Angelini: “Vamos abrir dados a terceiros”

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Angelini: “Vamos abrir dados a terceiros”

Country manager do Facebook no Brasil garante que plataforma vai dialogar com mercado para uma eventual auditoria externa

Igor Ribeiro
3 de outubro de 2016 - 10h21

Marcos Angelini, country manager do Facebook no Brasil (Crédito: Divulgação)

Marcos Angelini, country manager do Facebook no Brasil (Crédito: Divulgação)

Em 23 de setembro, causou grande polêmica um pedido de desculpas público de David Fischer, VP de business and marketing partnerships do Facebook, sobre um erro que a plataforma havia cometido no cálculo da média de viewability de vídeos por dois anos. A empresa já havia descoberto o problema um mês antes, feito a devida correção, mas comunicado o mercado de forma considerada discreta. O caso veio à tona graças a matéria do Wall Street Journal publicada na quinta-feira, 22 de setembro, que recebeu da Publicis Media um relatório indicando que o erro havia inflado os números do Facebook em até 80%. Apesar disso, a plataforma assegurou que o erro não impactou no faturamento de mídia junto às agências.

De fato, profissionais no Brasil minimizaram o efeito direto sobre as contas, pelo fato de não ser essa métrica em especial um número recorrente nas negociações. Não deixam de ressaltar, no entanto, que é o episódio reitera as crescentes críticas do mercado, no Brasil e no exterior, contra a ausência de auditoria externa sobre métricas de grandes plataformas tecnológicas, Gloogle e Twitter inclusos. “É um infortúnio, pode acontecer, não tem impacto comercial, mas tem de credibilidade”, diz Daniel Chalfon, VP de mídia da LDC e presidente do Grupo de Mídia. “Se aquilo estava errado, o que não mais estará?”, questiona. Para o executivo, “apesar de ser uma marca negativa, há uma oportunidade para que essas empresas acelerem, com todo o poderio tecnológico que possuem, um diálogo mais franco com o setor, colocando na prática seu discurso de criatividade ligado a um ecossistema sustentável.”

Em sua primeira conversa com a imprensa desde que assumiu como coutry manager do Facebook Brasil em maio deste ano, Marcos Angelini diz ao Meio & Mensagem que está pessoalmente disposto a levar essa conversa adiante. “Se isso gerou alguma ansiedade, vamos ter esse diálogo e eu pessoalmente vou fazer acontecer”, afirma. Veja a seguir os principais trechos de sua entrevista:

Meio & Mensagem – Ainda que não tenha efeito sobre as verbas de agências, o erro causou uma grande discussão. Como o Facebook avalia esse impacto no Brasil?
Marcos Angelini – Sim, acredito que a média equivocada da métrica impactou em zero em cobrança de anúncios e ROI dos clientes. Mas, claro, foi um erro de cálculo. Temos um monte de métricas de vídeos, e essa em especial tinha um erro. Temos de aceitar e, assim que soubemos, fomos imediatamente comunicar o ecossistema. Para a gente sempre o mais importante é estar transparente aos nossos parceiros. Isso é fundamental em todo relacionamento. Podemos falhar e temos de ser humildes em reconhecer. Sou pessoalmente um entusiasta enorme de abrir dados, a Nielsen já tem acesso a nossos dados nos EUA, mas nosso objetivo é levar total transparência de dados aos clientes e marcas.

 

Marcos Angelini (Crédito: Eduardo Lopes)

Marcos Angelini (Crédito: Eduardo Lopes)

Mas a comunicação da equipe brasileira ocorreu por ocasião da reportagem do Wall Street Journal e do texto de David Fischer, correto? Não na primeira identificação do desvio, ainda em agosto?
Naquele momento entendemos que tinha de ser um contato muito granular, um por um. Ativei toda minha equipe de agências, parcerias e atendimento ao cliente, que ligou um a um para explicar o que havia acontecido. Entendemos que deveria ter sido antes também. Mas garanto que nunca nos ocorreu tirar qualquer benefício dessa situação ou prejudicar alguém.

Em nossos princípios falamos de transparência e vamos abrir dados a terceiros, para que tenhamos um entendimento comum de mercado. Sei que é um objetivo global da companhia, mas eu próprio, no Brasil, vou acelerar isso

Ainda que o problema não tenha trazido impacto em verbas, o mercado tem se referido a situação como mais um exemplo dos problemas que a falta de acesso a dados do Facebook e outras plataformas pode gerar. Você, como ex-profissional de marketing de anunciante, deve entender bem o quanto esse ponto é delicado para o ecossistema publicitário. Há intenção real de ampliar o diálogo nesse sentido, como tantos players têm exigido?
Sim, e se isso gerou alguma ansiedade, vamos ter esse diálogo e eu pessoalmente vou fazer acontecer. Você tem razão: trabalhei 20 anos em marketing da Unilever e obviamente o mundo está mudando. O Facebook tem 12 anos de vida, então estamos aprendendo. Em nossos princípios falamos de transparência e vamos abrir dados a terceiros, para que tenhamos um entendimento comum de mercado. Sei que é um objetivo global da companhia, mas eu próprio, no Brasil, vou acelerar isso. Vamos para frente com essa postura. É a mensagem que estamos passando para todos e, para nossa sorte, toda essa conversa tem sido muito produtiva.

A íntegra desta reportagem está publicada na edição 1730, de 3 de outubro, exclusivamente para assinantes do Meio & Mensagem, disponível nas versões impressa e para tablets iOS e Android.

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