Não estou certa sobre o que o mundo espera de mim, mas sei o que posso fazer por ele

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Opinião

Não estou certa sobre o que o mundo espera de mim, mas sei o que posso fazer por ele

Como é exaustivo viver para evitar críticas e julgamentos que muitas vezes só são deferidos a nós porque somos mulheres, decidi pensar bem pouco sobre isso


19 de agosto de 2022 - 10h31

(Crédito: Catrin1309/Shutterstock)

O ano é 2022 e muitas pessoas seguem criando regras sobre como mulheres devem liderar, se vestir, pensar a maternidade, lidar com a idade, com a menopausa, com o sexo, com o trabalho, com a política e por aí vai.

Simone de Beauvoir já afirmava, no século XX, que “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”.

Essa afirmação carrega camadas e camadas de opressão contra as mulheres, que fazem com que nunca estejamos confortáveis em nossos papéis por melhor que eles sejam desempenhados. O perigo e o julgamento estão sempre à espreita. Basta um passo em falso que os dedos da sociedade patriarcal se voltam contra nós de forma vil e violenta. Afinal, mulheres não podem errar. Não temos esse privilégio. Qualquer oportunidade que “nos seja dada”, quase que por caridade, dever ser honrada sem titubear.

Como é exaustivo viver para evitar críticas e julgamentos que muitas vezes só são deferidos a nós porque somos mulheres, decidi pensar bem pouco sobre isso. Melhor mesmo é focar no que estou certa de que posso fazer.

Como mãe, posso e devo criar filhos conscientes das responsabilidades que eles têm na construção de uma sociedade mais justa e ética para todes. Filhos e filhas que não tolerem e nem compactuem com o racismo, machismo, misoginia, LGBTfobia, idadismo, capacitismo e todas essas violências aterrorizantes que inacreditavelmente parecem normais para uma parcela doente da sociedade. 

Como líder e executiva, posso e devo ser exemplo de coerência entre aquilo que prego no âmbito pessoal e o que faço na minha agenda profissional. Posso escolher trabalhar por um ambiente inclusivo, criativo, ético, colaborativo e ajudar a construir e fortalecer uma cultura organizacional pautada em relações de confiança, em senso de pertencimento e na oportunidade de crescimento individual e coletivo que seja justa e alcance todo mundo.

Como estrategista, consigo olhar para problemas de forma ampla e não fragmentada e, dessa forma, encontro soluções efetivas e não apenas paliativas para as marcas das quais eu cuido, para as questões operacionais do dia a dia, para a construção de negócios sustentáveis, histórias que façam sentido e projetos que mudem cenários. Tenho a obrigação de me manter atualizada sobre cultura, comportamento e contextos de mundo que mudam e continuarão mudando aceleradamente, mas não apenas em direção aos modismos, e muito mais efetivamente em direção a uma reconstrução indentitária em que as pessoas irão exercer cada vez mais seus papéis de influência e autoafirmação, que devem se fortalecer com a Web3.0 seja no famigerado metaverso, nos games, nas novas formas de vivenciar e experimentar as redes, e obviamente nas ruas, que continuam abrindo espaço para outros tipos de encontros e acontecimentos tão vitais a todos nós.

Como mulher, não existe a mais remota possibilidade de eu me colocar ou aceitar que o mundo me coloque em caixinhas que acolhem meus óbvios e desprezam a minha capacidade de surpreender, realizar e me reinventar.

Tenho muito o que fazer nessa vida e o que não muda nada, não me interessa.

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