Nike se posiciona a favor de atleta ativista contra o racismo

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Nike se posiciona a favor de atleta ativista contra o racismo

Marca sofre boicote de consumidores nos EUA após anunciar patrocínio a Colin Kaepernick, jogador da NFL que ajoelhava durante o hino nacional americano

Salvador Strano
4 de setembro de 2018 - 16h55

As ações da Nike perderam 3% de seu valor após a companhia anunciar uma campanha com o jogador de futebol americano Colin Kaepernick. O atleta é motivo de polêmica desde 2016, quando começou a realizar diversas formas de protesto contra a violência policial do país dirigida a jovens negros. Entre as manifestações, estão sentar no banco ou ajoelhar no gramado durante o hino nacional norte-americano, tocado antes do início das partidas da NFL, liga de futebol americano. O atleta não conseguiu firmar um novo contrato com algum time da liga após as polêmicas.

Uma peça divulgada no instagram de Colin e na conta oficial da Nike apresentam uma foto em preto e branco do atleta com a legenda: “Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. Logo após a divulgação da campanha, diversos consumidores apoiaram a ação. Ao mesmo tempo, outros usuários de redes sociais publicaram fotos danificando produtos da marca e propondo um boicote à companhia. Para os investidores, a voz descontente reverberou mais alto.

Em entrevista à agência Reuters, Jessica Ramirez, uma analista de varejo da Jane Hali & Associates, afirma que, possivelmente, a Nike deve perder mais consumidores pelo apoio ao atleta do que atrair jovens que buscam marcas que compartilhem de seus valores. Apesar da polêmica, a marca passa por um ano financeiro positivo, com cerca de 30% de valorização de suas ações em 2018.

“A Nike entrou numa discussão delicada para os americanos, que é a racial”, afirma Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM. Entretanto, “saíram feridos”, afirma. Martinho entende que essa campanha faz parte de um movimento da empresa de assumir lado em questões sociais conflituosas em suas estratégias de marketing. “Nessas manifestações de atletas, sobretudo manifestações sobre o racismo, o que vemos é as marcas entrando mais nas bolas divididas, sempre tem a conta de agradar uma parte e desagradar a outra”.

Essa perspectiva é atestada pela escolha de outras celebridades da campanha. Serena Williams, LeBron James, Odell Beckham Jr., Shaquem Griffin — todos negros — e Lacey Baker, única personagem branca da campanha, entretanto abertamente parte da comunidade LGBTQ. Serena, estrela do tênis e reconhecidamente uma das maiores atletas da história do esporte, foi também protagonista de uma polêmica envolvendo a Nike há poucas semanas.

A tenista usou um traje funcional para melhorar a circulação do corpo em sua primeira partida do Roland Garros, um dos quatro grandes campeonatos da modalidade. O uniforme foi rapidamente associado ao filme Pantera Negra, da Marvel. Em seguida, o presidente da federação francesa de tênis, Bernard Giudicelli, afirmou que “às vezes vamos longe demais”. E ainda que “a roupa que Serena usou esse ano, por exemplo, não será aceita. É necessário que se respeite o lugar e o jogo”.

Em resposta ao cartola, a Nike publicou uma foto da atleta usando a roupa que motivou a polêmica durante uma partida com a legenda: “Você pode tirar uma super-heroína de seu uniforme, mas nunca poderá tirar seus superpoderes. #justdoit”.

Assumindo um discurso feminista, a Nike divulgou, também, um filme chamado “Juntas Imparables” – dirigido a mulheres no México. Nele, consumidoras da marca desafiam tradições e esteriótipos do país ao lado de atletas como a jogadora de futebol Nayeli Rangel, a boxeadora Mariana “Barby” Juarez, a ginasta olímpica Alexa Moreno, a jogadora de basquete Casandra Ascencio e a atleta Paola Moran.

Confira o vídeo:

 

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