproveitamento e a redução de resíduos, formulações sustentáveis e desenvolvimento de embalagens. O Boti Recicla, por exemplo, é um programa de recolhimento de embalagens pós-consumo que conta com mais de 4 mil pontos de coleta em quase 2 mil cidades brasileiras, em parceria com cooperativas.  

Já o projeto Estação Preço de Fábrica tem como objetivo reintroduzir os materiais recicláveis recolhidos na cadeia de produção. Até hoje, já foram coletadas e destinadas mais de 1,4 mil toneladas de materiais recicláveis em cinco estações participantes do programa.

No varejo, a gestão de resíduos também é uma questão prioritária. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, desenvolve projetos de reciclagem em suas lojas desde 2001, incluindo o descarte correto de materiais como óleo de cozinha, isopor, pilhas e baterias, medicamentos, eletrônicos, lâmpadas, cápsulas de café e materiais recicláveis, papel, vidro, plástico e metal. 

Transpondo este tema para a publicidade, as agências também poderiam aplicar a mesma visão em seus escritórios e sets. Gabriela Rodrigues dá o exemplo da Soko: “Nossa equipe de produção trabalha em conjunto com parceiros para encontrar maneiras de reduzir ou reciclar efetivamente o lixo produzido em cenários de filmagem, visando alcançar um ambiente com lixo zero”, afirma. 

Ambiental e social andam juntos

Não é possível, ou não deveria ser, criar planos de transformação para uma economia de baixo carbono sem visar objetivos sociais. Conforme destaca Camila Valverde, Diretora de Impacto da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, “não adianta tornar o Brasil uma referência mundial em emissões zero se ainda enfrentamos desigualdades sociais significativas, com pessoas sofrendo de fome, e populações negras, pobres e mulheres passando por níveis de dificuldades muito maiores do que outros grupos. Portanto, é essencial abordar essa agenda de maneira integrada, enfrentando o desafio de conciliar as dimensões ambientais e sociais”. 

Camila Valverde é diretora de Impacto da Rede Brasil do Pacto Global da ONU (Crédito: Divulgação)

Com foco nos objetivos de equidade de gênero, Camila orienta: “É fundamental elaborar uma estratégia bem fundamentada, incluindo uma pesquisa detalhada para compreender a transversalidade desse tema na organização, identificando quais mulheres estão envolvidas: brancas, negras, trans, cis, mais jovens ou mais experientes. Compreender essa realidade é essencial para criar um plano de ação abrangente, desde a inserção até a ascensão dessas mulheres, garantindo a manutenção delas em posições de liderança, em paralelo ao esforço para promover a diversidade e inclusão, especialmente para pessoas negras”.  

Este olhar vale tanto para ações internas quanto externas. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, desenvolve ações que integram a promoção de pequenos produtores e também a inclusão de pessoas em vulnerabilidade social no mercado de trabalho. “Projetos como o Caras do Brasil fortalecem nossa relação com pequenos produtores, promovendo produtos mais saudáveis e sustentáveis. Incentivamos a venda de produtos orgânicos e apoiamos iniciativas sociais, como a Horta Social Urbana, que reintegra pessoas em situação de rua, produzindo verduras vendidas em nossas lojas”, diz Renata Amaral. 

Publicidade de impacto positivo

A comunicação não está isenta de causar impactos negativos, sejam sociais ou ambientais. A começar pelo ambiente de trabalho nas agências de comunicação, que ainda caminham na direção da diversidade, equidade e inclusão. Pensando neste contexto, Gabriela Rodrigues, VP de Impacto da Soko, reforça o propósito da agência: “Queremos provar que é possível produzir trabalho criativo, relevante e plural enquanto combatemos práticas tóxicas no mercado de comunicação”.  

Gabriela Rodrigues é VP de Impacto da Soko (Crédito: Divulgação)

Assim, para além de orientar seus clientes no desenvolvimento de campanhas e projetos mais sustentáveis, a Soko também trabalha internamente a mesma questão. “A criatividade é o código da agência, mas também temos a intenção de reduzir práticas tóxicas no mercado, desde as pessoas que contratamos até como abordamos questões como excesso de trabalho e meio ambiente”, destaca a VP. 

O impacto começa de dentro para fora. Uma agência alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU com práticas internas será mais preparada para orientar seus clientes a criarem campanhas mais sustentáveis. “Uma abordagem que temos adotado, embora não haja uma fórmula de sucesso, é iniciar essa jornada se aproximando da ONU”, aconselha Gabriela. A própria Soko é signatária da Rede Brasil do Pacto Global da ONU e mantém parceria com a ONU Mulheres, principalmente no movimento Aliança Contra Estereótipos, que combate os estereótipos de gênero na publicidade. 

“Essa colaboração oferece suporte na identificação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) mais relevantes para nós, além de compartilhar casos de sucesso. A parceria fortalece nossos compromissos e proporciona clareza, transformando aspirações pessoais em compromissos institucionais”, reforça a VP. 

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